Em março de 2008, em Vitória (ES), um grupo de jovens foram abordados enquanto faziam propaganda do Passe Livre em pontos de ônibus com stencil, e passaram a noite presos na delegacia da Praia do Canto. Diferente de muitos casos do gênero, o processo andou, talvez pelo cunho político, e uma audiência foi convocada logo para o mesmo ano.
Os jovens faziam inscrições por meio de um molde vazado (stencil), nos vidros dos pontos de ônibus, do emblema do Movimento Passe Livre. Não provocando qualquer dano, até porque o local, como todos sabem – pelo menos os que usam ônibus -, é destinado justamente à afixação de cartazes.
Quem está acompanhando de perto esse processo absurdo, logo percebe as posições ideológicas conservadoras e preconceituosas da juíza e da promotora pelos comentários rasteiros e desrespeitosos por elas proferidos. Como ao saber que um dos jovens cursava administração, uma delas fez a afirmação de que isso era muito bom, porque ele deveria aprender que “esse negócio de socialismo é coisa do passado” e que ele deveria se “tornar empresário, para ver como é bom alguém vir pichar o seu muro”, ou dizendo ainda que isso era “coisa do Brasil”, que não acontecia na Europa, mostrando o grau de seu desconhecimento sobre as lutas sociais dos estudantes franceses, gregos, italianos, etc. E ainda têm a coragem de exigir dos jovens que ao invés de protestar eles deveriam usar os canais legais, junto às “autoridades constituídas”, as quais elas são o exemplo mais típico, tanto em mentalidade como nas suas práticas conservadoras, arbitrárias e desproporcionais, tidas como “em benefício da sociedade”.
O julgamento está marcado para o dia 8 de outubro deste ano, às 15h, na Vara de Infância e Juventude de Vitória. Os jovens acusados pedem a presença de todos e todas que puderem comparecer nesta data e local, o objetivo é pressionar a Juíza a arquivar ou a julgar de vez este processo.
É importante salientar a importância de participar deste ato, porque o julgamento não é apenas de um grupo de jovens que estava usando o seu direito de manifestação. É o julgamento de mais um movimento social que, nos tempos atuais, tornaram-se alvo cada vez mais frequente de perseguição e criminalização por parte do estado.
Retirado do Centro de Mídia Independente