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Estudo sobre o lucro das empresas de ônibus em São Paulo

February 11, 2011 por: admin categoria: artigos

O objetivo principal deste estudo é a tentativa de estimar quanto ganharão as empresas de ônibus urbanos da cidade de São Paulo em 2011, especialmente em vista do aumento do valor da passagem para R$3,00 no início do ano. Costuma supor-se tanto nos anúncios deste último aumento (e meses precedentes) quanto em ocasiões anteriores, que o reajuste seria necessário para manter o serviço em funcionamento, em vista de uma suposta ameaça de diminuição dos ganhos das empresas privadas responsáveis pelos transportes, que tornariam o negócio impraticável para elas[1]. Com este estudo, pretende-se contribuir com informações mais concretas para que a população possa se posicionar em relação a alegações deste tipo e os debates referentes ao valor mais apropriado para as passagens.

Estimativas

Antes de começar, que fique bem claro que este estudo alcança seu objetivo por meio de estimativas, isto é, a aplicação de modelos e aproximações para a obtenção do valor buscado (o ganho total líquido das empresas que prestam os serviços de transportes urbanos na cidade de São Paulo). Estimativas como essa podem ser facilmente descartadas caso não sejam bastante claras e embasadas em referências acessíveis e concretas, por isso o texto é relativamente longo e bastante detalhado; ainda assim, espero que seja lido com cuidado e esclareço que não há nenhum impedimento para que seja utilizado para a realização de outros estudos ou que sejam realizadas futuras correções aqui com base em informações corrigidas providas pelos leitores.

Finalmente, esclarece-se aqui que a principal estratégia utilizada para a obtenção de estimativas confiáveis foi o uso de valores subestimados (ou superestimados, dependendo de como impactam o resultado final) de modo a se buscar uma estimativa de limite inferiorpara os ganhos das empresas. Essa estratégia deverá ficar mais clara ao longo do texto, mas significa que se sabemos que um determinado valor levaria a um menor ganho das empresas no cálculo final este valor é escolhido de forma que seja o maior valor do intervalo estimado (i.e. o preço do combustível é superestimado) e o inverso vale para um valor que aumentaria o ganho das empresas no cálculo final, para o qual sempre é escolhido o menor valor estimado (por exemplo o número de passageiros pagantes). Em outras palavras, pode-se dizer que os ganhos são subestimados e os gastos são superestimados levando a um resultado de ganhos líquidos subestimado.

Fontes e tipos de dados utilizados

Os dados brutos utilizados para as estimativas estão todos disponíveis na internet, seja em matérias de jornais ou em estudos mais especializados (todas as fontes utilizadas neste estudo estão listadas abaixo na seção “Referências”). Uma das principais fontes de dados é um site da própria Prefeitura, o São Paulo em Movimento (ainda que haja, ao longo do texto, discussões a respeito da qualidade e confiabilidade dos dados apresentados ali).

Além dos dados diretamente disponíveis, ou primários (tais como número de passageiros, valor da tarifa e número de ônibus), há ainda dois outros tipos de dados que são necessários para uma estimativa como esta. O segundo tipo são os dados secundários, estimados a partir dos dados primários, tais como o número de funcionários que trabalham nos ônibus (calculado a partir do número de ônibus) ou ainda o gasto com combustíveis (que, conforme ficará claro, pode ser estimado a partir do número de kms rodados, a eficiência dos ônibus e o preço do combustível). O terceiro tipo são dados especulados, isto é, aqueles para os quais não se encontrou nenhum tipo de referência e que não podem ser calculados a partir dos dados primários nem secundários; um exemplo é o gasto das empresas com funcionários administrativos (em comparação com os gastos com salários de motoristas e cobradores, que podem ser calculados a partir do número de funcionários multiplicado pelo salário destes, que é conhecido). Os dados especulados são, obviamente, os que mais podem contribuir com a introdução de erros nos valores que desejamos alcançar, mas isto não pode ser um impedimento para a realização dos cálculos, até porque a alguns desses valores nunca teremos acesso e também porque é possível estimá-los (especular sobre eles) a partir de diferente fatores e informações, conforme veremos.

Modelos e cálculos

Até o momento os cálculos foram realizados a partir de dois modelos de cálculos (ver abaixo), em cada deles fatores diferentes são levados em consideração e resultados distintos são obtidos. O objetivo da utilização de modelos distintos é a possibilidade de comparar os resultados obtidos, o que pode levar a uma maior confiança e também a obtenção de estimativas ainda melhores. Antes de introduzir como cada modelo foi estruturado e os cálculos e valores referentes a cada um, é preciso atentar que o valor ganho pelas empresas pode ser facilmente calculado e será o mesmo para ambos os modelos, por isso este será o primeiro cálculo a ser realizado.

