Tarifa Zero: governo finge que quer, nós exigimos de verdade

O atual Governo do Distrito Federal (Agnelo Queiroz) só foi possível graças aos movimentos sociais. Há 2 anos atrás, quando a insatisfação com transporte, educação, moradia, saúde e emprego já era grande, as soluções em cena davam-se ou pela continuidade do modelo do então governador José Roberto Arruda ou pelo retorno do populista mór do DF, Joaquim Roriz.

Aí veio a caixa de pandora, que todo mundo conhece. E os movimentos sociais fizeram aquela denúncia resultar em queda do ex-governador e do seu vice. E veio a ficha limpa, iniciativa popular que colocou em cheque a possibilidade eleitoral do coronel Roriz.

Mas para além desse papo institucional o que o atual Governo do DF fez na eleição foi capitalizar, com o slogan de “Time da Mudança”, a promessa de melhora nos setores sociais com mais grave crise. Passados 5 meses do governo, nada melhorou. Escolas sucateadas, hospitais que não funcionam, 12% de desemprego , especulação imobiliária detonando a cidade e transporte ainda aos bagaços.

A insatisfação continua, mas sem – ainda – uma oposição consolidada, baseada na organização popular frente à burocracia, autoritarismo e subserviencia estatal aos empresários.

Para que ela surja, basta o governo piorar ainda mais um desses setores. E é isso que o secretário de transportes quer fazer quando cogita publicamente aumentar as tarifas  [1], e ainda dá uma de espertalhão dizendo que quer regulamentar os aumentos de passagens para que eles não sejam abusivos. Ora, todo e qualquer aumento é abusivo. Toda tarifa de ônibus é cara, por princípio.

Loucura minha? Conversa fiada, bravata? Curioso, pois não foi assim que o então candidato Agnelo pensou quando encomendou de um grupo de estudiosos uma proposta de Tarifa Zero nos transportes coletivos. A Tarifa Zero foi apresentada ao Distrito Federal pelo Movimento Passe Livre desde aproximadamente quatro anos atrás. A proposta do GDF, a despeito de uma ou outra discordância, é plenamente executável e está disponível aqui no site de campanha do Evandro Machado [2], um dos autores desta proposta.

O governo tem essa alternativa em mãos – com um detalhamento que o MPL nunca realizou – desde o fim do ano passado. Mas não saiu em público dizendo que cogita a tarifa zero. Ao contrário, essa proposta circula só em um grupo pequeno de militantes, talvez até como instrumento de gerar esperanças falsas e obnubilar a chance de uma oposição social.

Mas, se aumentar a tarifa logo no começo do governo, na primeira oportunidade, este governo – que usou como mote de campanha não ter recebido um centavo de apoio dos empresários do transporte – acena claramente quem manda no DF; com quem ele fecha na hora que a coisa aperta. E cede a pressões dos empresários mais desgastados da cidade (Wagner Canhedo, Walmir Amaral, Nenê constantino) que estão vergonhosamente fazendo da luta dos rodoviários mote pra lucrarem mais. Com concordância do próprio sindicato, que já analisei aqui na “Real Politik da catraca livre”.

Pra nós, que sempre lutamos abaixo e à esquerda e nunca nos comprometemos com essa canalha eleitoral, a conjuntura só serve pra reafirmar o básico: jamais foi sectário lutar por demandas do povo; nossos guias não são os compromissos institucionais de governabilidade. Não estamos nessa pra criar chance pra uma ou outra sigla eleitoral, mas pra construir o poer popular.

As pessoas já saíram às ruas espontaneamente por conta das paralisações rodoviárias [3]. Não lutavam contra a categoria, mas por dignidade no transporte. Os inimigos estão claros, a nossa proposta é reconhecidamente viável. E a tendência é que essa luta social só aumente.

Da nossa parte, seguiremos lutando pela tarifa zero e contra estes empresários da mobilidade urbana que temos no DF. Da parte do GDF, fica a questão: o time da mudança quer mudar nossa cidade pra pior?

Luamos porque[1] http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/05/05/interna_cidadesdf,250895/gdf-admite-reajustar-as-tarifas-de-onibus.shtml

[2] http://www.blogdoevandromachado.com.br/proposta_transportes.php

[3] http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/06/02/interna_cidadesdf,255156/manifestantes-ateiam-fogo-em-pneus-na-rodoviaria-e-fecham-o-eixao.shtml

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