Os tempos de junho de 2013

Acompanhei nos jornais e na TV a cobertura das manifestações do MPL e outros movimentos, a propósito do aumento das tarifas de transporte coletivo, da reivindicação de subsídios e da tarifa zero.

Particularmente li no Estadão de domingo matéria sobre as manifestações, uma mini entrevista com Luiza Erundina e, ontem, a longa entrevista do Haddad.

Na matéria de domingo no Estadão chamou-me a atenção um trecho que diz: ” Marcelo disse que não queremos sentar para negociar etc” .

Fazendo uma retrospectiva de tudo que li e, ouvi , pensei o seguinte:

O MPL e os demais movimentos, com as manifestações e respectiva repercussão, trouxeram a questão dos transportes coletivos para onde deve se situar, ou seja, no campo da política e, nesse campo, o financiamento da tarifa como questão central para efetivamente tornar o transporte público e de acesso universal.

Quando o Haddad diz na entrevista estar disposto ao diálogo, considero isso a abertura de um espaço a mais para ampliar e aprofundar a luta pela tarifa zero.

Dialogar não é negociar, até porque o movimento, enquanto tal, não tem o que negociar. O movimento pode e deve debater politicamente, inclusive com o prefeito, uma questão fundamental para toda a população da cidade. Deve se apresentar ao diálogo como força política popular, fazendo pois uma forma de democracia direta. E discutir e debater de igual para igual.

A mídia está querendo transformar as manifestações em atos de vandalismo. Forçar uma interpretação de que se trata de um movimento que recusa o debate faz parte da mesma estratégia de desqualificar o movimento.

O momento político é riquíssimo, a partir das manifestações.

Num regime que se diz democrático, isto pode e deve significar a disputa de recursos do Estado. Para os de cima ou para os de baixo é a questão.

E isso deve ser debatido e discutido com os que exercem o poder, pressionando para as mudanças necessárias.

Com um significado adicional de que são jovens de todas as idades que estão formulando uma pauta política, quando se procura desqualificá-los seja pela questão da maioridade penal, seja por não serem “ trabalhadores “, seja por não se atrelarem aos padrões clássicos de organizações de esquerda e direita numa sociedade de classes.

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