Ganhos

Conforme já esclarecido, o número de passageiros e o valor das passagens de ônibus é bem conhecido. Basta ver, por exemplo a matéria do Jornal da Tarde, que aponta que em Março de 2010 “a cidade bateu o recorde histórico de número de passageiros: 263 milhões de usuários”, ou esta entrada num blog do JT, que diz que “no ano passado [2010], a média mensal [de passageiros] foi de 242 milhões”. Esperamos que mais confiável ainda seja o site da própria Prefeitura com os dados de 2010, a guia sobre o número de passageiros transportados indica uma média mensal de 242,8 milhões de passageiros em 2010, que será o valor utilizado aqui.

A partir deste valor seria bastante prático se fosse possível simplesmente multiplicar os 242,8 milhões de passageiros pelo preço da passagem, agora em R$3. No entanto, o modo como funciona o bilhete único[2] e a existência de passageiros especiais[3] dificulta o cálculo, ou seja, não basta assumir que os ganhos das empresas alcançam em média os R$728,4 milhões mensais (que seriam equivalentes a R$3 × 242.800.000).

No entanto, no mesmo site da Prefeitura é possível encontrar informações mais precisas, incluindo a receita tarifária mensal — de R$337,7 milhões por mês (média de 2010)[4]. Novamente não podemos usar esse valor diretamente pois, como sabemos, o valor da tarifa em 2010 era R$2,70 e o objetivo aqui é estimar quais serão os ganhos com o valor mais recente. Mas o mesmo site da Prefeitura indica o número de gratuidades legais (passageiros que não pagam, como idosos) — média de 20 milhões de passageiros por mês em 2010[5] — e também o número de passageiros que obtém gratuidade pela integração com bilhete único — média de 82,5 milhões de passageiros por mês em 2010[6].

Assim tivemos em 2010, conforme a Prefeitura, uma média de:

242,8 - 20 - 82,5 = 140,3\,\!

milhões de usuários pagantes por mês.

Este sim é o número que devemos multiplicar por R$3 para estimar quantos serão os ganhos médios mensais em 2011 com a nova tarifa. O que nos fornece um total de:

140.300.000,00 \times R$3 = R$420.900.000,00

Agora, não podemos nos esquecer que há um repasse feito pela Prefeitura todos os meses para as empresas prestadoras do serviço. Em primeiro lugar, gostaria de ressaltar que não encontrei nenhuma referência que explicasse de modo claro como (ou a partir de quais dados) são realizados os cálculos para a obtenção dos valores dos repasses[7]. Mesmo assim, com as notícias recentes sobre o aumento do valor das passagens também foram amplamente noticiados os (novos) valores dos repasses da Prefeitura às empresas de ônibus no ano de 2011, isto é, R$743 milhões[8]. Segundo o matéria publicada na revista Veja, desses R$743 milhões apenas R$520 milhões serão repassados às empresas, o que equivale a um repasse médio de R$43,34 milhões por mês[9].

Dessa forma, o valor buscado nesta seção, o total de dinheiro que entra nos caixas das empresas de ônibus, deverá ser, a cada mês de 2011:

R$420.900.000,00 + R$43.340.000 = R$464.240.000,00 \,\!

Antes de prosseguir é necessário ressaltar que os principais valores utilizados para este cálculo são aqueles fornecidos pela própria Prefeitura (número de pagantes e valor dos repasses), mas, apesar de termos que querer acreditar que sejam os mais precisos disponíveis, devemos lembrar que alguns deles só podem ter sido fornecidos pelas próprias empresas que prestam o serviço (tais como o número total de passageiros ou, principalmente, o número total de pagantes).

Primeiro modelo

O primeiro modelo, que chamarei de modelo de custos direto trata de tentar estimar diretamente todos os gasto das empresas e subtrair o valor encontrado do total de ganhos (apresentado na seção anterior).

Salários

O primeiro gasto que iremos calcular refere-se aos salários dos funcionários das empresas. O mesmo site da Prefeitura citado antes provê uma guia que informa a Remuneração mensal dos operadores, ali encontra-se o valor de gasto mensal médio (em 2010) de R$395,7 milhões por mês; conforme veremos, este valor parece estar incorreto e não será utilizado aqui[10]. Teremos então que estimar novamente este valor, a partir de outros dados conhecidos, mais especificamente o número de funcionários e seus salários.

Comecemos com os dois tipos de funcionários certamente mais conhecidos de todos, motoristas e cobradores. Não há dados concretos sobre qual é exatamente o número de motoristas ou cobradores atuando no sistema de transportes da cidade hoje. Mesmo assim, como é possível ter acesso ao número total de ônibus, poderemos estimar esse valor (já que sabemos que há um motorista e um cobrador por ônibus). Em várias referências diferentes encontramos valores para o número total de ônibus que gira em torno de 13 a 15 mil, conforme explicado acima utilizaremos o maior valor (o que nos levará a mais gastos com funcionários)[11].

