[Floripa] Faixa exclusiva

Três dias após o 3º Ato Contra o Aumento da Tarifa, no qual manifestantes ocuparam a Avenida Beira Mar Norte e lá pintaram uma faixa exclusiva para ônibus, a prefeitura de Florianópolis anunciou um programa de obras “para melhorar a mobilidade urbana na cidade”. Com um custo total de R$ 750 milhões, o pacote inclui a construção de 17 quilômetros de faixa exclusiva para ônibus, que irá demorar três anos para sua conclusão.

Segundo o prefeito, essa será “a maior intervenção já feita na história do transporte coletivo de Florianópolis”. Enquanto isso, o Movimento Passe Livre Floripa e a Frente de Luta pelo Transporte fizeram, em menos de um dia, 2 quilômetros de faixa exclusiva para ônibus, gastando menos de R$ 100,00 e usando seus próprios recursos. Quem são os verdadeiros vândalos?

Veja aqui um vídeo do Ato e da pintura da faixa exclusiva.

Da direita à esquerda: fogo das ruas sacode a política institucional

por Simara Pereira e Victor Khaled

Em 17 de julho, Edson Moura Junior (PMDB) anunciou a implementação da Tarifa Zero no sistema de transporte coletivo de Paulínia, a partir de 1º de outubro, sendo a primeira cidade da Região Metropolitana de Campinas a adotar a medida.  A Prefeitura abolirá a tarifa, que custa um real, subsidiando integralmente o custo do sistema. É isso: Tarifa Zero, simples assim. Que venham vários a reboque. Continue reading “Da direita à esquerda: fogo das ruas sacode a política institucional”

[Floripa] Quem experimenta a Tarifa Zero não consegue mais parar

E não é que o povo da cidade gostou mesmo de fazer um catracaço?

Segundo notícia publicada na página do Notícias do Dia (ver aqui), após a paralisação dos ônibus ocorrida na manhã de hoje, organizada pelo sindicato dos trabalhadores do transporte (Sintraturb), a população espontaneamente pulou as catracas do Ticen, implementando mais uma vez a Tarifa Zero. Parece que o catracaço veio para ficar!

E assim seguimos lutando por uma vida sem catracas. Hoje tem novo ato a partir das 16h no Ticen. Bora lá, galera!

Estamos escrevendo a História!

Carregamos um mundo novo em nossos corações, que cresce a cada momento. Ele está crescendo neste instante […].
Buenaventura Durruti

Depois de passar os últimos dias em São Paulo, volto a Florianópolis com todos os pensamentos tomados pelo tema que tem monopolizado as conversas na cidade: as manifestações do Movimento Passe Livre. Não sei exatamente se foi por escolha ou por imposição da vida (talvez um misto dos dois) que deixei São Paulo para morar na capital catarinense, mas a verdade é que apesar dos mais de 5 anos e meio que se passaram, nunca rompi os laços políticos e afetivos que me ligam a SP, que se encontram mais fortes do que nunca por conta do momento político que atravessa a cidade.

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Sobre a viabilidade econômica da Tarifa Zero em Florianópolis [*]

Apresentação

Ao falar da proposta da Tarifa Zero no transporte coletivo, freqüentemente tenho me deparado com uma série de questionamentos e com uma grande desconfiança sobre a viabilidade econômica de sua implantação. Muitas das pessoas apóiam a idéia, concordam com nossas propostas, mas acreditam ser inviável sua aplicação.

Como esta tem sido uma questão recorrente, com o intuito de estimular a discussão, resolvi fazer um pequeno esboço, demonstrando não só a possibilidade técnica e econômica da implementação da Tarifa Zero em Florianópolis, mas também desmistificando algumas idéias, que defendem como tecnicamente inviável colocar este projeto em prática, quando sua viabilidade é muito maior do que inicialmente possa parecer.

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Florianópolis contra a tarifa

Um novo ciclo da luta pelo transporte público parece se esboçar na cidade de Florianópolis. Após a extensa jornada de mobilização contra o aumento da tarifa construída em 2010 (veja aqui), a necessidade de um debate mais amplo e profundo sobre a questão do transporte e da mobilidade urbana foi sentida pela Frente de Luta pelo Transporte Público (que aglutina diversos movimentos da cidade, como o Movimento Passe Livre, além de outras organizações e militantes independentes). Isso porque percebemos que as mobilizações contra os aumentos das tarifas, apesar de extremamente importantes para colocarmos em evidência a crise que vive o sistema de transporte da cidade, não tocam no centro do problema, mantendo a estrutura e a lógica de exploração do transporte coletivo, mesmo quando obtivemos vitórias nas jornadas de luta passadas.

