[Cronologia das políticas de transporte no governo Erundina] Denúncias sobre precarização da empresa pública de transporte

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Dossiê Jânio Quadros: crime, corrupção e caso de polícia

10 de abril de 1989 – Luiza Erundina divulga o Dossiê sobre a administração Jânio Quadros. Em 65 páginas, o documento revela descalabros administrativos e dezenas de irregularidades. Um caso de polícia. A apresentação do dossiê é assinada pela prefeita: Continue reading “[Cronologia das políticas de transporte no governo Erundina] Denúncias sobre precarização da empresa pública de transporte”

Aumento de tarifa cancelado em Belo Horizonte

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Mais uma vitória! Viva a luta da população, do Tarifa Zero BH e doMovimento Passe Livre – BH! Na torcida para que este importante passo inspire a luta que deverá seguir. Empresários e seus defensores no governo certamente não tardarão em responder este revés.

Justiça cancela aumento de passagens de ônibus em Belo Horizonte

por Bárbara Ferreira

O reajuste de 9,7% havia sido autorizado pela prefeitura no início de agosto, a partir de um pedido do Setra

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[Cronologia das políticas de transporte no governo Erundina] Realizações dos primeiros 100 dias

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9 de abril de 1989 – O documento de prestação de contas dos 100 dias do governo Luiza Erundina lista realizações da nova administração. Algumas delas:

– na área da CMTC, passou-se a privilegiar a retífica de motores nas garagens da companhia. Descobriu-se que a vida útil do motor retificado por empresas particulares variava de 27 mil a 120 mil quilômetros, contra os 150 mil quilômetros obtidos nas oficinas da CMTC. Em 100 dias, a CMTC colocou nas ruas 322 ônibus que estavam recolhidos nas garagens por falta de peças e manutenção. Os chamados chiqueirinhos foram retirados dos ônibus da cidade. A CMTC comprou 7000 pneus com desconto de 40% em relação ao preço de mercado, acabando com o problema de escassez nos estoques que, no primeiro dia da atual administração, possuiam um (sic) pneu de reposição;

– ainda na área de transportes, a Prefeitura reverteu o processo de extinção da CET, iniciado por Jânio Quadros, e decidiu reavivar a empresa que há 13 anos vinha executando serviços essenciais para a cidade, no setor de engenharia de tráfego e trânsito.

Invertendo prioridades: uma política que possa unificar o campo de esquerda

Só uma correção a respeito do artigo abaixo: o MPL tentou, e tenta, fazer esse movimento político de inversão a que se refere Reginaldo, apontar a idiossincrasia do sistema de tributação e redistribuição de riqueza no Brasil, onde os muito ricos pagam pouco imposto em proporção aos seus rendimentos e o Estado não aplica o suficiente do PIB em serviços públicos essenciais. Perversão total. Esta política se apresenta na frase em que o movimento busca sintetizar sua missão, ao mesmo tempo pontual e ponto nodal dos conflitos da nossa sociedade arcaica de classes: “Tarifa zero paga pelos ricos”.

Certa esquerda ou não o percebeu, ou percebeu e se movimentou também politicamente para desqualificar a demanda de que os direitos sociais tenham prioridade sobre as limitações da inclusão pelo mercado, que estes direitos sejam ampliados e custeados pela elite protegida pelo Estado. Convencê-la também poderia humildemente estar entre os nossos planos, levando em consideração a complexa mediação de projetos de sociedade na qual assumiram responsabilidade. Mediação que carece da força do lado esquerdo no momento. Muito por responsabilidade dos processos deste campo, que já são conhecidos pelos textos e por experiência; processos que enfraqueceram a força social popular independente, e falo mesmo da força social do próprio partido. De qualquer forma, venho pensando em como pode ser importante abrir uma porta para que setores hoje desqualificados e descartados como governistas, mas que não fazem parte da máquina propriamente dita e aspiram emancipações à esquerda, somem-se a essa perspectiva estratégica crítica. Pode ser uma aposta ingênua, mas não tem jeito, cresci ouvindo Sham 69. If the kids are united, they will never be divided…

Levo em consideração que nossa responsabilidade é com o futuro, mas também com as gerações do presente.