Agora bastaria multiplicar o número total de ônibus pelo salário total destes funcionários. Mas qual é exatamente o valor do salário de um motorista ou de um cobrador? Novamente não há dados recentes e claros em nenhuma referência encontrada[12]. Uma página do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo indica que os motoristas ganham (por mês) um valor máximo de R$1.681,48 e os cobradores ganham R$971,57 que são somados a R$297,00 em vales para refeições.

Antes de seguir é necessário perceber dois fatores que não foram considerados até o momento, o primeiro é o 13º salário dos funcionários. Para dar conta deste valor num cálculo mensal de gastos basta multiplicar o salário de motoristas e cobradores por 13 e dividir por 12 (assim as contas realizadas aqui continuam a indicar custos e ganhos médios por mês. Teremos então um custo médio mensal de salários para os motoristas de

\frac{R$1.681,48\times13}{12}+R$297,00 = R$2.118,61 \,\![13]

e para os cobradores

\frac{R$971,57\times13}{12}+R$297,00 = R$1.349,54 \,\!

O segundo fator que ainda não consideramos é que não há apenas um motorista e um cobradore para cada ônibus, já que sabemos que há ônibus que circulam por mais de um turno de trabalho e necessitam de mais funcionários para operá-los. Vamos supor que sejam dois motoristas e dois cobradores para cada ônibus[14]. Temos então um gasto mensal médio total de:

2\times(R$1.349,54+R$2.118,61) \times 15.000 = R$104.044.125,00\,\!

(lembrando que 15000 é o número total de ônibus).

Já podemos comparar este valor com aquele apresentado pela Prefeitura, que era nada menos que 3,8 vezes maior. Antes que chegemos a maiores conclusões sobre o dado apresentado pela Prefeitura, devemos lembrar que há ainda todos os outros funcionários que trabalham nos setores de administração, manutenção, vendas e assim por diante. Mais uma vez não temos acesso a números que indiquem quantos são e quanto ganham estes funcionários, mas isso não nos impedirá de seguir adiante.

Em primeiro lugar é necessário estimar quantos funcionários além dos motoristas e cobradores as empresas empregam. Este valor pode ser extraído de uma matéria recente da revista Istoé Dinheiro, segundo a qual uma empresa de ônibus com 6,9mil veículos emprega 30mil funcionários. A partir desse valor podemos estimar uma média de quantos empregados por ônibus uma empresa deste tipo deve ter[15], ou seja:

\frac{30.000}{6.900}=4,35

para nos garantir uma margem maior, utilizaremos o valor de 4,5 funcionários por ônibus. Sabemos quatro que desses 4,5 são motoristas e cobradores, ou seja, agora sabemos que as empresas devem ter em média 0,5 funcionários (para cada ônibus) que exercem as outras funções[16]. Deste modo, um cálculo simples nos provê o valor buscado, o número de outros funcionários:

0,5\times15.000=7.500\,\!

Ainda não sabemos quanto ganham estes funcionários, mas suponhamos que as empresas reservem algo como R$40 milhões em suas receitas para pagá-los; isso nos forneceria uma média de salário de R$5.334 o que é exageradamente alta considerando que o salário mínimo não chega nem aos R$550 e que certamente há muitos desses 7500 funcionários que ganham algo em torno desse valor (ainda que não seja desmesurado considerar que os administradores dos mais altos escalões ganhem salários nas casas das dezenas de milhares de reais por mês). Como os R$5.334 é uma média[17], consideraremos o valor de R$40 milhões adequado às contas realizadas aqui.

Para concluir, somemos o total gasto com motoristas e cobradores com o total especulado para os outros funcionários:

R$104.044.125,00+R$40.000.000,00 = R$144.044.125,00\,\!

que indica o total gasto pelas empresas com pessoal buscado nesta seção[18].

Frota

O segundo grande grupo de gastos que calcularemos aqui é referente aos custos da frota de ônibus, mais especificamente: combustível, dependências (estacionamento), manutenção e reposição.

O cálculo do valor gasto com combustível pode parecer muito complexo, mas ele é bastante facilitado por um dado disponibilizado numatabela do Ministério das Cidades que indica o total de quiilômetros percorridos pelo transporte público na cidade, o valor indicado é 506.682.031 Km. Como os dados são de 2006 e não há nenhuma base para reajustá-los para 2011, assumiremos um valor de 600 mil kms percorridos por ano (não é pouco provável que o valor atual seja até menor do que o de 2006, considerando que houve redução no número de linhas e distâncias[19]), ou seja, 50 mil kms por mês. Para, a partir do valor de kms percorridos, obter a quantidade de litros gastos com combustível[20] é necessário um coeficiente de eficiência dos ônibus urbanos, isto é, um valor que nos diga quantos litros são gastos para percorrer um km. Mais uma vez, felizmente, é possível encontrar esse valor em um estudo técnico sobre o tema, conduzido por Gilmar Silva de Oliveira e Rômulo Dante Orrico Filho na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na página 1484 do documento os autores indicam os valores encontrados em suas pesquisas, para ônibus pesados indicam um média de consumo de aproximadamente 0,4l/km[21]; para manter o valor aqui superestimado usaremos como base 0,5l/km. O último dado necessário para a estimativa dos gastos totais com combustíveis é o preço dos combustíveis. Esse valor pode ser facilmente encontrado em qualquer posto ou mesmo na internet, e para os propósitos deste estudo, assumiremos um valor superestimado de R$2,00 (que está acima do valor médio de venda ao consumidor do varejo que é menor que R$1,90 por litro)[22]. Desse modo temos um gasto mensal em combustível igual ao total de kms percorridos (50 mil) multiplicado pelo gasto em litros a cada km (0,5l/km) multiplicado pelo preço de cada litro de combustível (R$2):

