Protesto contra aumento do ônibus termina em confronto em SP

Afonso Benites, de São Paulo

O protesto contra o aumento da tarifa do transporte municipal em São Paulo terminou novamente em confronto com a polícia na noite desta quinta-feira.

Após fecharem por dez minutos o terminal de ônibus da praça da Bandeira, na região central de São Paulo, os manifestantes bloquearam a avenida Nove de Julho, no sentido bairro, por mais de 20 minutos.

Alguns participantes se dirigiram, então, à estação Anhangabaú da linha 3-vermelha do metrô, e tentaram pular as catracas. Os seguranças do Metrô reagiram com cassetetes para retirar os manifestantes da estação, e teve início uma confusão.

Alguns manifestantes usaram armas de paintball, mas a Polícia Militar foi acionada e usou bombas de efeito moral.

Diversas lâmpadas da estação, assim como catracas, ficaram destruídas na correria. Manifestantes, repórteres e fotógrafos que acompanhavam o protesto foram atingidos.

Uma fila de ônibus chegou a se formar no terminal Bandeira, e o trânsito na avenida Nove de Julho também ficou prejudicado.

FAIXAS

Cerca de 250 pessoas se reuniram para o protesto, que começou no fim da tarde em frente ao Theatro Municipal, passou pela sede da prefeitura e seguiu por ruas do centro.

Animados pela bateria do Bloco da Lona Preta, participaram estudantes, sindicalistas, trabalhadores e militantes de partidos políticos.

Integrantes do MPL (Movimento Passe Livre) exibiram cartazes contra o prefeito Gilberto Kassab, ironizando sua estratégia de fundar um novo partido para sair do DEM sem correr risco de perder o mandato.

Na semana passada, um boneco com a foto do prefeito foi queimado próximo à sua casa. Hoje, uma faixa foi queimada em frente à prefeitura.

Um das faixas carregadas pelos manifestantes dizia: “MPL pode mais que PDB” — a sigla remete ao Partido da Democracia Brasileira, partido arquitetado por Kassab. Outra faixa exibia: “PDB = Partido Do Busão”.

A intenção dos manifestantes era de que Kassab saísse de seu gabinete na prefeitura para conversar com os manifestantes, o que não ocorreu.

A Polícia Militar acompanhou toda a manifestação, mas a maior parte dos policiais ficou na prefeitura. Outro protesto ocorrido no local, em 17 de fevereiro, terminou em confronto entre PMs e manifestantes, e cada lado acusou o outro de acirrar os ânimos. A PM se defendeu usando imagens de TV.

O Comitê de Luta Contra o Aumento e o MPL já organizaram mais de dez protestos contra o aumento da tarifa do ônibus, que subiu em janeiro de R$ 2,70 para R$ 3 por decreto de Kassab.

Retirado de http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/890364-protesto-contra-aumento-do-onibus-termina-em-confronto-em-sp.shtml


Foto: Danilo Verpa/Folhapress

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