[Joinville] A construção de uma ideia

por Bruno Isidoro Pereira*

Percebi que a organização do MPL ia além de participar de atos em ocasião de aumento. Que ali, na verdade, estava sendo discutida uma proposta de transporte público para todos

Eram aproximadamente 19h do dia 9 de março de 2010. Joinville completava 159 anos de fundação e, como de costume, acontecia o desfile do aniversário da cidade. Na Avenida José Vieira uma fila enorme com várias entidades que participariam do evento. Entre elas, um grupo de estudantes e trabalhadores com panos tapando a boca e flores que seriam distribuídas ao público. Eles criticavam a postura “não democrática” do atual prefeito, por não terem o direito de se manifestar em frente ao palanque das autoridades. Do momento em que entraram no desfile até o final da avenida, seriam aproximadamente 850 metros de protesto. Enquanto caminhavam pela pista, aplausos ecoavam pelas ruas da região. Pouco se ouviu da leitura da carta que estava sendo declarada por um militante através do megafone e repetida pelos manifestantes. As palmas e gritos de parabenização abafavam a voz do “garoto” e o eco que o seguia. O prefeito, assim como outras autoridades, aplaudia também – ao menos tentava mostrar ao público, apesar das constantes ações de desrespeito, um apoio aos movimentos sociais. Um desses grupos, que há tempo fora vaiado e tratado como organizador de ideias ilegais, estava a poucos dias de completar seu quinto ano de existência em Joinville. Movimento jovem, mas que carregava – e ainda carrega – uma grande carga de lutas e debates, e que saiu do desprezo ao respeito. Continue reading “[Joinville] A construção de uma ideia”

[Floripa] Sobre o ato de ontem, 27, contra o aumento nas tarifas de ônibus

[22h40] Segundo a RBS, os 4 detidos foram liberados.  Dois tiveram que assinar os termos circunstanciados e dois não precisaram. Os menores não obtivemos notícias.

[ 22h] São 4 maiores de idade detidos dentro da central e 5 menores dentro do ônibus da PM, esperando para identificação. Já existem 2 advogados na Central de Polícia para resolver a situação e liberar todos.

[21h50] O clima ainda está muito tenso. A manifestação dispersou, mas várias pessoas presas. Ninguém sabe ao certo o número. Parte do pessoal está na 6ª DP e outra parte está na Central de Polícia averiguando quem e quantas pessoas estão detidas lá.

É importante toda pressão para a liberação desse pessoal ainda hoje! Todo mundo atento!

[21h20] O ato está concentrado novamente no TICEN com cerca de 400 pessoas. Existe a certeza de que 2 manifestantes foram presos, entretanto, existem relatos que há um ônibus com vários menores de idade que estão sendo encaminhados para a 6ª Delegacia de Polícia.

[21h07] Manifestação se em caminha de volta para o TICEN escoltada por centenas de policiais.

[20h50] Situação está tensa no centro da cidade. O centro continua sitiado com políciais em todas as esquinas e os manifestantes se concentram na Praça XV de novembro.

[20h10] O ato se dividiu em dois na esquina da Ilhéus com a Artista Bittencourt. Agora um grupo está indo para a Av. Mauro Ramos.  Segundo fontes da Av. Hercílio Luz, jovens estão sendo parados pela polícia à troco de nada, com os policiais aos gritos de “mão na cabeça”.

A PM, mais uma vez, demonstrando a sua arbitrariedade em grau máximo. O centro de Florianópolis está sendo sitiado. Uma cidade militarizada nos remete à um passado cruel não muito distante.

[20h] São cerca de 2.000 pessoas e o ato  acabou de passar pela praça Fernando Machado. A polícia, querendo abraçar toda a manifestação, reprimiu por uns minutos com armas de choque elétrico e prenderam alguns manifestantes perto da escadaria do teatro da Ubro.

[19h45] Manifestação segue pela praça dos bombeiros.

[19h28] Manifestantes dão Olé nos PMs. Ameaçam ir para um lado e vão para outro. A manifestação segue pela Vidal Ramos.

[19h22] Os manifestantes que estavam em frente à Catedral estão seguindo agora pela Tenete Silveira.