50.000.000 \times 0,5 \times R$2,00 = R$50.000.000,00\,\!

que é o valor buscado.

A seguir calcularemos os gastos com dependências. Mais uma vez não temos valores exatos, mas uma antiga matéria da revista Veja, de 2000, indica em uma tabela que um dos maiores empresários do ramo em São Paulo, possuidor de (à época) 6000 veículos, ocupava 1,2 milhões de metros quadrados de garagens para abrigar todos os seus veículos (ainda que a matéria seja antiga é seguro supor que o espaço ocupado por um ônibus em pátios de estacionamento continua o mesmo). Com uma regra de três simples é fácil estimar quanto espaço seria necessário para abrigar os 15.000 veículos da frota atual, o que nos fornece um total de 3 milhões de metros quadrados. Para estimar gastos mensais com o estacionamento dos veículos vamos supor que todo esse espaço é alugado[23] a um custo de R$10 por metro quadrado[24]. A conta é bastante simples (3 milhões multiplicado por R$10) e nos indica um gasto mensal com aluguel de pátios de R$30milhões.

Para mantermos a confiança no cálculo multiplicaremos os R$30milhões por 1,5 o que deverá nos dar mais segurança ainda para dar conta de possíveis gastos com aluguel (ou compra) de outros espaços como escritórios, pátios, prédios, etc e também despesas como luz, água, IPTU e assim por diante. Temos então um total mensal de R$45.000.000,00\,\!

com gastos em dependências físicas.

Os gastos com a manutenção dos ônibus (que deve incluir a manutenção interna e externa com itens tais como limpeza, conserto do motor, revisão das máquinas de bilhete único, etc) são os mais complicados e também os que menos claramente podem ser encontrados em referências disponíveis na internet. Isto é, há, por exemplo, uma gigantesca planilha preparada pelo Ministério dos Transportes em 1996que poderia servir como base para este cálculo, mas a planilha é demasiado complicada para uma estimativa como esta (requer conhecimento do preço de inúmeras peças dos veículos e quantidades gastas de insumos como lubrificantes e óleos, entre muitas outras coisas). Por conta desta falta (ou complexidade no cálculo), este valor será o dado especulado mais frágil deste estudo, isto é, o que mais facilmente pode ser contestado (e também o que mais urgentemente precisa ser corrigido). Mesmo assim, lembremos que a frota total é de 15.000 ônibus e é difícil acreditar que todos dêem problemas constantemente (ainda que seja, claro, necessária uma manutenção preventiva frequente); isso nos leva a crer que caso o valor de manutenção seja atrelado ao número de ônibus ele deva ser estipulado como sendo relativamente baixo. Usaremos então um total de R$1.000 mensais por ônibus como valor de manutenção. Esta é mais uma conta simples e nos fornece um gasto mensal de

R$ 15.000.000,00\,\!

com manutenção[25].

O último valor que buscamos é o gasto mensal com a compra de novos veículos, ou seja, reposição. Mais uma vez não está disponível o número real de veículos comprados mensalmente pelas empresas[26]. Para este estudo vamos então especular que as empresas compram 160 novos ônibus por mês[27] do tipo mais caro não articulado (conforme a guia Quanto custa um ônibus no site da Prefeitura), que é vendido por um valor de R$240 mil reais[28]. Mais uma conta simples nos provê um gasto mensal de

160 \times R$240.000,00 =  R$38.400.000,00\,\!

em compras de novos ônibus.

Conta final: lucros

Primeiro vamos somar todos os gastos das duas seções anteriores. O total de gastos é dado pela soma dos gastos com salários (motoristas, cobradores e outros) e os gastos com combustível, dependências, manutenção e reposição (frota); seguindo a ordem desta listagem para somar cada um dos valores das seções anteriores temos em milhões:

R$144,044 + R$50 + R$45 + R$15 + R$38,4 = R$292,4\,\!

para o total de gastos mensais.