Que os super-ricos paguem a conta ou como tirar a classe média da influência da direita

Nos últimos anos, os bilionários brasileiros e seus cães de guarda na mídia perceberam que podiam conquistar o ressentimento da classe média para jogá-la contra os pobres, os nordestinos, os negros, tudo, enfim, que se aproximasse dos grupos sociais que fossem alvo de políticas compensatórias, de redistribuição. E contra governos e partidos que tomassem essa causa. E a esquerda, de certo modo, assistiu a essa conquista ideológica sem ter resposta. Uma resposta política: a criação de movimentos reformadores que fizessem o movimento inverso, isto é, colocassem essa classe média contra os altos andares da riqueza. Nós não soubemos fazer isso”, escreve Reginaldo Moraes, em artigo publicado por Brasil Debate, 10-09-2015. Continue reading “Invertendo prioridades: uma política que possa unificar o campo de esquerda”

[Cronologia das políticas de transporte no governo Erundina] Reforma dos ônibus fora de operação

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17 de fevereiro de 1989 – Luiza Erundina vistoria ônibus reformados nas oficinas do complexo Santa Rita da CMTC, na região central. Dos 768 ônibus da companhia que estavam fora de operação no primeiro dia de governo do PT, 272 já voltaram às ruas.  A CMTC tem 2742 coletivos em operação.

Deslocamento será considerado trabalho pela União Europeia

Notícia interessantíssima direto do velho continente (no final do texto): Tribunal de Justiça da União Europeia considera que o deslocamento faz parte do trabalho e não apenas a realização da atividade. Sim, a decisão se limita a determinados tipos de trabalhos (os trabalhos que não são realizados em escritórios), mas coloca esta questão da mais alta relevância, tanto para as políticas de transporte como para as políticas trabalhistas, no devido lugar. O significante está exposto, tal como agora o transporte figurar entre os demais direitos essenciais na Constituição Federal brasileira. Passo importante para elaborá-lo política e intrapsiquicamente, para deslocar o significado de trabalho e deslocamento, com perdão dos trocadilhos. Continue reading “Deslocamento será considerado trabalho pela União Europeia”

Transporte agora é no texto o que sempre deveria ter sido: um direito

Excelente notícia que o Lúcio Gregori acaba de trazer: segunda votação da PEC 74, a emenda constitucional que insere o transporte entre demais direitos essenciais, rolou e a aprovação foi por unanimidade. Será promulgada dia 15.

Imensa vitória estratégica. Um instrumento precioso para a população e seus movimentos demandarem políticas de acesso universal à cidade!

Vitória da luta de junho de 2013 – daquele junho de 2013 anterior ao manejo oportunista da direita – que colocou a PEC em andamento depois de dois anos de lentidão burocrática.

Sem luta a vida não muda.

A notícia que gostaríamos de ler: “Haddad retoma o para o poder público o sistema de transporte”

Como disse Luiza Erundina em janeiro de 1989 no discurso publicado aqui ontem: “só haverá uma solução definitiva do problema dos transportes coletivos quando esse serviço for inteiramente municipalizado, e a Prefeitura, junto com o povo, puder exercer seu controle total sobre essa atividade essencial de uma grande metrópole.”

Haddad, mais controle público, não o contrário, é o que apontará para a socialização do transporte coletivo em São Paulo.

Haddad transfere para empresas 29 terminais de ônibus

A gestão Fernando Haddad (PT) se valeu de um trecho do contrato de concessão do sistema de transportes de 2003 – que nunca foi aplicado – e, sem nenhuma publicidade nem debate, repassou a gestão dos 29 terminais de ônibus da cidade às concessionárias que operam os coletivos da São Paulo Transporte (SPTrans). Os terminais estão sendo operados pelas empresas desde o mês passado. Continue reading “A notícia que gostaríamos de ler: “Haddad retoma o para o poder público o sistema de transporte””

Tales Ab’Saber sobre direito à cidade, Movimento Passe Livre e a crise do capital no Brasil

Em sua fala no seminário Cidades Rebeldes, organizado pela Editora Boitempo, em especial nos comentários, o psicanalista Tales Ab’Saber cita como referência a luta do Movimento Passe Livre pela socialização do transporte e o direito à cidade.

“(…) este movimento está tentando formular, no caso do Movimento Passe Livre isso é claro, alguma demanda de caráter universal e socializante. Livre acesso ao transporte público numa cidade como São Paulo e no Brasil é uma demanda para todos e é uma transformação na relação de classes no interior da cidade, e de salário, isso imediatamente significaria ganhos para a classe trabalhadora.”

[Cronologia das políticas de transporte no governo Erundina] Discurso sobre reajuste de tarifas e os limites do transporte não público de verdade

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25 de janeiro de 1989: No dia em que São Paulo comemora os 435 anos de fundação (…) a prefeita fala das dificuldades das primeiras três semanas de governo. Principais trechos do discurso:

“Exatamente com a mesma preocupação de atender ao interesse público e evitar o colapso de serviços essenciais, tivemos de enfrentar a questão dos transportes coletivos. Encontramos uma situação de descalabro total. Linhas rentáveis nas mãos das empresas privadas. Linhas deficitárias com a CMTC, a concessionária municipal dos transportes. Ônibus encostados e quebrados. Uma imensa dívida da Prefeitura para com as empresas. Continue reading “[Cronologia das políticas de transporte no governo Erundina] Discurso sobre reajuste de tarifas e os limites do transporte não público de verdade”

