O sistema está funcionando

Em São Paulo a tarifa de ônibus vai aumentar e, não fosse isso uma paulada suficiente, vem outra: a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo decidiu cobrar 8,56% a menos do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores. O famoso IPVA.

É isso que eu chamo de afirmação de prioridades: o lance é desestimular violentamente o transporte coletivo e empurrar o carro goela abaixo, usando de expedientes mais e mais sedutores. Mas é cilada pura: o camarada vai ficar preso no trânsito, perdendo horas de sua e tirando da vida dos outros (muitas vezes perdendo a sua vida e tirando a vida dos outros). E o transporte coletivo vai ficando cada vez mais distante da esfera do direito, largado como uma mercadoria. Pior, uma mercadoria de quinta categoria e de propósito.

Imagino como não se sentiu sagaz o diretor do departamento de arrecadação da Secretaria, Edson Peceguine. Viu que a frota de veículos está crescendo (1,1 milhão por ano, valeu Governo Federal por todos os incentivos às montadoras, pela redução do IPI etc!) e deve ter pensado: “Vou reduzir o IPVA e mesmo assim arrecadaremos mais em 2013 do que em 2012! Consumidores ficarão felizes, montadoras, então!, e os chefes idem”.

Enquanto isso, as barraquinhas da SPTrans ficam dia sim, dia sim, com problemas para recarregar o bilhete único — que proporciona a integração entre ônibus, metrô e trem e, com isso, uma mini economia pro usuário. As funcionárias improvisam uma plaquinha de papelão com um texto escrito em canetinha: “Sem sistema”. O correto seria uma placa pra valer, laminada, consciente, com logo do governo e tudo e a seguinte mensagem: “O sistema está funcionando como planejamos”.

@camarada_d

 

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