[18h53] Na catedral, cerca de 600 manifestantes fazem assembléia para decidir a rota de hoje. Enquanto isso, os manifestantes da UFSC já estão na Prainha em direção ao Centro.

[18h41] Mais um pessoal da UFSC acaba de sair em direção à Catedral, seguindo pela José Mendes manifestando.

[18h40] A tropa de choque acaba de chegar para a concetração. Como disse o Sargento Newton, a polícia segue “acompanhando, com democracia… não vai rolar desfeita. A democracia é o direito deles…”.

[18h23] Escadaria da catedral já está lotada. Mais de 200 pessoas — e policiais — estão aglomeradas no Centro se preparando para o ato de hoje.

[18h18] Rapaziada na escadaria da catedral batucando CONTRA O AUMENTO.

[18h07] Transmissão ao vivo com informes sobre o Ato de Hoje: Radio Tarrafa 104.7 FM LIVRE. Streaming em http://radiotarrafa.libertar.org – Divulguem!

[17h58] Aglomeração começa a crescer. Os policiais já começam a circundar os manifestantes.

[17h30] Começa a concentração em Frente à Catedral. Aproximadamente 100 pessoas já estão presentes.

Retirado de http://www.lataofloripa.libertar.org/

Que passe!

Vídeo feito pelo Movimento Passe Livre do Distrito Federal e Catraca Fireburn Productions, sobre a história do passe livre por lá.

O Grito de Floripa

Por Luiza Bodenmuller

Estudantes, sindicatos e entidades mobilizam-se contra o aumento da passagem de ônibus na capital catarinense

Há três semanas a cena se repete em Florianópolis: ritmistas, fantasias, pessoas gritando em coro. Ao contrário do que se pode pensar à primeira vista, não é um grupo de foliões, promovendo um carnaval fora de época. É, sim, uma demonstração da união popular na luta contra o aumento da passagem de ônibus na capital catarinense, que foi reajustada em 7,3% no último dia 9, alcançando o valor de R$ 2,95.

As mobilizações, capitaneados pela Frente de Luta do Transporte Público, têm se realizado em frente ao terminal central, local que concentra o maior fluxo de usuários do sistema de transporte público. Ações descentralizadas, ligadas a organizações estudantis, também acontecem junto às Universidades e Escolas. Cada um, à sua maneira, se faz presente, exigindo a revogação do aumento da tarifa, a melhoria na qualidade do serviço prestado e propondo novas formas de redistribuição da arrecadação tributária para subsidiar o custo da tarifa.

Um dos integrantes do movimento, o estudante João Gabriel Almeida, relata que as manifestações deste ano acontecem num contexto bem diferente daquelas ocorridas há cinco anos, nas chamadas Revoltas da Catraca. Segundo ele, houve uma renovação entre os manifestantes, fato perceptível nos atos ocorridos nas últimas semanas, onde se constatou a presença de muitos estudantes do Ensino Fundamental e Médio.

O protesto, em Florianópolis, deixou de ser exclusividade dos universitários. Hoje o movimento conta com o apoio da população e de 42 entidades, entre associações comunitárias e organismos sindicais. Essa união com outros setores organizados da sociedade tem se mostrado como o grande diferencial das ações desse ano em relação aos anos anteriores. Por conta dessa aliança, o movimento está mais organizado, ganhou credibilidade perante a sociedade e ainda conseguiu um subsídio para a produção de materiais de divulgação.

A prova disso é que a discussão tem sido debatida por diferentes esferas sociais e conquistou um espaço na mídia que antes não existiu. Grande parte desse sucesso se deve ao uso das redes sociais para divulgar o movimento. Há toda uma mobilização via Twitter, onde a Frente de Luta alimenta seu perfil (twitter.com/lataofloripa) e os seguidores se encarregam de divulgar calendários, vídeos, fotos e entrevistas, à sua rede de contatos.

Todo esse trabalho de base visa a descriminalização do movimento, alertando as pessoas sobre a importância da causa e também sobre a repressão aplicada pela polícia. João Gabriel explica que a polícia, assim como os manifestantes, está mais organizada e tem direcionado suas ações muito mais pela inteligência do que pela força. Porém, o efetivo policial forma um cordão de isolamento, limitando a área de atuação, e facilitando o surgimento de conflitos entre os dois lados.

