
Trecho de uma entrevista do escritor Raoul Vaneigem, ligado à Internacional Situacionista na década de 1960, concedida à revista e-flux.
(…) Hans Ulrich Obrist: Poderias falar sobre o princípio da gratuidade (estou extremamente interessado nisso; como curador de museu sempre acreditei que os museus devem ser livres – Arte para Todos, como Gilbert e George o colocam).
Raoul Vaneigem: Gratuidade é a única arma capaz de despedaçar a poderosa máquina de auto-destruição posta em movimento pela sociedade de consumo, cuja implosão está ainda a libertar, como um gás mortal, mentalidade de sovina, cobiça, ganho financeiro, lucro e predação. Museus e cultura devem ser livres, com certeza, mas também o deviam ser os serviços públicos, atualmente presos aos esquemas das multinacionais e estados. Trens, ônibus e metrôs gratuitos, saúde, escolas livres, água livre, ar, electricidade, energia livre, tudo através de redes alternativas a serem criadas. À medida que a gratuidade se espalha, novas redes de solidariedade erradicam o estrangulamento da mercadoria. Isto porque a vida é uma dádiva gratuita, uma criação contínua que a vil especulação do mercado nos priva. (…)
Leia a entrevista na íntegra aqui.