Reflexões sobre o Bilhete Mensal

por Movimento Passe Livre São Paulo

Não é porque é uma tarifa mensal que o novo Bilhete Único deixa de lado a lógica excludente de qualquer tarifa: só vai continuar usando o transporte quem pode pagar por ele.

Para o pobre dificuldade é a real
A liberdade dos carros correndo na radial
Quem não pode faz um investimento mensal
Uma cota considerável quando soma o total

Rincon Sapiência, “Transporte Público”

O transporte público em São Paulo sempre se organizou ao redor da jornada de trabalho: o sistema funciona basicamente para levar e trazer as pessoas do emprego. As linhas de ônibus existem em função desse movimento periferia-centro, centro-periferia, no início da manhã e no fim da tarde – quando todos os ônibus saem das garagens. O único momento e o único itinerário de circulação pela cidade é, na maioria das vezes, o deslocamento para o trabalho. O Vale Transporte consolida essa lógica: só garante ao trabalhador a condução para o serviço. Levar os filhos ao hospital, visitar a mãe em outro canto da cidade, aproveitar os parques, os cinemas, os teatros, fazer compras, tudo isso está fora daquela garantia. Continue reading “Reflexões sobre o Bilhete Mensal”

Robsoul – Descatraca



Mó goela tio
E a condução tá 3 conto
E daqui a pouco
Vai ter taxa nos pontos
E quase capotou
O buso que lotou
E se quebrar quem paga
É o motorista e o cobrador
A exploração é geral
A condição é mil grau
Pra nós navio negreiro
Pro patrão uma nau
Só pensam no lucro
Bagulho absurdo
Pagar pra trabalhar
Situação que tá o cúmulo
O preço da passagem
Tira o direito à cidade
Pra nós é cárcere
Na visão deles, vantagem
Sem teatro
Casas culturais, parques
Ilhado na quebrada
Sem universidade
Fala prucê, patrão
Seu plano faiô
A pista travô
E as catraca vuô
Cê viu que coisa linda
Tem o povo na rua
Contra sua catraca
E a sua ditadura
Polícia é pedra no sapato
E eles vêm de bomba
Só que o povo é maioria
E eles temem a sombra

Pula a catraca
Chuta a catraca
Descatraca

Quando a gente se organiza
Eu sei que cê nem dorme
Não come, se caga
E o medo te consome
Lá vem bomba
É… Cê tá no pano dos covardes
Só que não vai resolver
Nós tamo em toda parte
Tamo no sol, no relento
Nas quebra, no centro
Com as faixa marchando
E você tremendo
Ganância
Má organização da cidade
Foda-se você
E sua contabilidade
Nem vem fazer discurso
Que a nossa parte é tudo
Viemos pra vencer
E lutamos pelo justo
Fato estranho, hei…
A lotação tá sem banco
Engraçado é o motorista
Que se acha o dono
Sem FGTS
Nem tempo de casa
Não percebeu
Que essa cooperativa é falsa
Se contenta com o resto
Atravessa os protesto
Coroinha do patrão
Virou testa de ferro

Pula a catraca
Chuta a catraca
Descatraca