Além disso, prisões arbitrárias têm sido usadas como tática da polícia para intimidar os manifestantes. Até agora, oito pessoas foram detidas e liberadas após prestarem depoimento, dois estudantes tiveram que pagar fiança de R$ 400. Entre os detidos, sete eram estudantes e um, jornalista. A Associação Catarinense de Imprensa enviou nota lamentando o episódio envolvendo o jornalista Felipe Neves, repórter do Diário Catarinense, argumentando que “a liberdade de imprensa é coluna essencial na sustentação do estado democrático de direito”.

Nenhuma forma de repressão parece ter atingido a moral dos manifestantes. Na noite desta segunda-feira, eles abriram a semana de protestos com manifestações pacíficas e criativas. Misturando encenações com palavras de ordem, os estudantes tomaram as ruas e conseguiram driblar a contenção policial. A marcha partiu da Udesc, passou pela UFSC e terminou no Terminal de Integração da Trindade, onde os manifestantes bloquearam a entrada e saída dos ônibus.

Ainda para esta semana estão previstos dois grandes atos, além de uma bicicletada. A tendência é radicalizar o movimento, experimentando estratégias e métodos criativos, que motivem mais pessoas a se juntarem à luta. Com música, provocações e ironia, as manifestações tomam as ruas, fortalecendo a consciência crítica coletiva, buscando a melhor solução para todos, sejam usuários do transporte coletivo ou não.

Luiza Bodenmuller é estudante de jornalismo da Estácio de Sá de Santa Catarina.

Cronologia das manifestações

07/05 – A Prefeitura municipal anuncia o reajuste de 7,3% na tarifa dos ônibus
Primeira manifestação reúne cerca de 400 estudantes

09/05 – Entra em vigor a nova tarifa, que passa de R$ 2,80 para R$ 2,95

10/05 – Mobilização reúne cerca de 500 pessoas no Centro de Florianópolis

13/05 – Grande ato: estima-se que 5 mil pessoas foram às ruas, no Centro
Dez estudantes se acorrentam na sede do Sindicato da Empresas de Transporte Urbano de Florianópolis (Setuf), exigindo uma planilha de custos do transporte coletivo
Um estudante foi preso sob a acusação de ter agredido um policial militar

17/05 – Um grupo de manifestantes ocupou o gabinete do vice-prefeito João Batista Nunes

20/05 – Segundo grande ato contou com a participação de quase 4 mil pessoas
Quatro estudantes foram detidos

21/05 – Os estudantes, em menor número, marcham novamente pelo Centro
Dois manifestantes e um jornalista foram presos

24/05 – Duas manifestações acontecem, paralelamente, no Centro e no bairro da Trindade. Os dois grupos se encontraram e interromperam o trânsito na Avenida Beira-Mar Norte e ocuparam o Terminal de Integração da Trindade

Retirado de http://carosamigos.terra.com.br/

Luta de classes

Uma coisa pode-se dizer com certeza sobre a polícia de Floripa: lá rola democracia. Todos que participam de movimentos populares são tratados igualmente… como criminosos. Luta de classes é isso aí. Sem distinção de idade, inclusive.

Foto tirada pela jornalista Juliana Kroeger, da Doc Dois Comunicação, durante protesto contra o aumento nas tarifas de ônibus, ontem, 25 de maio.

[Floripa] Fotos do ato contra o aumento nas passagens

Aqui, por Neto Ghizzi

E aqui, por Jorge Minella.

Leia também o que escreveu o Jorge:

Mais um dia de mobilização em Florianópolis contra a abusiva tarifa de R$2,95 nos ônibus do transporte urbano.
Grande ato marcado para quinta-feira, 27 de maio, 17h, em frente ao Terminal Central (TICEN).

Os manifestantes se movimentaram pacificamente pelo centro da cidade, chamando o restante da população indignada para o grande ato de quinta-feira.  A polícia agiu de maneira truculenta, utilizando sem critério uma arma que dá choque, e quatro manifestantes foram detidos sem motivo, sendo que um era menor de idade. Os quatro foram liberados após prestarem depoimento e assinarem termo circunstanciado.

