Sucinto



Em menos de um minuto o Khaled, do MPL Floripa, resumiu muitas das questões centrais em jogo nessa caminhada rumo à tarifa zero. Uma entrevista atemporal, pelo menos até conquistarmos o novo modelo de transporte voltado para a vida da população e não para os negócios.

Robsoul – Descatraca



Mó goela tio
E a condução tá 3 conto
E daqui a pouco
Vai ter taxa nos pontos
E quase capotou
O buso que lotou
E se quebrar quem paga
É o motorista e o cobrador
A exploração é geral
A condição é mil grau
Pra nós navio negreiro
Pro patrão uma nau
Só pensam no lucro
Bagulho absurdo
Pagar pra trabalhar
Situação que tá o cúmulo
O preço da passagem
Tira o direito à cidade
Pra nós é cárcere
Na visão deles, vantagem
Sem teatro
Casas culturais, parques
Ilhado na quebrada
Sem universidade
Fala prucê, patrão
Seu plano faiô
A pista travô
E as catraca vuô
Cê viu que coisa linda
Tem o povo na rua
Contra sua catraca
E a sua ditadura
Polícia é pedra no sapato
E eles vêm de bomba
Só que o povo é maioria
E eles temem a sombra

Pula a catraca
Chuta a catraca
Descatraca

Quando a gente se organiza
Eu sei que cê nem dorme
Não come, se caga
E o medo te consome
Lá vem bomba
É… Cê tá no pano dos covardes
Só que não vai resolver
Nós tamo em toda parte
Tamo no sol, no relento
Nas quebra, no centro
Com as faixa marchando
E você tremendo
Ganância
Má organização da cidade
Foda-se você
E sua contabilidade
Nem vem fazer discurso
Que a nossa parte é tudo
Viemos pra vencer
E lutamos pelo justo
Fato estranho, hei…
A lotação tá sem banco
Engraçado é o motorista
Que se acha o dono
Sem FGTS
Nem tempo de casa
Não percebeu
Que essa cooperativa é falsa
Se contenta com o resto
Atravessa os protesto
Coroinha do patrão
Virou testa de ferro

Pula a catraca
Chuta a catraca
Descatraca

Em torno do direito de ir e vir: existe diálogo em São Paulo?

por Raquel Rolnik

Depois de duas semanas em missão como relatora da ONU na Indonésia, volto ao Brasil e encontro minha cidade em pé de guerra como há muito tempo não via por aqui. A resposta truculenta da polícia de São Paulo à manifestação contra o aumento das passagens no transporte público chegou ontem ao seu auge. O que vi foi violência contra um movimento que há anos vem lutando, não apenas em São Paulo, mas em várias capitais brasileiras, não apenas contra os aumentos do valor das passagens, mas pelo direito à mobilidade como elemento essencial do direito à cidade. Continue reading “Em torno do direito de ir e vir: existe diálogo em São Paulo?”

Ciclo de Debates Pensando São Paulo: mobilidade urbana

por Lúcio Gregori

As cidades são o lugar de convivência e uma das mais notáveis tentativas humanas de refazer o mundo para melhorar as suas condições de vida. Nelas, a mobilidade das pessoas é fundamental para o convívio, tanto pelo modo como se deslocam como pela possibilidade de fazê-lo. Os modo coletivos ou individuais resultam em diferentes formas de relacionamentos interpessoais e, conforme o modo de custeio dos serviços e dos níveis de renda existentes, será ou não possível realizar todos os deslocamentos para a plena fruição da cidade. Não por outra razão chamamos de cidadania, que vem da palavra cidade, o exercício e o gozo dos plenos direitos democráticos e republicanos.

São Paulo 2012, cidade-país contida numa região metropolitana, é resultado de dezenas de anos de políticas de uso do solo centradas numa indústria imobiliária de grandes corporações e de especulação, e de políticas de mobilidade centradas no transporte individual motorizado em detrimento do coletivo, do pedestre e modos não motorizados. Assim, seu espaço urbano e viário é utilizado de forma francamente antidemocrática, prejudicando, se não impedindo o convívio e, ao contrário: transformando-o em disputa. Continue reading “Ciclo de Debates Pensando São Paulo: mobilidade urbana”

459 anos: Celebrando a maior crise urbanística da história da cidade de São Paulo

por Raquel Rolnik

O aniversário da cidade é sempre uma oportunidade para balanços: como a cidade é vista e vivida por seus moradores? Temos algo a comemorar? Como se trata de São Paulo, a maior e mais contraditória cidade brasileira, o discurso da pujança, do poder, da diversidade, da energia e da intensa dinâmica (e outros consagrados superlativos) esbarra numa espécie de mal-estar generalizado em relação a sua condição urbanística. Usufruir da cidade é uma espécie de corrida de obstáculos cotidiana na qual é necessário abstrair a poluição, o trânsito, o congestionamento, os buracos, os atropelamentos, a enchente, a feiura e o descaso que atingem – evidentemente com intensidades muito diferentes – o conjunto das pessoas que vivem e circulam na cidade.

