Não vai ter tarifa! Panfleto do MPL São Paulo para o ato de hoje, dia 19

Há exatamente um ano saímos às ruas para dizer não ao aumento das tarifas de ônibus, metrô e trem que a prefeitura, o governo do estado e as empresas queriam nos enfiar goela abaixo. Ocupamos as ruas para que a nossa voz fosse escutada: 20 centavos, não!, porque cada centavo a mais no preço das passagens aumenta a exclusão, impede mais pessoas de utilizar o transporte por falta de dinheiro e, por isso, faz com que não tenham seu direito à cidade garantido.

E vencemos! O povo conseguiu quebrar o cotidiano de derrotas que nos aflige nesta vida em que decidimos tão pouco. Fomos milhares, centenas de milhares! Os vinte centavos desapareceram e, no lugar deles, ficou o sentimento de que organizados coletivamente podemos mudar nossas vidas, podemos transformar radicalmente nossa cidade. Agora só faltam três reais, e pra isso construiremos mais histórias com muita luta e também muita festa.

Nos alegra ver que junho de 2013 não foi mesmo o fim dessa história, muitas outras categorias e movimentos também estão organizados e lutando. Exemplos disso são os rodoviários e os metroviários, homens e mulheres que fazem a cidade se movimentar todos os dias sob condições precárias de trabalho, e que se organizaram recentemente para mudar essas condições. No caso dos últimos, foi proposto ao governo do estado trocar as paralisações da greve por dias de catraca livre, em que trabalhariam de graça se fosse necessário para que a catraca fosse liberada. O governo não aceitou. Impediu o povo de usar o transporte, forçou os trabalhadores a fazer greve e, por fim, os reprimiu violentamente, com as agressões da polícia e demissões absurdas. Exigimos melhores condições para eles e elas e não aceitaremos que o direito de greve seja ignorado pelo poder público e pelas empresas. Que todas as demissões sejam revogadas, ninguém vai ficar pra trás! Dizer que os trabalhadores do transporte não podem entrar em greve e demiti-los por isso é o mesmo que dizer que nós também não podemos lutar!

Pois a luta dos trabalhadores do transporte é também a nossa luta, contra o sufoco cotidiano nesse sistema de transporte visto como uma mercadoria e não como um direito. A Copa escancarou essa realidade, demonstrando como os ricos, os grandes empresários, estão fazendo das nossas cidades uma forma de ampliar a riqueza particular deles às custas do nosso trabalho. Aproveitamos esse momento para voltar às ruas e deixar claro que vamos lutar por uma cidade voltada para os interesses do povo, de acordo com as necessidades do povo. E que os ricos, que se beneficiam do nosso trabalho, banquem os custos dessa estrutura. O direito à cidade que defendemos é o direito de ter acesso total e irrestrito ao que a cidade já oferece, aos lugares, aos equipamentos, hospitais, escolas, parques. E para isso é fundamental que a tarifa zero seja uma realidade pra já, pois enquanto a tarifa existir, o acesso a tudo isso está restrito. Mas direito à cidade também é o direito de construirmos ela do jeito que quisermos. Nós, os de baixo é que sabemos como a cidade deve ser.

Seguiremos nos acorrentando, para que possamos viver livres de grades; fechando ruas, para abrir caminhos; pulando catracas, para que elas não existam mais.

Só a luta muda a vida!

Por uma vida sem catracas.

Movimento Passe Livre São Paulo, 19 de junho de 2014

 

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