Enquanto isso, no Jornal do Almoço, telejornal do grupo RBS, afiliada da Rede Globo em Santa Catarina, foi lançado o quadro “esse terminal é uma passarela”, promovendo um concurso de “beleza” entre as usuárias do terminal central da cidade. Uma afronta à inteligência dos habitantes da cidade: enquanto sofrem com a tarifa altissíma e as linhas insuficientes, a principal menção ao terminal central no telejornal é feita dessa forma.

Florianópolis: atos descentralizados dão novo fôlego à resistência

por Passa Palavra

Na sequência do último grande ato, que reuniu milhares de pessoas nas ruas de Florianópolis na quinta-feira, 20 de maio, novas manifestações têm ocorrido de forma espontânea e descentralizada pela cidade.

No dia 21 de maio, sexta-feira, mesmo com a chuva que caiu no final da tarde, manifestantes se reuniram mais uma vez no centro para chamar a população para a luta. Quando a polícia já não acreditava mais na possibilidade de que um ato de rua pudesse ser organizado, o pequeno número de pessoas que se encontrava concentrado ali resolveu sair em protesto.

Depois de fechar a entrada dos ônibus no terminal por cerca de 15 minutos, até que o Grupo de Resposta Tática (GRT) da Polícia Militar aparecesse, sendo prontamente despistado com um grande “olééé!” dos manifestantes, o ato seguiu pela Felipe Schmidt, ganhando no terminal e nas ruas a participação da população. Com cerca de 250 pessoas, o que dava rapidez e mobilidade para o ato, e aproveitando a ausência da polícia, que não havia organizado seu efetivo para segurar a manifestação, o protesto seguiu passando pela Praça XV e fechando cruzamentos importantes na Rua Hercílio Luz e na Avenida Mauro Ramos.

Já na Mauro Ramos, o descontrole e despreparo da Polícia Militar transformaram a manifestação, que seguia tranquila e animada, em mais um triste capítulo de violência, brutalidade e arbitrariedade da força policial. O que vivemos foi mais uma perseguição covarde, agressões físicas e ameaças gratuitas da PM.

Choques elétricos, golpes de cassetetes, chutes e tentativas de atropelamento provocaram dor e medo nos manifestantes, que seguiam como podiam de volta para o Ticen (Terminal do Centro). As viaturas da polícia passavam a toda velocidade, tentando passar por cima das pessoas e desferindo gritos de xingamentos [insultos] e ameaças de prisão. De forma aleatória e arbitrária, dois manifestantes acabaram presos, sofrendo agressões antes e depois de estarem algemados.

Nem mesmo a grande mídia, que acompanhava o ato, escapou: um jornalista também foi arbitrariamente preso, um fotógrafo teve parte de sua câmera quebrada por um policial e um outro jornalista quase foi atropelado por uma das viaturas da polícia.

As arbitrariedades continuaram na Delegacia, deixando evidente a disposição do Comando da PM de tentar acabar com a luta através do medo e da criminalização. Somente depois de 7 horas de espera os dois manifestantes puderam prestar depoimento, e só foram liberados após o pagamento de fiança no valor de R$ 400,00 cada um, sofrendo acusações de desacato, além do absurdo de “depredação do patrimônio público”, acusação forjada com fotos de pichações e de lixeiras quebradas dias antes, como se fosse deles a responsabilidade por tais danos.

A estratégia dos poderosos que estava sendo traçada, de criminalização e de inviabilizar financeiramente o movimento com a cobrança de fianças, não contou com um importante elemento: a opinião pública da cidade. O erro cometido, de agredir e prender jornalistas da grande mídia, acabou jogando um grande peso nas costas da Polícia Militar, que se viu deslegitimada e pressionada a mudar sua postura. Foi o que se viu nos atos ocorridos nesta segunda-feira, 24 de maio.

