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Revolta das Barcas

July 20, 2009 por: camarada_d categoria: geral

No dia 22 de maio de 1959, em Niterói (RJ), milhares de pessoas se levantaram contra o péssimo sistema de transporte de barcas, que fazia o roteiro entre a cidade e o Rio de Janeiro, antes de ser construída a Ponte Rio-Niterói. Cerca de 100 mil pessoas, quase metade da população, usavam as barcas diariamente.

O enredo dessa história não é diferente do contexto atual da crise do transporte coletivo: havia um grupo proprietário das barcas, o Grupo Carreteiro, que se queixava dos supostos prejuízos nos negócios, e pedia constantemente apoio financeiro do governo para pagar seus gastos. Ao mesmo tempo, a população notava o fato de que a família Carreteiro obtinha cada vez mais fazendas e outros tipos de propriedades. Uma ironia, já que reclamavam falta de dinheiro. Por sua parte, o governo negava maiores subsídios, acusando o Grupo de dar informações falsas sobre seus gastos – a empresa gastava menos da metade do que exigia do governo.

De outro lado, as crescentes mobilizações sindicais no Brasil incentivavam trabalhadores e trabalhadoras a se organizar. O Sindicato dos Marítimos e Operários Navais paralisavam o trabalho frequentemente. Os proprietários utilizavam essas paralisações para justificar novos aumentos tarifários. No dia 22 de maio de 1959, o sindicato resolveu parar mais uma vez, incentivado por mobilizações em todo o país por melhores condições de trabalho e organização. As Forças Armadas passaram a administrar as viagens entre Rio e Niterói e organizar a entrada e saída das barcas. Neste momento entra em cena um outro fator: usuários e usuárias, que até então assistiam as crises e sofriam com os altos preços e péssimas condições de viagem. Consta que o incidente começou com uma desavença entre soldados e população, que aproveitou a situação para descontar os constantes abusos cometidos no sistema de transporte de barcas. A fúria se alastrou pela cidade, praças foram tomadas, a frota de barcas foi destruída. A massa se dirigiu para a mansão da família Carreteiro, destruindo seus pertences, atirando móveis pelo telhado. Encontrou-se escrito em uma parede: “aqui jaz as fortunas do Grupo Carreteiro, acumuladas com o sacrifício do povo.”

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Revolta das Barcas na Wikipédia

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