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«Impasse» em Florianópolis

Faltam-me palavras para descrever o que aconteceu nesta semana. A vida e as lutas são mesmo pouquíssimo previsíveis, e não há como não se emocionar frente ao turbilhão de coisas que sistematicamente chega para nos surpreender.

Eu, que esperava um semestre muito mais calmo, de reflexão, planejamento e atividades menores, que vão mantendo acesa a chama, já não sei mais o que esperar…

Na segunda-feira, às 22h da noite, recebi uma ligação muito preocupada, alertando que a lei que autoriza uma nova concessão do transporte público para as empresas, por 20 ou 35 anos, seria votada na noite seguinte. A partir dali, toda conjuntura se alterou, e o que parecia ser um desastre para a gente pode vir a ser um elemento fundamental para que a luta do primeiro semestre do ano não se perca. Continue reading “«Impasse» em Florianópolis”

Floripa: Seminário “Mobilidade e Qualidade de Vida”, dias 05 e 06 de julho

O evento será imperdível, principalmente pela presença de Lúcio Gregori, que foi secretário de transportes da cidade de São Paulo e idealizador da Municipalização e do projeto Tarifa Zero. Sem dúvida é uma ótima oportunidade para tirarmos nossas dúvidas e dividirmos reflexões sobre o tema.

Na sequência das grandes mobilizações de rua contra o último aumento nas tarifas do transporte público, que mexeram no cotidiano da cidade nos meses de maio e junho, colocando mais uma vez em pauta a questão do transporte público e mostrando que a população quer voz e poder para mudar a lógica desse modelo falido que se arrasta em crise há pelo menos uma década. Por isso, a iniciativa do PET de Geografia Urbana da Udesc e do pessoal do comitê Interuniversitário do Plano Diretor Participativo veio numa excelente hora.

Se as mais de 5 semanas de manifestações não conseguiram fazer com que o aumento das tarifas fosse revogado, por outro lado conseguiu mais do que isso, deixando claro que a luta não é só contra o aumento, mas contra a existência da tarifa e contra as concessões, que privatizam o transporte público e transformam um serviço público, direito de todos, numa mercadoria e numa forma de excluir e controlar socialmente aqueles que necessitam do transporte coletivo para se deslocar na cidade.

Sem um serviço de transporte verdadeiramente público, fora das mãos dos empresários e atendendo aos interesses da população, não dá para conferir mobilidade, muito menos qualidade de vida, não é mesmo?

Nos vemos lá!!!

Veja no site do evento a programação completa e mais informações: http://seminariomobilidadeurbana.wordpress.com/

Florianópolis – A paralisação no transporte coletivo e a reação da população: quebra-quebra no terminal

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Motivados pelo anúncio de cortes de linhas e redução drástica de horários dos ônibus, pelo projeto de privatização da Zona Azul, pela defesa dos postos de trabalho dos cobradores e possibilidade de cancelamento da participação nos lucros, os trabalhadores do transporte coletivo de Florianópolis fizeram uma paralisação de quase 2 horas na manhã desta terça.

A paralisação completa do serviço, além de mostrar aos patrões e à prefeitura a organização e disposição de luta da categoria, despertou na população um sentimento de revolta e indignação.

Após dois aumentos consecutivos nas passagens de ônibus, o que era caro ficou ainda mais caro, tornando a tarifa de Florianópolis a mais cara do Brasil. Mas o que era ruim podia ainda piorar: por determinação da Secretaria de Transportes, na figura do secretário e vice-prefeito da cidade João Batista, diversos horários foram cortados e linhas remanejadas, aumentando o tempo de espera e a lotação nos ônibus, tudo em nome da “eficácia” e “racionalidade” do sistema.