No centro da cidade, um ato de denúncia da agressão policial foi organizado, com a apresentação de um teatro de rua para a população que se dirigia para o Ticen. Após a apresentação do teatro o grupo, que contava com cerca de 150 pessoas, saiu em caminhada pelo centro, recebendo a notícia de que naquele mesmo momento manifestantes fechavam a Avenida Madre Benvenuta, nas proximidades da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). A notícia deu novo ânimo aos militantes, que decidiram seguir para a Avenida Mauro Ramos, fechando as duas pistas por vários minutos e mais uma vez trancando a entrada dos ônibus na volta ao Ticen. Após o ato ser finalizado, boa parte dos manifestantes seguiu ao encontro da outra manifestação.

O ato na Avenida Madre Benvenuta, organizado de surpresa, seguiu em direção ao Shopping Iguatemi e ali ocupou a Avenida Beira Mar Norte, até o Terminal da Trindade (Titri). No Titri os manifestantes decidiram retornar na direção do shopping, seguindo pela Rua Lauro Linhares até a rótula (rotatória) no acesso principal à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Nesse momento o protesto começa a ganhar a adesão de vários estudantes da UFSC, mantendo a rótula fechada por um longo período de tempo, o que causou filas enormes de carros e ônibus.

Depois de trancar a rótula, a decisão foi de voltar para a Avenida Beira Mar Norte, tomando as duas pistas da avenida até o Titri, que foi ocupado pelos manifestantes já por volta das 23h. Um princípio de tumulto ocorreu quando algumas pessoas tentaram fechar uma das entradas do terminal; porém, foi rapidamente resolvido e depois de uma pequena assembléia os manifestantes retornaram para casa sem pagar as passagens, uma vez que já haviam ocupado o terminal.

Todo o ato foi acompanhado mais ou menos de longe por algumas viaturas da polícia e bem de perto por diversos repórteres da grande mídia.

Grandes atos estão marcados para ocorrer durante toda semana, mas certamente serão as manifestações-surpresa que deverão dar a tônica no processo.

Retirado de http://passapalavra.info/?p=24322

[Floripa] Relatos do atos contra o aumento nas tarifas realizado ontem, 24

Fotos aqui

[0h15] Após bloqueio do terminal, manifestantes começam a dispersar convocando para grande ATO amanhã, TERÇA, às 12h no TICEN.

[23h30] BLOQUEIO DA ENTRADA DO TITRI

Depois do bloqueio da rótula da UFSC, o ato se dirigiu pela avenida do Hospital Universitário em direção à Beiramar Norte e seguiu de volta ao Terminal da Trindade (TITRI). No momento presente os manifestantes estão bloqueando a entrada do TITRI.

[22h40] BLOQUEIO DA RÓTULA DA UFSC

Das 21h40 até 22h40, cerca de 150 manifestantes bloquearam por completo o movimento na rótula que liga a Lauro Linhares com a UFSC. Fechando assim as duas vias da rua Delfino Conti.

[21H3O] NA LAURO LINHARES, RUMO À UFSC.

O ato seguiu bloqueando a Beiramar Norte nos dois sentidos até o TITRI. Passaram pelo Terminal da Trindade e voltaram seguindo pela Beiramar até a Madre Benvenuta, em seguida viraram à direita e entraram na Lauro Linhares. Agora seguem em direção à UFSC, à todo vapor!

[21h] BLOQUEIO DA BEIRAMAR NORTE NOS DOIS SENTIDOS!

Manifestação está ocupando a Av. Beira-mar Norte nos dois sentidos, na altura do Terminal da Trindade (TITRI)!

São cerca de 300 pessoas no ato.

[20h20] Manifestação na avenida Madre Benvenuta, em frente a UDESC, CONTINUA e está INDO para a BEIRAMAR!

A manifestação começou por volta das 18h após uma reunião entre os estudantes da UDESC.  Após uma passagem em todos os centros cerca de 80 pessoas começaram a panfletar em frente a universidade e fecharam uma das vias da Avenida Madre Benvenuta. Aos poucos foi algomerando e chegou a ter entre 100 à 150. A manifestação agiu em doses homeopáticas. Fechava por 10 minutos e depois abria indo panfletar na calçada e convocar mais gente. Fizeram isso até umas 20h, quando conseguiram fechar a avenida por completo.

Agora às 20h20 TODOS estão se DESLOCANDO para a Avenida Beiramar, em frente ao Shopping Iguatemi!