Finalmente, para obter o excedente (lucro), basta subtrair este valor daquele encontrado na seção Ganhos, ou seja dos R$464.240.000,00 que entram nos cofres das empresas a cada mês. Antes de fazê-lo, no entanto, consideraremos mais um item que ainda não foi devidamente introduzido em nossos cálculos: impostos[29]. Seria muito mais sensato calcular a incidência de impostos sobre os custos, mas para manter (mais uma vez) a confiança nos dados vamos calcular esta incidência sobre os ganhos (que são maiores e assim nos levarão a superestimar os gastos com impostos). Como não podemos calcular os impostos específicos de cada um dos itens usaremos uma taxa fictícia de 15% (bastante alta) sobre os custos, o que nos fornece um novo valor total:

R$464.240.000,00 - 15% = R$394.598.333,33\,\!

Agora sim, o valor buscado por este modelo:

R$394.598.333,33 - R$292.444.125,00 = R$102.154.208,33 \,\!

Que indica que as empresas prestadoras dos serviços de transporte público na cidade de São Paulo devem lucram mais de R$100 milhões por mês.

Vale lembrar que dizemos que elas lucram mais do que isso pois ao longo dessa estimativa, conforme explicado no início, procedeu-se para obter um limite inferior (ou um valor subestimado) para os lucros.

Segundo modelo

O segundo modelo apresentado aqui é muito mais simples do que o primeiro (ainda que seja também muito mais suscetível a erros). Ele foi realizado à princípio apenas para buscar por erros grosseiros nos cálculos do primeiro modelo e também prover um valor comparativo para os lucros e para os gastos mensais.

Este modelo será chamado de calculo de lucros reverso pois durante as buscas por informações e dados para a confecção do primeiro modelo foi encontrada uma única matéria jornalística que indica diretamente o lucro de uma empresa de ônibus. Trata-se da matéria Nenê voa alto publicada pela revista Veja em 2000 sobre o empresário Constantino de Oliveira. Nessa matéria há uma indicação clara dos ganhos do empresário no ano de 2000, numa tabela lê-se: “Faturou 580 milhões de dólares no ano passado”[30].

A partir deste dado, a lógica deste modelo é tentar corrigir esse valor para a moeda atual (com base em índices como inflação e IGP-M) e depois escaloná-lo para toda a frota atual de ônibus. Isso nos dará os lucros atuais (para 2011) das empresas. É evidente que não há nenhum motivo para que os lucros tenham se mantido desde 2000, nem mesmo que devam ser ajustados para o valor corrente com base em inflação ou IGP-M (ainda que também não seja descartável que os lucros tenham até subido no período). Mesmo assim, esta conta pode nos dar uma outra perspectiva sobre o primeiro modelo (quer dizer, nos ajudar a corroborar minimamente os valores encontrados ali).

O primeiro passo é converter o valor em dólares de 2000 para o valor correspondente em real no mesmo ano. Para tanto basta consultar a tabela de cotação da Receita Federal referente àquele ano. Seguindo a estratégia de subestimar lucros, vamos usar um índice de compra de R$1,80 (a tabela mostra que em Outubro de 2000 a cotação era de R$1,84). Sendo assim, a frase final da revista Veja pode ser lida como “Faturou 1,08 bilhões de reais no ano passado”.

A correção do valor para valores atuais pode ser feita usando um fator financeiro (como indicado antes) tais como o IGP-M, o IPC, a inflação, etc. No site Cálculo Exato há uma calculadora que permite realizar este tipo de cálculo. Basta colocar no campo “Valor a ser atualizado” o total de R$1,08 bilhões, as datas corretas nos outros campos (no campo “Data a partir da qual o valor será atualizado” pode-se usar o dia 1º de Outubro de 2000) e então selecionar qual índice será utilizado. Para que o valor corrigido fosse o menor possível (subestimado), foi utilizado o índice mais desfavorável do período, o IPC-FIPE, que provê um valor ajustado de mais de R$1,9 bilhões. Diminuiremos ainda mais o valor e utilizaremos então “apenas” R$1,8 bilhões, de modo que a frase final da revista Veja pode ser lida agora como “Faturou 1,8 bilhões de reais no ano de 2010″.

A partir desse valor é fácil calcular o lucro mensal (R$1,8 bilhões dividido por 12), em R$150 milhões. Agora supondo que o faturamento é proporcional ao número de veículos (quanto mais veículos maior é o lucro[31]), temos que nos lembrar que, conforme aponta a matéria, o empresário possuía apenas 6.000 veículos e a frota atual é de 15.000 veículos. Antes de ajustar os lucros para os 15.000 veículos, suporemos (conforme explicado acima) que a “frota operacional” é de apenas 13.000 veículos (mais uma vez para subestimar os lucros). Basta então dividir os R$150 milhões por 6.000 para determinar o lucro médio por ônibus, que depois pode ser multiplicado por 13.000 para obter o lucro mensal total do sistema:

\frac{R$150.000.000,00}{6.000} \times 13.000 = R$325.000.000,00 \,\!

E este é o valor que podemos comparar com aquele encontrado no modelo anterior. Vemos que há uma correspondência de ordens de grandeza (centenas de milhões de reais por mês), o que nos dá mais confiança em afirmar que os lucros das empresas realmente giram em torno de algo dessa ordem.

