Cidades querem mudar projetos. E aumentar o preço

por Karla Mendes e Edna Simão

Obras de mobilidade são alvos dos que defendem alteração nos planos, mas governo federal é contrário à ideia

A menos de três anos para a Copa, projetos de mobilidade que já estavam definidos para algumas cidades-sede correm o risco de serem substituídos por outros, que custam bem mais caro e que não ficariam prontos para o Mundial de 2014. O caso mais notável é o de Salvador, onde o projeto de corredores rápidos de ônibus (Bus Rapid Transit, conhecidos como BRT), que já tem financiamento de R$ 541 milhões aprovado pela Caixa há quase um ano, pode ser substituído pelo metrô, que custaria R$ 3 bilhões.

A discrepância do orçamento da obra é inversamente proporcional à abrangência dos dois meios de transporte: enquanto o BRT atenderia 78 quilômetros, o metrô se limitará a 22 quilômetros. A mudança tem o aval do governador da Bahia, Jacques Wagner (PT-BA), mas a alteração ainda depende da aprovação da prefeitura de Salvador e da presidente Dilma Rousseff, que já expressou publicamente não querer alteração nos projetos para a Copa, tendo em vista o custo mais alto e o prazo exíguo para a conclusão das obras.

Fontes disseram ao Estado que há uma jogada para mudar o meio de transporte para Salvador. A ideia é pressionar o governo federal a incluir na lista de prioridades da Copa – a chamada matriz de responsabilidade – o metrô de Salvador, que deverá ser contemplado com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade, em substituição do uso do BRT. Com o metrô, o BRT cairia por terra por ter trechos coincidentes com o do Metrô. As obras da matriz de responsabilidade têm condições especiais de financiamento.

Curiosamente, no PAC da Copa, a proposta do metrô de Salvador já havia sido derrotada. Na ocasião, o projeto foi apresentado pela Invepar, com orçamento de R$ 3 bilhões, o mesmo que voltou agora para o PAC da Mobilidade. O consórcio formado por Andrade Gutierrez e Camargo Correa haviam proposto para a Copa a implantação de metrô e BRT em Salvador (R$ 2,5 bilhões), a Queiroz Galvão defendeu o monotrilho (R$ 2,8 bilhões), mas foram derrotados pelo consórcio formado pela Odebrecht e pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Salvador (Setps).

A divulgação da seleção de propostas para o PAC da Mobilidade ocorreria hoje, mas foi adiada por 30 dias, antecipou ao Estado Luíza Gomide, diretora do Departamento de Mobilidade Urbana da Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades. O adiamento, segundo Luíza, se deve ao grande volume de projetos enviados para análise. A previsão é que seja publicada uma portaria no Diário Oficial da União de hoje alterando o cronograma. Não há decisão sobre possíveis alterações no PAC da Copa, ponderou Luíza.

Nos bastidores, o Executivo diz que não vai aceitar alterações ou inclusões de novos empreendimentos na lista de prioridades para 2014, principalmente se implicar em aumento de despesas. A equipe de Dilma está ciente de que se permitir qualquer alteração terá que aceitar pleitos de outros estados. Em Cuiabá, por exemplo, há pressão para mudar o BRT por Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Retirado de http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,cidades-querem-mudar-projetos-e-aumentar-o-preco,763897,0.htm

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