Neste quadro de intensa exploração, a paralisação nos serviços de transporte foi só o estopim da revolta: catracas, bebedouros e guaritas foram destruídos no Terminal do Centro, num protesto espontâneo da população contra o sistema de transporte. Durante 30 minutos a cidade reviveu um pouco dos momentos críticos de revolta popular que marcaram a chamada Revolta da Catraca (2004 e 2005), mostrando que uma vez mais estamos chegando ao limite da aceitação deste cotidiano de exploração, e que o próximo aumento nas tarifas encontrará uma resistência muito maior da população.

Apenas a atuação da Polícia Militar e de bombas de efeito moral puderam conter o protesto, com um saldo de duas pessoas detidas.

Foto: Susi Padilha / Diário Catarinense

Do direito ao transporte ao direito à cidade

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Saudações leitores e leitoras do TarifaZero.Org! Foi com muito prazer que aceitei o convite para fazer parte da equipe de blogueiros desta página, e cá estarei para escrever alguns textos na tentativa de contribuir na discussão mais ampla da temática do transporte, da tarifa zero e do direito à cidade, e também comentar algumas notícias, fatos cotidianos ou postar pequenas notas. Espero trazer uma colaboração à altura desta grande empreitada!

Mas vamos logo ao que interessa!

Nesse post inicial, gostaria de falar rapidamente sobre a ligação entre a luta mais específica que é a do direito ao transporte com a luta maior e mais geral, a do direito à cidade, não só à mobilidades nas cidades, mas a viver e desfrutar tudo o que o espaço urbano pode oferecer, e como devemos ser nós a construir esse espaço, que só se torna livre quando é um espaço de luta.

Pois bem. Como militante do Movimento Passe Livre (MPL) desde 2005, sei que percorremos um longo caminho de discussões, atividades, debates, formulação de materiais (visuais, textuais, impressos, vídeos, …), enfim, uma infinidade de coisas foram sendo construídas e nesse longo mas rápido processo podemos dizer que amadurecemos e ampliamos imensamente as nossas visões de mundo e de movimento.

Mas tudo isso teve um ponto de partida: a luta pelo Passe Livre (inicialmente estudantil). Foi a partir desta bandeira específica que construímos os primeiros coletivos em todos os cantos do Brasil que viriam a formar o MPL nacionalmente. Foi portanto essa demanda facilmente materializável numa necessidade do dia-a-dia dos estudantes e a necessidade de sua conquista imediata, com projetos, mobilizações e ações práticas, que trouxe as pessoas para a luta, e colocou cada um e cada uma para criar as soluções que desejamos, transformando e ocupando os espaços de intervenção do movimento, dentro de uma organização criativa e coletiva pautada na horizontalidade, na ação direta e na autonomia.

Seguimos do passe livre estudantil para o direito ao transporte, e do direito ao transporte para o direito à cidade, num movimento que parte sempre do mais concreto e palpável para o mais geral e abstrato (mas não menos necessário e realizável). São os momentos mais calorosos da luta os mais pedagógicos, que nos mostram a verdadeira face do problema, momentos em que nossas concepções políticas são gestadas, ou colocadas à prova, e assimiladas pela população que nos acompanha (direta ou indiretamente) nas ruas. Assim, por exemplo, as lutas contra os aumentos de tarifas tornam-se momentos e espaços extremamente férteis para falar da Municipalização, da criação de um Fundo Municipal de Transportes e da Tarifa Zero.

A idéia aqui é falar de como partindo do direito ao transporte chegamos no direito à cidade, deixando clara a importância da articulação desses dois níveis, que necessitam ser trabalhados simultaneamente em cada momento da luta: sem esquecer da importância das necessidades imediatas mas também sem nos limitarmos a elas, construindo um horizonte mais amplo de conquista e de formulação política a partir das necessidades mais sentidas pelo povo.

Pra fechar, quero compartilhar com vocês uma frase do grande revolucionário russo Mikhail Bakunin:

“O que pode portanto, fazer a propaganda? Trazendo uma expressão geral mais justa, uma forma mais feliz e nova aos próprios instintos do proletariado, pode algumas vezes facilitar e precipitar seu desenvolvimento, sobretudo do ponto de vista de uma transformação em consciência e em vontade refletida das próprias massas. Ela pode dar-lhes a consciência do que elas têm, do que sentem, do que já querem instintivamente, mas nunca lhes poderá dar o que elas não possuem, nem despertar em seu seio paixões que, de acordo com sua própria história, são lhes estranhas.”