A (i)mobilidade parece ser o sinal mais evidente da crise e, de fato, não se trata apenas de uma “percepção”, mas da realidade de um sistema de transporte e circulação totalmente incompatível com os fluxos da cidade. Na verdade, a situação atual da mobilidade nada mais é do que a crise de uma política urbana constituída exatamente para enfrentar a primeira grande crise urbana que São Paulo viveu, na década de 30. Continue reading “459 anos: Celebrando a maior crise urbanística da história da cidade de São Paulo”

Rumo à mobilidade urbana sustentável

por Rosângela Ribeiro Gil

No prazo de até dois anos, 1.651 municípios brasileiros com mais de 20 mil habitantes deverão ter definido um plano de mobilidade urbana sustentável, sob pena de não acessarem recursos federais a partir de 2015. Essa é a principal inovação, segundo a diretora do Departamento de Mobilidade Urbana da SeMob (Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana), do Ministério das Cidades, Luiza Gomide, trazida pela Lei 12.587, que entrou em vigor em abril último. Por isso, a SeMob está implantando um programa de capacitação dos municípios, com o objetivo de promover a conscientização de dirigentes e agentes locais. Continue reading “Rumo à mobilidade urbana sustentável”

Negros gastam mais tempo para se deslocar de casa para o trabalho, aponta IBGE

do UOL

Como uma possível causa para o aumento do tempo de deslocamento dos brasileiros entre a residência e o trabalho, a pesquisa do IBGE cita o desenvolvimento interno e a política de incentivo à indústria automobilística – sobretudo por meio da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) –, o que provocou maiores congestionamentos e mais lentidão para os motoristas.

Os brasileiros demoram cada vez mais para chegar ao trabalho. A Pesquisa Síntese de Indicadores Sociais, divulgada nesta quarta-feira (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra, no entanto, que pretos e pardos (na classificação do IBGE, pretos e pardos são subdivisões raciais que representam os negros) demoram mais para fazer o trajeto casa-trabalho. Esta situação foi constatada em todas as regiões do país.

Os percentuais mais acentuados aparecem no Sudeste, onde 11,4% dos brancos levam mais de uma hora no deslocamento e 15,3% dos pretos e pardos se encontram na mesma situação. Na região metropolitana de São Paulo, estes percentuais sobem para 21,2% para os brancos e 26,9% para os pretos e pardos. Na cidade, somente 41,4% dos brancos e 36% dos pretos e pardos conseguem chegar ao trabalho em menos de 30 minutos. Continue reading “Negros gastam mais tempo para se deslocar de casa para o trabalho, aponta IBGE”

82% dos paulistanos querem deixar o carro, mas dizem não ter opção

por Instituto Katu

Se o transporte coletivo da cidade de São Paulo fosse rápido, de fácil acesso e confortável, 82% dos moradores que usam carro para os deslocamentos diários abririam mão dele para usar o sistema público. Esse percentual já era alto no ano passado: 72%. Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência para a Rede Nossa São Paulo (RNSP), divulgada na quarta-feira (21/9).

De acordo com o levantamento, aumentou em 18 pontos percentuais (de 37% em 2010 para 55% em 2011) o número de moradores que classificam o trânsito da capital como “péssimo”.

O tempo médio de deslocamento gasto no trânsito diariamente é de 2h49min, ou seja, 42 dias por ano, quase um mês e meio preso no trânsito. Para alguns, a situação é ainda pior: 19% dos paulistanos chegam a perder até quatro horas nos deslocamentos diários – dois meses por ano. O levantamento mostra também que aumentou de 15%, em 2007, para 23%, em 2011, os que afirmaram usar o automóvel quase todos os dias e, entre os entrevistados, 38% compraram carro nos últimos 12 meses. Continue reading “82% dos paulistanos querem deixar o carro, mas dizem não ter opção”

Transporte público de verdade em pauta nos EUA: tarifa é só outra forma de cobrar imposto de quem menos pode pagar

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foto por MYSTERY PILL

Boas novas vindas do Norte. A noção do transporte como um direito de verdade oferecido a todos está extrapolando fronteiras! O Occupy Boston, grupo inspirado no movimento Occupy Wall Street, que questiona a escandalosamente desigual distribuição de riqueza na sociedade, lançou uma convocação para um dia de luta pelo transporte público.

