Kassab em Nova York? A globalização do aumento das tarifas

newyork

Alguém viu o Prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab, por aí? Será que ele foi passar as férias em Nova York? Senão, vejamos…

Uma notícia me chamou atenção hoje. Parece que, finalmente, estamos antenados com o Primeiro Mundo. Vamos conferir juntos:

Metrô de NY fecha linhas e aumenta tarifa para combater crise

De Agencia EFE

Nova York (EUA), 26 dez

O emblemático transporte público de Nova York está passando por dias difíceis por causa da crise econômica e da degradação da infraestrutura dos trens e ônibus. Por isso, a Autoridade Metropolitana do Transporte (MTA, sigla em inglês) vai aumentar as tarifas e reduzir o número de linhas em 2010. Além do aumento no preço das passagens, o serviço de transporte de NY também vai eliminar duas linhas de metrô e uma de ônibus. A rede urbana de transporte da cidade, a maior dos EUA, faz ao redor de 8,5 milhões de viagens por dia.

A reportagem, infelizmente, termina assim – sem maiores aprofundamentos.

Nunca tive a oportunidade de estar em Nova York. No entanto, algumas pessoas relatam que a rede de transportes coletivos dessa cidade é excelente – e bem extensa. O sistema operacional é, em grande parte, controlado pelas instituições estatais – cenário bem diferente do que ocorre aqui no Brasil, onde os empresários do transporte dão as cartas de como funciona o nosso deslocamento diário.

Mas, é claro, percebemos por meio dessa notícia que a população novayorkina não deve atualmente participar de forma efetiva da tomada de decisões relacionadas ao sistema de transportes – já que a medida anunciada (o aumento!) foi decidida pela Autoridade Metropolitana do Transporte de Nova York, com seus técnicos e órgãos burocráticos à portas fechadas.

Enfim, um absurdo.

E tudo isso junto – com o adicional da eliminação de duas linhas de metrô e uma de ônibus – para resolver a  “degradação da infraestrutura dos trens e ônibus” e para superar os prejuízos causados pela “crise econômica”.

Uma pergunta fica no ar: mas, e as pessoas que utilizam os ônibus e metrôs de Nova York? Elas merecem pagar mais caro? Afinal, onde fica o direito delas à Mobilidade Urbana?

Na verdade, deveríamos procurar quais são os reais motivos da crise anunciada – ou, para ser mais exato, deveríamos tomar uma decisão clara sobre qual é a perspectiva que queremos para enfrentar os desafios envolvidos na construção de uma cidade mais justa para todos.

Fica aqui a dica para ler sobre a questão – que passa sim pelo financiamento do sistema de transporte coletivo, mas não se encerra nesse ponto: dois textos sobre o assunto, “Transporte Coletivo Urbano: Crise de Financiamento vs. Crise de Mobilidade” e “Passagens Mais Baratas? Alíquota Zero?”.

No fim das contas, o que a reportagem alega como o motivo para o aumento anunciado e para as medidas tomadas pela Autoridade Metropolitana – ou seja, a crise econômica (sempre ela!) – apenas mascara uma forma retrógada de encarar as necessidades da população. Afinal, esse modelo atual de transportes (com o pagamento direto das tarifas para o seu sustento financeiro) é uma armadilha – e quer sempre mais dinheiro.

Com todas as suas diferenças, podemos dizer que o aumento das tarifas que ocorrerão na cidade de São Paulo no dia 04 de janeiro do ano que vem não nos deixa esquecer desse ponto.

De onde vem a crise? No Brasil, a gente sabe bem – e vêm questionando e se movimentando para que esse estado de coisas mude.

A crise ocorre porque o deslocamento de pessoas nas cidades – um direito, que dá acesso a outros direitos fundamentais (saúde, educação, educação, lazer, visitar amigos e família) – tem sido tratado como mercadoria desde a origem do sistema transporte coletivo urbano.

Aí, então, temos a real crise – que é de simples entendimento e constatação: cada vez menos pessoas têm acesso ao transporte coletivo urbano e, por isso, vêm reduzido o espaço urbano no qual podem mover-se todos os dias e, a partir disso, serem livres.

Não sei como é exatamente em Nova York. Nem quais movimentos poderiam resistir contra essas medidas [1]. No entanto, uma questão é bem evidente: até quando teremos que pagar para se movimentar na cidade em vivemos? Essa, caras e caros amigos, é a verdadeira crise.