Outro valor que podemos calcular a partir do lucro obtido nesta seção é uma estimativa para o quanto gastam as empresas. Para tanto basta subtrair o lucro do ganho mensal (este último apresentado na seção “Ganhos” acima), teremos então:

R$464.240.000,00 - R$325.000.000,00 = R$ 139.234.000,00\,\!

que podemos encarar como um limite inferior para os gastos mensais (em oposição ao limite superior apresentado pelo primeiro modelo).

Tabela da Prefeitura

Durante a realização dos cálculos do segundo modelo e também correções e ajustes nos cálculos do primeiro modelo, foi encontrada (via Google) uma tabela no site da Prefeitura de São Paulo que parece indicar como a própria Prefeitura calcula o custo da passagem (não foi encontrado nenhum link em páginas do site da Prefeitura que levasse à essa tabela).

Ainda que a tabela seja de 2006 é material bastante valioso pois pode servir de subsídio para os argumentos dados aqui em relação a como devem (ou não) ser considerados os gastos.

Em primeiro lugar chamo atenção ao item 7 da planilha — que por hora podemos analisar desconsiderando todo o resto — , ou seja, o “Custo total” do sistema, que é indicado como R$318.831.492,68. Uma atualização pelo site Cálculo exato utilizando o IGP-M nos fornece um valor para 2011 de R$419.118.344,55. Numa comparação rápida, novamente podemos aumentar a confiança nos cálculos de gastos doprimeiro modelo, apresentado anteriormente (ou seja, não parece haver erros grosseiros de ordens de grandeza). Mesmo assim, há uma diferença notável de aproximadamente R$126 milhões em relação ao cálculo do primeiro modelo. Antes de chegar a qualquer conclusão, devemos perceber que no modelo apresentado neste estudo, os impostos foram calculados sobre os ganhos, isto é, se corretamente assumirmos que estes impostos são gastos e por isso deveriam ser somados aos R$292 milhões, já teríamos uma correção de valor que diminuiria esta distância dos R$126 milhões para apenas R$57 milhões. Para concluir essa análise rápida do item 7, pode-se afirmar com alguma segurança que as estimativas feitas no primeiro modelo (apesar de todas as incertezas e especulações) são bastante confiáveis.

Mas há um fato que pode chamar a atenção do leitor: se o cálculo apresentado no primeiro modelo era para um valor superestimado de gastos, como é possível que o valor “real” (da Prefeitura) seja maior ainda? Responder a essa pergunta pode ser embaraçoso, mas faz-se necessário.

Voltemos à tabela apresentada pela Prefeitura, mas não ao item 7 e sim ao item 2.3 que diz respeito a gastos com pessoal. Ali é possível ler claramente que a Prefeitura estima um gasto com pessoal de nada menos que impressionantes R$9.502,73 por ônibus por mês em 2006 (corrigidos novamente com o site Cálculo Exato usando o IGP-M esse valor vai a R$12.491,77 por ônibus por mês). Sim, impressionantes, já que o primeiro modelo apresentava claramente os gastos com cobradores e motoristas como algo em torno de:

2\times(R$1.349,54+R$2.118,61) = R$6.936,27\,\!

O que nos leva a perguntar para que seriam usados os R$5.555,49 restantes.

Em primeiro lugar podemos calcular quanto representam os R$5.555,49 para a frota de ônibus considerada na tabela da Prefeitura (lembrando que esses R$5.555,49 são por ônibus por mês). Basta multiplicar pelos 13.922 ônibus considerados “frota operacional” pela Prefeitura e teremos R$77.343.556,00. Agora, considerando os dados do primeiro modelo, que indicam que há 0,5 funcionários por ônibus além dos motoristas e cobradores, esses R$77.343.556,00 seriam suficientes para pagar a cada um desses outros 6.961 funcionários (0,5 × 13.922) um salário médio mensal de R$11.110,98. Ou, em outras palavras, se esses funcionários ganhassem, cada um, R$5.000 mensais, ainda sobrariam R$42,5 milhões de reais para outros pagamentos.

A partir dessa consideração rápida sobre o item 2.3 já é possível colocar em dúvida toda a tabela apresentada pela Prefeitura. Além disso, a tabela não deixa claro como é realizado o cálculo de vários itens, tais como o 2.1, 2.2, 3, 4 e 6. Esses problemas podem dar conta das discrepâncias de valores em relação ao primeiro modelo apresentado aqui. Certamente muito mais trabalho precisa ser feito sobre e em relação a esta tabela, a começar por meio de esclarecimentos por parte da Prefeitura e/ou responsáveis pelo cálculo; mas também por meio de uma leitura mais atenta e detalhada do que ela indica (e uma comparação mais minuciosa com os modelos apresentados neste estudo)[32].