Marcado para o dia 4 de abril, a ato defenderá o direito ao transporte para os 99% da sociedade (o motivo para a existência do movimento Occupy é a concentração de metade da riqueza nacional por apenas por 1%, os ricos pra valer) e que este transporte garanta a mobilidade de todos e todas, que seja sustentável e gratuito. Continue reading “Transporte público de verdade em pauta nos EUA: tarifa é só outra forma de cobrar imposto de quem menos pode pagar”

[Joinville] Entrevista com Maikon Jean Duarte, da Frente de Luta pelo Transporte Público

Ouça entrevista de Maikon Jean Duarte, do Movimento Passe Livre de Joinville e da Frente de Luta pelo Transporte Público, no programa Hora do Trabalhador, da Rádio Clube:

Maikon abordou assuntos como a violência policial contra os manifestantes que estão em campanha contra reajuste nas tarifas da cidade e também sobre o debate principal em torno do transporte como um direito, gratuito e de qualidade.

Para download, clique aqui.

Mais infos: http://nozarcao.blogspot.com/

O fracasso do modelo privado de transporte coletivo em Joinville – por um transporte público

por Hernandez Vivan

O transporte coletivo de modelo privado fracassou em Joinville – e poderíamos estender, grosso modo, a mesma afirmação para o restante do Brasil. Essa é uma afirmação forte, certamente, mas ainda sim não se trata de exagero ou desvio retórico. Hoje o transporte coletivo tem uma qualidade ruim, tarifa cara e é incapaz de agregar mais passageiros, perdendo usuários para carros e motos. É necessário demonstrar esse fracasso, pois assim poderemos pensar para além desse modelo privado. O texto que segue é uma tentativa disso. O problema de fundo é a licitação do transporte coletivo anunciada pelo IPPUJ. Queremos pensar uma alternativa de transporte que não seja apenas a mera legalização das atuais empresas privadas – o que aparentemente se avizinha nos planos do IPPUJ. Exploração do transporte ilegal e sem licitação é tão boa – ou melhor, tão ruim – quanto exploração legalizada e licitada. Continue reading “O fracasso do modelo privado de transporte coletivo em Joinville – por um transporte público”

[Joinville, SC] Não dá para não falar

por Cynthia Maria Pinto da Luz

Essa é minha crônica de final de ano em “A Notícia”. Habitualmente, falo de questões polêmicas, que afetam a vida da maioria das pessoas no seu dia a dia, da falta de efetividade dos direitos humanos, da violação sistemática desses direitos pelo mundo capitalista e a luta incessante que se trava em prol de uma sociedade capaz de oferecer a cada um de nós e nossos familiares uma vida tranquila, modesta, mas estável. Que nos permita atravessar ano após ano sem grandes percalços, projetando nossos sonhos, aspirações em direção a uma existência feliz.

Porém, isso só acontece se tivermos nossos direitos respeitados. Saúde, educação e trabalho, por exemplo, são direitos fundamentais – garantias constitucionais – que devem ser respeitados, preservados e potencializados pelo gestor público. Só que, agora, novamente está na ordem do dia o reajuste de tarifa do transporte coletivo de Joinville. O povo trabalhador e a juventude não suportam mais qualquer aumento, pois o valor atual já é extremamente excessivo, fazendo com que muitos deixem de usar ônibus para financiar um veículo individual, motocicleta ou carro. Continue reading “[Joinville, SC] Não dá para não falar”

As catracas da saúde

hospital-catraca

por Ana Manhani e Legume Lucas

No dia 10 de outubro usuários dos sistemas de saúde e transporte estiveram reunidos para debater as catracas da saúde, para pensar quais são os obstáculos cotidianos que temos que superar para ter acesso à Saúde. Tais obstáculos vão desde a falta de materiais, equipamentos e profissionais de saúde até à dificuldade de conseguir pagar por um transporte público que nos permita chegar ao serviço de saúde para ser atendido.

Primeiro, é preciso compreender que saúde não se restringe à ausência de doença, mas engloba uma situação de bem-estar físico, psíquico e social. Assim, o acesso a esta não se resume a ir ao posto de saúde, tomar remédio, ver o médico; mas se insere em uma perspectiva de qualidade de vida. Continue reading “As catracas da saúde”

[SP] 19% da renda mensal é comprometida com passagens de metrô

por Fabiana Pimentel

SÃO PAULO – Em São Paulo, onde a linha de metrô tem extensão de 74,3 km e a passagem custa R$ 2,90, uma pessoa que ganha o salário mínimo estadual (R$ 610) teria 19,02% da renda comprometida, por mês, ao comprar dois bilhetes por dia. O levantamento foi realizado pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

Mesmo não tendo a tarifa metroviária mais cara do mundo, se considerada a faixa de renda mínima local, o valor do bilhete unitário na cidade de São Paulo pode ser considerado alto, pois nas cidades com tarifas mais altas, o salário também é maior e o comprometimento da renda é menor. Continue reading “[SP] 19% da renda mensal é comprometida com passagens de metrô”