***

[1] Um movimento novo, na verdade uma coalizão de grupos e associações de moradores, tem se organizado pelos Estados Unidos – com seu núcleo maior de articulação localizado, notadamente, em Nova York: é o “Right of the City” (“Direito à Cidade”), tendo como um de seus animadores o geógrafo e ativista urbano David Harvey. Para mais informações, clique no azulzinho do nome – que é  o destaque para o link do site. Espero que o David Harvey possa ter a oportunidade de vir mais vezes ao Brasil, como em Janeiro desse ano de 2009, no Fórum Social Mundial de Belém e nos contar mais um pouco sobre essa experiência. E que o Gilberto Kassab, com suas viagens e sua “globalização do aumento”, apenas consiga ampliar nossa raiva e resistência para construir uma outra cidade. Assim lutamos…

[Imagem retirada do site http://cityguideny.com/]

[SP] Especial transporte público do jornal Brasil de Fato

transito

Como o fim de ano é uma época propícia para momentos de maior relaxamento e reflexão, apresento aqui mais algumas sugestões de leitura. Para ilustrar nosso artigo, uma imagem antiga – para lembrar que essa história de privilégio do automóvel não começou agora…

Quando vocês estiverem assistindo nos telejornais ao incrível trânsito da fuga de carros das capitais do país para passar as festas no interior ou nas praias, tentem pensar um pouco nos motivos para tanto desespero de ir para longe do dia-a-dia de engarrafamentos. Trânsito imenso de feriado prolongado, para fugir dessa realidade de trânsito de todos os dias em nossas cidades…

Bom, sem mais delongas, vamos às sugestões de leitura. Pode parecer preguiça de minha parte, o fato de eu não escrever nada novo por aqui. Aí fico remetendo vocês para links pela web. Mas não. Não é nada disso. É que os textos em questão são muito bons – e merecem ser lidos.

Vocês podem conferir nos endereços em destaque que seguem abaixo a excelente série de 5 reportagens realizada pelo Jornal Brasil de Fato sobre a questão dos transportes coletivos na cidade e região metropolitana de São Paulo. Além da entrevista realizada com Lucio Gregori, a jornalista Michelle Amaral também ouviu as opiniões do Sindicato dos Metroviários e dos militantes do Movimento Passe Livre.

Boa leitura para nós!

***

[Entrevista Lucio Gregori] “Business e não serviço público”

Cobrança de tarifa impede mobilidade urbana no país

CAOS. O transporte público em São Paulo

Expansão do metrô e da CPTM é tardia

A obsessão por túneis, viadutos, grandes avenidas…

[SP] O aumento é oficial! Quem tá junto?

Olá pessoal,

Ia tentar escrever sobre algo legal – como nosso excelente debate da Rede de Luta Contra o Aumento, que rolou nesse último sábado (dia 19) e contou com a presença de Lucio Gregori –, mas o impacto da notícia sobre o aumento das tarifas do ônibus, trens e metros é muito grande para ser deixada em segundo plano.

Então, meu comentário de hoje é, na verdade, uma sugestão: tire um tempo e faça a leitura – com atenção e tal – dos textos a seguir. É só clicar nas reportagens selecionadas. Esse pode ser um passo importante para começar, ou continuar, a nossa resistência contra o aumento das passagens nos transportes coletivos.

Fica a idéia. E, principalmente, a vontade de lutarmos juntos.

Para que nesse processo de diálogo e experiências possamos construir coletivamente um espaço urbano que permita compartilhar reflexões e práticas sobre a cidade em que vivemos – e caminhar livremente em outra direção para nossas vidas.

E isso tudo, claro, pode começar nessa luta contra o aumento das tarifas. Como dissemos aqui, noutra oportunidade: “o aumento das passagens nos ônibus em São Paulo nos permite pensar sobre várias questões. Sobre a sociedade e a cidade em que vivemos. E sobre a liberdade. Passe Livre (Tarifa Zero) é isso. Liberdade real – de poder se movimentar, para que a cidade possa existir de fato para todos”.

Quem sabe assim poderemos juntos, como o geógrafo David Harvey nos estimula, semear as possibilidades de outros mundos urbanos possíveis. Então, é isso. Boa leitura.

***

Kassab confirma aumento da tarifa de ônibus para R$ 2,70 a partir de 4 de janeiro

Além do ônibus, tarifas do Metrô e da CPTM também sobem em 2010

[SP] Tarifas de ônibus aumentarão em 2010. Pra quê?

Aumento da passagem de ônibus leva manifestantes às ruas de São Paulo

Grupo fica acorrentado para protestar contra aumento da tarifa de ônibus em SP

Dia de luta pelo Passe Livre em São Paulo!

Militantes do MPL protestam contra aumento nas tarifas e pela tarifa zero dentro da Secretaria de Transportes

Entre catracas e correntes

MPL acorrentado na Secretaria de Transportes de São Paulo

Trabalhador vai bancar renovação da frota privada?

onibus-1

Notícia do site do Estadão: “Depois de quase nove meses de espera, a Caixa Econômica Federal começa a operar a linha de financiamento, com recurso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), para renovação da frota de ônibus do País. O Conselho Curador do FGTS já havia aprovado a liberação de R$ 1 bilhão para atender as empresas do setor, porém a linha ainda não estava liberada na Caixa.”