Considerações finais

O objetivo principal deste estudo era a obtenção de um valor (aproximado, inicial, estimado) para o lucro das empresas de ônibus prestadoras de serviço de transporte público na cidade de São Paulo. Considero que em linhas gerais este objetivo foi alcançado, ainda que seja possível melhorar muito os valores obtidos.

Outras considerações

Algumas questões que podem ser levantadas a partir daqui são:

  • Como corrigir aqueles valores cujas estimativas neste estudo ainda se encontram fragilizadas por falta de informações?
  • Por que o valor da passagem deve ser de R$3 considerando que até conforme os dados apresentados pela Prefeitura (cuja validade é questionada neste estudo) garantem-se lucros mensais de várias dezenas milhões de reais às empresas prestadoras do serviço? É moralmente aceitável numa sociedade que se diz republicana que um serviço de utilidade pública prestado por concessão estatal seja objeto da extração de lucro? Ainda mais considerando que há repasses milionários de verbas públicas todos os meses para as companhias que prestam o serviço?
  • Com base em quais dados o vereador Cláudio Fonseca (PPS) afirmou, na sessão de 2/2 da Câmara dos Vereadores que “Quem defende o passe livre tem de saber que o subsídio municipal aumentaria para cerca de R$5 bilhões.”?
  • Qual é a parcela de usuários dos ônibus que recebe vale-transporte de seu contratante? Qual é a principal origem do dinheiro que entra nos caixas das empresas de transportes?
  • É possível estatizar o sistema? Como? Quais vantagens e/ou desvantagens traria? (Em breve pretendo abordar questões deste gênero num anexo deste estudo)
  • Qual é a validade das (ou mesmo as possibilidades reais de atender as) demandas de movimentos como o Passe Livre?

