[EUA] O sistema de transporte de Corvallis abandonou a tarifa de ônibus

É só entrar e sentar

Nancy Raskauskas, para Gazzette-Times

Quando Katrina DiFonzo pegou o ônibus na parte do Centro de Corvallis (Oregon, EUA, 50 mil habitantes) onde os carros são proibidos,  ela não precisou parar para colocar as moedas na caixa coletora da tarifa: simplesmente subiu no ônibus e se sentou. Agora, todo mundo que vier a utilizar o Sistema de Transporte de Corvallis (CTS na sigla em inglês), ou o Beaver Bus (ônibus para estudantes), poderá fazer o mesmo.

O CTS passou a operar com tarifa zero no dia 1º de fevereiro, custeada por uma Taxa Transporte aprovada pela Câmara Municipal, que cobrará $2,75 dólares por família mensalmente. A Taxa Transporte é uma das três Taxas para Iniciativas Sustentáveis que, somadas, chegam a $4,05 dólares. As outras duas cobrem o custeio das calçadas e árvores.

A taxa substituiu a parte do orçamento municipal (impostos sobre propriedade) antes destinada para o transporte. Aquele dinheiro agora está disponível para uso em outras áreas, como a biblioteca, os parques e os departamentos de polícia e bombeiros. Além do mais, poupou o fundo de transporte de possíveis cortes (o orçamento municipal está com um déficit de $3 milhões de dólares).

O CTS conta com doze linhas que cobrem diariamente a cidade entre as sete da manhã e oito da noite. O Beaver Bus tem três linhas que operam mais tarde nos dias em que a universidade está aberta, na terça, quinta e sábado, até 2h45 da madrugada. Estudantes e não estudantes podem utilizá-lo.

Linda Hartzell elogiou o novo sistema de transporte sem tarifa enquanto andava num dos ônibus. “Gostei, vou pegar mais ônibus agora”. No entanto, outros sistemas que se ligam ao CTS ainda cobram passagem.

Para Katrina DiFonzo, estudante de arte, muitas pessoas ainda não sabem da novidade. “Deveriam pôr uma placa aqui”, sugeriu, apontando para a estação de transferência. A motorista de ônibus Anna Hook concorda. Viu usuários com o dinheiro separado para pagar a passagem arregalarem os olhos ao ver a placa indicando gratuidade. “É só hoje?”, alguns questionaram. “Eu disse, não, não é só hoje!”

O secretário de Transportes, Tim Bates, justificou a demora em divulgar as mudanças no CTS como decorrência do longo processo para a aprovação das Taxas para Iniciativas Sustentáveis. E também por conta de uma recomendação da Comissão Orçamentária para que as taxas fossem suspensas. “A pior coisa seria divulgar e depois retroceder no último segundo. É uma lei municipal e poderia ter sido desfeita”, concluiu.

Superado este empecilho, a prefeitura divulgou a novidade em outdoors. A frase “Hoje é de graça” piscava nas placas eletrônicas acima dos para-brisas dos ônibus. “Naturalmente esperamos que haja um grande aumento no número de viagens”, disse Bates, e a prefeitura irá monitorar o impacto da tarifa zero no uso dos ônibus.

Tradução por Daniel Guimarães

 

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