Dinheiro do povo para bancar a renovação da frota de empresas privadas? Como assim? Esse dinheiro será devolvido? Esses ônibus serão rodados com tarifa zero para os trabalhadores e as trabalhadoras que pagarão a conta? Ônibus novos são essenciais. O direito de livre circulação também inclui o conforto e a qualidade do sistema. Mas há uma sutil diferença entre oferecer um sistema de qualidade para a coletividade e criar um esquema para salvar o balancete anual de empresas que utilizam este direito e o espaço público para fazer dinheiro. No fim, políticos locais ganharão destaque por terem negociado esse financiamento. É mole?

[SP] Agenda de atividades e mobilizações da Rede de Luta Contra o Aumento

Olá pessoal,

Hoje, na real, gostaria de divulgar e convidar vocês para as ações e iniciativas que a Rede de Luta Contra o Aumento da Tarifa vem realizando por essa cidade. Sem mais delongas, vamos a elas:

Panfletagens:

Nessa semana, além das panfletagens já realizadas no Terminal Campo Limpo – uma delas rolou hoje! –, irão acontecer outras duas no Largo da Batata, nessa quinta e sexta-feira. Estão confirmadíssimas! Começarão às 7 da manhã – para já amanhecermos em luta! É só chegar lá, que estaremos conversando com as pessoas e distribuindo panfletos.

Então é isso: Largo da Batata, às 7 da manhã – nessa quinta e sexta feira!

Estamos, ainda, tentando organizar também a divulgação nos pontos finais do Centro. E, também, acontecerão outras panfletagens no Terminal Campo Limpo essa semana ainda – provavelmente na quinta e sexta-feira pela manhã, bem cedo. E, vou lhes contar, preciso escrever logo para contar o que a população que utiliza os ônibus todos os dias está sofrendo com as mudanças que a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Transportes implementaram, atrapalhando a vida de quem precisa circular pela cidade

Assim que eu conseguir saber de maiores informações, apresento para vocês aqui.

Mas, vamo lá! Panfletar é mais – bem mais, viu – do que distribuir papel. É conversar com as pessoas – e ver que o transporte e a cidade precisam ser nossos!

Vamos para nossa outra atividade agora – a última desse ano, mas ano que vem (logo no comecinho já) tem mais.

Debate Público sobre o Aumento e o Transporte Público de São Paulo:

Na última Reunião da Rede de Luta Contra o Aumento da Tarifa surgiu uma idéia interessante e ousada: como forma de dar continuidade às nossas discussões e mobilizações, decidimos realizar um debate sobre o aumento das tarifas e as questões relativas ao transporte coletivo na cidade de São Paulo.

Nossa motivação é para que não seja exatamente um debate tradicional – mas sim que tenha vídeos, dinâmicas e conte com a participação ativa de todas e todos, estreitando assim os nossos laços de solidariedade e chamando mais gente para nossa luta por dignidade.

Então, todas e todos estão por demais que convidados: será nesse sábado, dia 19. Começa às 15 horas. Será no SINSPREV (Rua Antônio de Godoy, n 88 – 2 andar. Só para constar, fica bem próximo dos Metrôs São Bento e República).

E contará com a presença – dentre outras pessoas que estamos chamando para essa conversa – de Lucio Gregori.

Sim, caras e caros amigos: o idealizador da Municipalização dos Transportes Coletivos e do Projeto Tarifa Zero – isso tudo como Secretário Municipal de Transportes da Gestão Luiza Erundina (1989-1992) – também estará presente nesse dia.

Será uma boa troca de idéias – assim torcemos.

Resumindo: Debate e Troca de Idéias, nesse sábado, às 15 horas – lá nos SINSPREV. Bom demais!

Bem, vou ficando por aqui.

Aquele abraço – e apareçam ou compareçam nas atividades!

Vale-transporte poderá ser totalmente custeado pelo empregador

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira (9) o projeto (PLS 228/09) que determina o custeio integral do vale-transporte pelos empregadores. Pela legislação em vigor, o trabalhador contribui com até 6% de seu salário básico para custear o benefício.

O projeto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), aprovado em decisão terminativa, determina que os patrões arquem com toda a despesa, mas possam deduzir os gastos como despesa operacional na determinação do lucro real da empresa ou no cálculo de Imposto de Renda devido.

Em seu parecer favorável, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) argumenta que o vale-transporte sem desconto no salário do empregado poderá funcionar como incentivo para utilização do transporte coletivo.

Retirado de Agência Senado