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Notas

  1. Necessita referências.
  2. O bilhete permite que no período de duas a três horas sejam feitas duas ou três viagens ao preço de apenas uma (dependendo do tipo de bilhete). Para mais informações, ver a seção sobre o Bilhete Único no site da SPTrans.
  3. Refiro-me aqui à passageiros que não pagam, tais como cadeirantes, idosos ou àqueles que pagam meia, como os estudantes
  4. Ver na guia Receita tarifária mensal de utilização, em Dados econômicos
  5. Ver a guia Gratuidades legais.
  6. Ver a guia Integração gratuita via bilhete único.
  7. Uma outra entrada num blog do Jornal da Tarde, por exemplo, indica que as empresas “recebem cerca de R$1,40 para cada passageiro que usa o bilhete único – independentemente se o usuário está pagando a primeira passagem ou usando as viagens gratuitas que o cartão dá direito.” o que seria absurdo já que, conforme vimos, o número de passageiros que utiliza o bilhete único (só para a segunda ou terceira viagem) o repasse a um valor de R$1,40 × 82.500.000 = R$115.500.000 por mês (ao que ainda que teríamos que adicionar os usuários pagando a “primeira passagem”). Uma matéria da Folha de S. Paulo indica que o valor é estimado pela prefeitura anualmente (antes mesmo que o ano comece), o que nos leva a questionar qual seria o método empregado pela Prefeitura para fazer tal cálculo (por exemplo: quais os pesos dados à cada tipo de passageiro?).
  8. De acordo com matéria na Folha de S. Paulo.
  9. A matéria cita o Secretário ao informar que “Neste ano, a fatia destinada ao custeio do sistema, conforme foi publicado no “Diário Oficial”, é de 743 milhões de reais. De acordo com o secretário de Transportes, Marcelo Cardinale Branco, apesar da reserva, apenas 520 milhões de reais serão destinados ao subsídio. Os 223 milhões de reais restantes servirão para melhorar o sistema.”
  10. Para se ter uma idéia, considerando que há
  11. Ver, por exemplo: site da Prefeituramatéria no Jornal da Tardematéria da revista Veja entre outras. É necessário adicionar que há uma diferença entre “frota patrimonial”, que indica o número de ônibus que as empresas possuem, e a “frota operacional”, que indica o número de ônibus que realmente circulam pelas linhas da cidade; infelizmente não há em nenhuma referência uma indicação correta destes valores e não seria exagero arriscar que os 15.000 se referem à frota patrimonial e não à operacional. Além disso, há muitos veículos diferentes em circulação, desde micro-ônibus até ônibus articulados e também ônibus movidos a combustíveis diferentes; neste estudo suporemos que todos os 15000 veículos da frota são ônibus comuns movidos a diesel.
  12. Na guia Preços dos insumos no transporte público municipal do site da Prefeitura menciona-se uma valor de R$1.450,00 por mês, mas não é indicado a que ele se refere (ou seja, não fica claro se é o salário do motorista, do cobrador, uma média e assim por diante).
  13. Alguns resultados de cálculos apresentados ao longo deste documento podem parecer incorretos se realizados a partir dos números apresentados, isso ocorre pois os números foram arredondados nesta apresentação, mas foram utilzados sem arredondamento na planilha geral de cálculos.
  14. Desse modo estamos supondo que todos os ônibus da cidade circulam durante 16h por dia (dois turnos de 8h), o que obviamente é um exagero (que segue de acordo com o objetivo de superestimar os gastos).
  15. Um valor muito semelhante pode ser obtido a partir de dados similares encontrados em outras reportagens
  16. Ressaltando que em empresas maiores este número deve ser um pouco menor, já que devemos supor que o número de cargos administrativos é praticamente independente do número de ônibus. Como a empresa referenciada para a obtenção do valor de 4,35 funcionários por ônibus é uma das maiores da cidade, explica-se o aumento deste número para 4,5 (o que nos dá margem segura dentro do objetivo de superestimar os gastos).
  17. Por exemplo, se supormos que dos 7500 funcionários 500 são dos altos escalões e ganham mensalmente R$20.000 e os outros 7000 são mecânicos que ganham aproximadamente R$2.000 (conforme indica a tabela do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo) ainda sobrariam R$16 milhões de reais para outros pagamentos, suficiente para contratar mais de 15 mil funcionários recebendo dois salários mínimos!
  18. Nota-se que o valor é 2,74 vezes inferior ao apresentado pela Prefeitura.
  19. Falta referência específica.
  20. Conforme explicado em nota anterior, assumiremos aqui que todos os ônibus da frota dos 15000 são pesados (mais de 200cv) e que utilizam como combustível o diesel; isto certamente seguirá de acordo com a proposta de superestimar os gastos, tendo em vista que esse tipo de ônibus são os mais ineficientes e cujo combustível está entre os mais caros.
  21. É notável que os autores indiquem, nas conclusões da página 1490, que “Um dos primeiros resultados da pesquisa foi, infelizmente, a constatação de que os principais parâmetros de coeficientes de consumo de combustível pelos ônibus urbanos no Brasil estão efetivamente desatualizados, muito embora o país tenha registrado um formidável avanço em termos de desenvolvimento tecnológico da indústria automobilística, de qualidade do óleo diesel e mesmo de atuação no sistema viário das cidades. A grande pesquisa de campo, que pautou os dados ainda em uso como referenciais, é de 1986″ (grifo meu).
  22. Não devemos perder de vista que é evidente que as grandes empresas, que comprar dezenas de milhares de litros por mês não pagam esse valor.
  23. Mais uma vez seguindo a estratégia de superstimar custos, a própria matéria da Veja de 2000 indica que as garagens são propriedade do empresário.
  24. Só para base de comparação este valor é mais alto do que o aluguel de um galpão no bairro do Butantã, onde devemos levar em conta que as garagens para os ônibus nem precisam ser cobertas (ou seja, podem ser ainda mais baratas do que galpões).
  25. Neste valor não se consideram gastos com pessoal responsável pela manutenção (faxineiras, mecânicos, etc), que já está considerado na seção anterior.
  26. Ainda que as referências encontradas sugiram que as empresas compram pouquíssimos novos ônibus a cada ano, inclusive que há anos em que não há novas compras, ver por exemplo, a já indicada matéria do Jornal da Tarde.
  27. É possível mostrar por meio de um cálculo longo e tedioso que se temos uma frota inicial de 15.000 ônibus todos com idade média de 5 anos, após 9 anos a idade média passa a ser mantida em cinco anos para todos os anos subsequentes desde que em todos os anos seja renovado um nono de todos os ônibus mais velhos da frota (o que equivale à compra de 138,8 ônibus novos por mês). O valor médio de 5 anos é utilizado a partir, mais uma vez, do site da Prefeitura, na guia Idade média da frota.
  28. Não é desprezível o fato que alguns empresários donos das empresas que prestam o serviço de transporte sejam também donos das empresas que fabricam os ônibus (tal como a Induscar cujo dono é José Ruas Vaz), o que nos sugere que não devem pagar um valor tão alto pelos ônibus que eles mesmos fabricam.
  29. Não deixa de ser irônico que segundo matéria da Folha de S. Paulo as empresas de ônibus da cidade concentram centenas de milhões de reais em dívidas com o INSS.
  30. A matéria não deixa claro exatamente a que se refere esse faturamento, assumiremos que implicitamente se refere aos lucros da empresa de serviço de transportes urbanos
  31. Vale lembrar que a frota de 15.000 não é toda de ônibus convencionais e mini-ônibus, por exemplo, devem ter faturamento mensal menor que os ônibus convencionais. Como calcula-se aqui uma média (e os números exatos dos tipos de ônibus nas frotas não está disponível), seguiremos as contas.
  32. Notar, por exemplo, os cálculos que conferem com os apresentados aqui, tal como a média de kms rodados por mês pelos ônibus.

Referências

Referências consultadas para este estudo (ainda não está organizado em nenhuma ordem particular).

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Retirado de http://quasi.rhwinter.com/OnibusSP

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