[Cronologia das políticas de transporte do governo Erundina] Boicote dos empresários de peças de ônibus II

patarra

Sobre esta Cronologia das políticas de transporte no governo Erundina

5 de setembro de 1989 – A Prefeitura de São Paulo divulga nota oficial em que denuncia um boicote na área dos transportes coletivos. Íntegra do documento:

“Empresas concessionárias da Mercedes-Benz, de veículos e de autopeças, estão dificultando deliberadamente a aquisição, por parte da Prefeitura, de peças necessárias à recuperação de ônibus destinados ao serviço público de transporte coletivo. Com essa atitude, a população paulistana está sendo diariamente prejudicada em seus direitos.

Ao assumir o mandato, a atual administração municipal encontrou: a) centenas de ônibus quebrados e parados por falta de peças, b) estoque zero de peças; c) uma dívida de 5 milhões de dólares (peças de ônibus compradas e não pagas) feita pela administração anterior. A atual administração pagou toda essa dívida. Apesar disso, está sendo obrigada a pagar à vista peças necessárias para recuperar alguns ônibus. Da atual frota da CMTC, 2900 veículos são da Mercedes-Benz, e, desses, 300 ônibus estão parados por falta de peças.

Para montar estoques de peças a fim de manter um serviço permanente de reposição e evitar a paralisação dos veículos, a Prefeitura já abriu numerosas licitações para aquisição dessas mercadorias. Apenas uma única empresa tem comparecido a essas licitações, com propostas que contrariam os editais. A prefeita Luiza Erundina de Sousa convidou para ontem, dia 4, em seu gabinete, os dirigentes das 11 concessionárias, a fim de solicitar esclarecimentos do sucedido. As empresas não compareceram.

É claro o propósito dessa atitude, que se configura como um boicote à administração municipal e um desrespeito ao público: forçar a Prefeitura a adquirir peças sem os benefícios de prazo comercial e a preços abusivos, impostos por esse verdadeiro cartel ilegal formado pelas concessionárias.

Em defesa do interesse público, a atual administração municipal não cederá a essas imposições autoritárias, e já determinou aos órgãos jurídicos da Prefeitura a adoção das medidas legais cabíveis.”

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