[19h30] Manifestantes bloqueiam Avenida Madre Benvenuta em frente à UDESC

Estudantes da UDESC e populares estão fechando neste exato momento a Avenida Madre Benvenuta na altura da Universidade Estadual. É importante que todo mundo que estiver na região compareça ao ato! TODOS E TODAS CONTRA O AUMENTO! HOJE, AMANHÃ E SEMPRE!

[18h30] Frente realiza teatro contra agressão policial e uma rápida manifestação ocorreu em seguida (terminado)

Por volta das 18h desta segunda-feira, cerca de 20 ativistas da Frente de Luta pelo Transporte Público fantasiados, realizaram um teatro contra a repressão policial em manifestantes e imprensa na última sexta-feira, dia 21 de maio.

Durou cerca de 30 minutos a apresentação e nela mostrou-se a polícia militar agredindo corpos deitados no chão com um lenço branco escrito palavras como “democracia”, “seu filho”, “estudantes”, “manifestantes” e “trabalhadores”. Enquanto isso, o teatro mostrava também uma figura representando o Dário Berger que gritava: “Isso mesmo! Batam nesses vagabundos e burros!”, “Muito bem, reprimam a imprensa!”.

Em seguida, o teatro dispersou e uma caminhada rápida aconteceu pelo centro.

Retirado de http://www.fltcfloripa.libertar.org/?p=134#more-134

[Floripa] Nota pública da Frente de Luta pelo Transporte Público em repúdio à ação da Polícia Militar de Santa Catarina

Ao povo de Santa Catarina.

A Frente de Luta pelo Transporte Público vem por meio desta notarepudiar a ação da Policia Militar de Santa Catarina na noite de 21 de maio, que colocou em risco a vida dos cidadãos que manifestavam seu repúdio ao aumento da tarifa e os princípios constitucionais de respeito a integridade física e moral do indivíduo, de liberdade de imprensa e de livre manifestação. A ação da PM e seu efetivo especializado (PPT, BOPE) contou com a aplicação a revelia de choques elétricos nos cidadãos, e ainda com nítidasmanobras violentas e em alta velocidade com suas viaturascontra o corpo da manifestação.

Consideramos ainda a detenção arbitrária dos dois manifestantes acusados de danificar o patrimônio público por causa de pichações no centro da capital é uma afronta à inteligência do povo catarinense. Primeiro detiveram dois manifestantes e depois tiraram fotos aleatórias dos locais pichados, atribuindo arbitrariamente a responsabilidade aos detidos. Tal atitude não passa de umatentativa de usar a intimidação para calar a boca da Frente, já que nossos objetivos são justos e legítimos e vão contra os interesses de uma pequena, mas poderosa elite da nossa cidade de Florianópolis, que controla privadamente o transporte coletivo a mais de 40 anos, e assim com sua força econômica compra a classe política e faz da PM/SC um instrumento político (e violento) de seus interesses. A Frente de Luta pelo Transporte Públicotambém repudia a prisão do jornalista que trabalhava cobrindo a manifestação, demonstrando outra prática coerciva da polícia que é ameaçar, intimidar e nesse caso até prender, quem ousar filmar e registrar as barbaridades cometidas pelos policiais em “trabalho”.

As bravatas do comandante tenente-coronel Newton Ramlow(que outrora já se afirmou combatente contra os Movimentos Sociais da cidade) e de seus comandados, ao chamar os manifestantes de “vagabundos” e “filhos da puta” (sic),demonstra a incapacidade desses servidores públicos em cumprir com a função que lhe foi atribuída pela sociedade dentro do cumprimento das leis.

Chamamos a atenção que muitos desses xingamentos desferidos pelo coronel e por seus comandados contra mulheres e crianças ferem também a lei Maria da Penha e o Estatuto da Criança e do Adolescente e não condiz com critérios éticos estabelecidos por lei aos servidores públicos.

A Frente exige a abertura imediata de inquéritoprocesso administrativodisciplinar criminal contra os policiais e seus comandantes envolvidos na noite do dia 21 de maio de 2010, como uma forma de garantir o Estado Democrático de Direito.


Frente de Luta pelo Transporte Público.

Florianópolis. 24 de maio de 2010.