Cronologia das políticas de transporte no governo Erundina

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Seguindo as pesquisas sobre o período em que surgiu o Projeto Tarifa Zero, topei com este livro de Ivo Patarra, O Governo Luiza Erundina – Cronologia de quatro anos de administração do PT na cidade de São Paulo. Patarra foi assessor de imprensa daquela prefeitura entre 1990 e 1992 e fez uma espécie de um diário rigoroso dos acontecimentos e não-acontecimentos daquela gestão. A amplitude de pautas do livro é tão grande quanto são os conflitos desta imensa cidade e será possível ter uma razoável dimensão das forças em disputa daquele período. Fica a recomendação da leitura completa deste livro, lançado em 1996 pela Geração Editorial, assim como o livro de Paul Singer (Um governo de esquerda para todos, editora Brasiliense), cujo capítulo sobre transporte está disponível na íntegra no site.

Mas o objetivo aqui é recuperar os trechos sobre transporte coletivo (tarifa zero, municipalização, ampliação da frota e da oferta) e as disputas em torno da arrecadação municipal e a opção daquele governo em tentar inverter a radical desigualdade tributária que ganhava corpo e consequêcia nos serviços públicos, na precária garantia de direitos essenciais. Questões ainda bastante concretas na nossa democracia parcial e desigual, atravessada pelos interesses de mercado que pairam acima do bem estar físico e psíquico de uma população impedida de desenvolver sua plena potência pelo desgaste de tempo necessário para uma não-vida de puro trabalho sem proteção e sem futuro. Continue reading “Cronologia das políticas de transporte no governo Erundina”

Tarifa zero em Buenos Aires: luta na linha 60

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“Você está cansado de viajar como gado na 60? Hoje não pague a passagem”.

Por Primo Jonas

Desde o dia 25 de junho os trabalhadores da linha 60 de ônibus da cidade de Buenos Aires estiveram levando adiante uma operação de “tarifa zero” como medida de luta contra a patronal. O conflito se iniciou com a demissão de um trabalhador da linha que foi abertamente reconhecida pelos trabalhadores como perseguição gremial contra a organização dos mesmos. Levado o caso à justiça, o Estado ditou uma conciliação obrigatória na qual a empresa estava obrigada a reincorporar o trabalhador demitido. Não apenas a empresa não acatou a conciliação obrigatória como decidiu então demitir 47 outros trabalhadores. Começa o lockout patronal, num primeiro momento retirando o pessoal administrativo das cabeceiras (pontos finais e terminais) e depois voltando a ocupá-lo e impedindo os motoristas de saírem sem antes assinar um acordo no qual se comprometiam a cobrar a passagem. Continue reading “Tarifa zero em Buenos Aires: luta na linha 60”

Ilha Parelheiros

materiaparelheiros(foto: Vereda Estreita)

Evidenciada em abril deste ano, com interrupção de aula de Haddad, luta por transporte público no Extremo Sul de São Paulo persiste

por Mariana Gonçalves

Faz quatro meses desde que militantes do coletivo Luta do Transporte no Extremo Sul decidiram bater de frente, pela primeira vez, com o prefeito Fernando Haddad, ex-professor na pós-graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). O protesto fora marcado para acontecer na própria universidade, onde, no dia – era 27 de abril –,  Haddad ministraria aula sobre “direito à cidade”. Cerca de quarenta pessoas, residentes da região de Parelheiros – sobretudo dos bairros de Marsilac, Barragem, Jusa e Bosque do Sol –, ocuparam a sala de aula e levantaram cartaz com os dizeres: “Haddad, como é que pode? Nosso bairro não tem transporte”. Apesar do desconforto do professor e de estudantes, o coletivo, que reivindicava a implantação de três linhas de ônibus de caráter rural, atingiu seu objetivo: dada a pressão, Haddad assinou documento em que se comprometia a comparecer à reunião onde se discutiriam as possibilidades de implantá-las. Continue reading “Ilha Parelheiros”

A senha está em Silva Jardim

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Notícias do que poderia ser o impacto da ampliação de direitos no desenvolvimento econômico das cidades – o que não parece ser a prioridade dos representantes do nosso capitalismo escravocrata e regredido. Neste caso, resultados imediatos da tarifa zero na cidade de Silva Jardim, RJ: ao não precisar mais pagar a passagem para usar o transporte, o sujeito terá mais dinheiro para outras coisas da vida cotidiana, outras necessidades que ficavam de fora do orçamento curto deste país de extremos negativos.

Há de se lembrar que o modelo de transporte hoje ainda hegemônico (custeado pela tarifa de quem o utiliza) tem como resultado manter o deslocamento sempre entre os principais gastos de brasileiros e brasileiras, de acordo com as pesquisas de orçamento familiar do IBGE. Continue reading “A senha está em Silva Jardim”