A greve parou Brasília! E abriu o período de mudanças

É senso comum que Raul Seixas, quando fez a música O dia em que a terra parou, propagandeava a Greve Geral anarcosindicalista. Neste sonho de sonhador Maluco Beleza ninguém saiu de casa, como se fosse combinado. O empregado, a dona de casa e o guarda não foram à rua pois patrão, padeiro e ladrão não estavam lá. Assim, a Greve Geral é o dia de ficar no lar.

Discordo bastante desta afirmação, pois nas Greves Gerais da história passada e recente ninguém ficou em casa. Na Rússia em 1905, Brasil em 1917, Uruguai 1923, Espanha em 1936, França 1968, Argentina 2000 e mais recentemente na Grécia 2010 os dias de Greve Geral foram com muita gente na rua tomando, destruindo ou refazendo poderes, corpos e sonhos. E o Raulzito era da geração de 1968, que realísticamente exigiu o impossível… ele sabia do que falava.

Não sendo disso que ele falava na música, sobram duas alternativas sobre os dias de terra parada: copa do mundo e greves rodoviárias.

Como pudemos observar bem nos últimos jogos do Brasil na copa a terra caminhou, uma vez que “a torcedora saiu para torcer pois sabia que o outro torcedor também estava lá”.

Na última segunda-feira, por outro lado, tivemos um dia de Greve Rodoviária Total e o Distrito Federal parou. Porque se mais de um milhão de pessoas não puderam utilizar o transporte coletivo, muita coisa deixou de acontecer. Com este serviço essencial parado muitas coisas da cidade simplesmente não puderam ocorrer.

E os resultados vimos nas ruas, com engarrafamentos, acidentes, transportes alternativos voltando à cena e, claro, mais protestos fechando as ruas da rodoviária. Os protestos novamente foram espontâneos, de usuários/as de transporte que, indignados/as com não ter o serviço e com a ação policial de impedir a circulação dos alternativos sairam às ruas para protestar.

Foi nesse balaio que o autocratico Governo de Rogério porco Rosso teve que sambar: começou o dia cogitando estudar a planilha com a proposta de aumento de tarifas para resolver a crise dos transportes; reuniu-se com seus escalões no começo da tarde para definir que não haveria aumento de tarifas – possivelmente temendo uma revolta popular; sugeriu então uma reunião para terça buscando novo dialogo com as partes pra encontrar uma solução.

Mas a solução, sejamos francas/os, não pode nem será jamais algo de curto prazo. Pois o sistema de transporte coletivo no DF está em crise, já que nenhum de seus setores funciona e, mais, todos estão em iminênte conflito. O aumento de tarifas (antigo antídoto às crises do setor) não pode mais ser efetuado sem riscos uma vez que usuários e usuárias, grandes prejudicados com essa medida, agora tem interlocução própria pra além de entidades, movimentos e grupos organizados – como as manifestações recentes demonstraram. Empresários continuam sem querer largar o (R)osso de modo algum e Trabalhadores Rodoviários/as seguem em mobilização quase permanente.

A solução desta crise tem que ser estrutural. É hora de mudar a gestão do transporte, a estrutura do transporte coletivo. Seguindo a nossa velha fórmula socialista, na crise podemos apresentar um projeto que transforme definitvamente as coisas. Ou seja, é hora de fazermos o transporte ser público.

Para tanto não poderemos ficar em casa sabendo de quem não está lá, mas buscar nas insurrecionais ruas tomadas as nossas inspirações.

Topam?


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