Retirado de http://www.fltcfloripa.libertar.org/?p=132#more-132

Florianópolis: tensão e possibilidades de vitória

por Passa Palavra

Reunindo mais uma vez milhares de pessoas, o ato dessa quinta-feira, dia 20 de maio, mostrou que a população de Florianópolis mantém-se ativa e disposta a resistir.

É difícil dizer quantas mil pessoas participaram da manifestação: 2, 3, 4 ou 5 mil? Mas o que é possível falar é que em certos momentos da manifestação a sensação de estar no meio de uma multidão, de olhar para trás e ver que a manifestação parecia não ter fim, dava a noção de que o ato realmente foi grandioso.

A saída em manifestação obedeceu a um ritmo muito acelerado, subindo pela Rua Jerônimo Coelho rumo à Avenida Osmar Cunha, com o intuito de chegar à Avenida Beira-Mar Norte. Mas, mesmo com toda nossa vontade e determinação, a orientação do Comando da Polícia Militar de Santa Catarina era de impedir a qualquer custo que o ato alcançasse aquele objetivo, mobilizando um imenso efetivo policial para dar conta da tarefa.

A partir de então, o que sucedeu foi uma série de impasses e tentativas dos manifestantes de furar o bloqueio da PM. Mesmo usando de muita força, não foi possível furar o bloqueio, o que gerou grandes momentos de espera até que se decidisse o que fazer e como prosseguir com a manifestação. O primeiro momento, mais tenso e breve, ocorreu no início da Av. Osmar Cunha, e após diversas tentativas, frustradas pela brutalidade e violência da polícia, só se resolveu com uma negociação que permitiu que o ato avançasse na avenida até o cruzamento com a Rio Branco.

A intenção da polícia era que o ato seguisse pela Rio Branco para a Avenida Mauro Ramos, trajeto que não contemplava as expectativas e objetivos dos manifestantes. Muitos e muitos minutos se passaram e o efetivo policial posicionado em frente aos manifestantes, incluindo a Cavalaria e o Grupo de Resistência Tática, demonstrava que não havia força suficiente da manifestação para seguir até à Avenida Beira-Mar.

Uma assembléia bastante tensa foi organizada e diversas propostas de como dar rumo ao ato foram apresentadas. A proposta vencedora foi de voltarmos ao Ticen (Terminal do Centro), entrando na Rio Branco e dali forçando a entrada por alguma rua do centro, descartando o trajeto proposto pela polícia de seguir até à Mauro Ramos.

A estratégia deu certo, mas exigiu dos manifestantes que avançassem metro por metro, empurrando o cordão formado pela PM. A tensão que tomou conta de todo ato, apesar da empolgação dos manifestantes, teve um de seus pontos altos nessa batalha para conquistar cada espaço possível de avançar.

Dois manifestantes foram presos durante o trajeto, sem que qualquer policial soubesse explicar o motivo das prisões. Felizmente, ambos foram liberados alguns minutos depois.

A marcha pelo centro prosseguiu e, após uma manobra efetuada pela parte de trás do ato, trocamos o trajeto pela Paulo Fontes para seguir pela Conselheiro Mafra, rua tradicional do centro e do comércio da cidade. Ali, sem tanto policiamento, manifestantes puderam “enfeitar” paredes com mensagens contra o preço da tarifa e o sistema de transporte da cidade, além de descontar um pouco da raiva da polícia em portas de ferro de grandes lojas. Na volta ao Ticen um novo tumulto provoca mais duas prisões.

Após alguns tensionamentos, uma nova assembléia é realizada e a proposta de fazer um Grande Ato nesta sexta-feira, dia 21 de maio, às 17h no Ticen, foi aprovada por unanimidade.

Depois de duas semanas intensas de atividades e grandes manifestações, o povo de Florianópolis demonstra disposição para manter a luta até a tarifa cair. Com a conquista do apoio popular, sabemos que agora o maior inimigo é o nosso próprio cansaço. Mas se o movimento mantiver suas forças nesta sexta-feira e durante a próxima semana, as possibilidades efetivas de uma vitória estarão colocadas mais uma vez nesta cidade.

Retirado de http://passapalavra.info/?p=24065