Invertendo prioridades: uma política que possa unificar o campo de esquerda

Só uma correção a respeito do artigo abaixo: o MPL tentou, e tenta, fazer esse movimento político de inversão a que se refere Reginaldo, apontar a idiossincrasia do sistema de tributação e redistribuição de riqueza no Brasil, onde os muito ricos pagam pouco imposto em proporção aos seus rendimentos e o Estado não aplica o suficiente do PIB em serviços públicos essenciais. Perversão total. Esta política se apresenta na frase em que o movimento busca sintetizar sua missão, ao mesmo tempo pontual e ponto nodal dos conflitos da nossa sociedade arcaica de classes: “Tarifa zero paga pelos ricos”.

Certa esquerda ou não o percebeu, ou percebeu e se movimentou também politicamente para desqualificar a demanda de que os direitos sociais tenham prioridade sobre as limitações da inclusão pelo mercado, que estes direitos sejam ampliados e custeados pela elite protegida pelo Estado. Convencê-la também poderia humildemente estar entre os nossos planos, levando em consideração a complexa mediação de projetos de sociedade na qual assumiram responsabilidade. Mediação que carece da força do lado esquerdo no momento. Muito por responsabilidade dos processos deste campo, que já são conhecidos pelos textos e por experiência; processos que enfraqueceram a força social popular independente, e falo mesmo da força social do próprio partido. De qualquer forma, venho pensando em como pode ser importante abrir uma porta para que setores hoje desqualificados e descartados como governistas, mas que não fazem parte da máquina propriamente dita e aspiram emancipações à esquerda, somem-se a essa perspectiva estratégica crítica. Pode ser uma aposta ingênua, mas não tem jeito, cresci ouvindo Sham 69. If the kids are united, they will never be divided…

Levo em consideração que nossa responsabilidade é com o futuro, mas também com as gerações do presente.

Que os super-ricos paguem a conta ou como tirar a classe média da influência da direita

Nos últimos anos, os bilionários brasileiros e seus cães de guarda na mídia perceberam que podiam conquistar o ressentimento da classe média para jogá-la contra os pobres, os nordestinos, os negros, tudo, enfim, que se aproximasse dos grupos sociais que fossem alvo de políticas compensatórias, de redistribuição. E contra governos e partidos que tomassem essa causa. E a esquerda, de certo modo, assistiu a essa conquista ideológica sem ter resposta. Uma resposta política: a criação de movimentos reformadores que fizessem o movimento inverso, isto é, colocassem essa classe média contra os altos andares da riqueza. Nós não soubemos fazer isso”, escreve Reginaldo Moraes, em artigo publicado por Brasil Debate, 10-09-2015. Continue reading “Invertendo prioridades: uma política que possa unificar o campo de esquerda”

[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Breves considerações sobre IR e a distribuição de renda no Brasil

por Carlos Eduardo Fernandez da Silveira

A desconcentração de renda dos últimos anos foi, segundo dados revelados recentemente, menor do que se supunha. Fica claro que mexer na distribuição de renda exige ir além das políticas compensatórias. Há que se tocar no centro nevrálgico das decisões econômicas

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[Floripa] Faixa exclusiva

Três dias após o 3º Ato Contra o Aumento da Tarifa, no qual manifestantes ocuparam a Avenida Beira Mar Norte e lá pintaram uma faixa exclusiva para ônibus, a prefeitura de Florianópolis anunciou um programa de obras “para melhorar a mobilidade urbana na cidade”. Com um custo total de R$ 750 milhões, o pacote inclui a construção de 17 quilômetros de faixa exclusiva para ônibus, que irá demorar três anos para sua conclusão.

Segundo o prefeito, essa será “a maior intervenção já feita na história do transporte coletivo de Florianópolis”. Enquanto isso, o Movimento Passe Livre Floripa e a Frente de Luta pelo Transporte fizeram, em menos de um dia, 2 quilômetros de faixa exclusiva para ônibus, gastando menos de R$ 100,00 e usando seus próprios recursos. Quem são os verdadeiros vândalos?

Veja aqui um vídeo do Ato e da pintura da faixa exclusiva.

Subsidiar a tarifa nos transportes públicos urbanos. Questão de governo ou de gerenciamento?

por Lúcio Gregori (publicado ontem no UOL)

O governo recentemente anunciou aumentos da Cide e do PIS/Cofins da gasolina, do IOF em empréstimos e financiamentos para pessoa física, ajustes em benefícios – como seguro desemprego -, e aumento na taxa de juros (de 11,75% para 12,5 %).

Com essas medidas, o ministro da Fazenda diz ser necessário cortar subsídios. Convém lembrar que há subsídios e subsídios, como diria o conselheiro Acácio, personagem de “O Primo Basílio”, de Eça de Queiróz. De quais subsídios fala Joaquim Levy?

Em Davos, ele declarou que “a maioria das pessoas no Brasil está preparada para pagar por serviços”, tendo acrescentado: “as manifestações de 2013 pediam um governo melhor, e não um governo maior”.

Será que o ministro entendeu mesmo a voz das ruas? Por que os bancos, os milionários, as altas rendas, as grandes fortunas, as heranças volumosas, os iates e os jatinhos não sofrerão ajuste tributário? Continue reading “Subsidiar a tarifa nos transportes públicos urbanos. Questão de governo ou de gerenciamento?”

Aula pública no Anhangabaú: Tarifa Zero já!

por Movimento Passe Livre São Paulo

Um dia antes de entrar em vigor a nova tarifa de R$3,50, decretada por Haddad e Alckmin, centenas de pessoas se reuniram para participar de uma aula pública sobre transportes no centro da cidade. O evento, marcado para em frente à Prefeitura, mudou para debaixo do Viaduto do Chá devido à chuva.

Esteve presente Lúcio Gregori, engenheiro que foi Secretário de Transportes de São Paulo no início dos anos 1990 e trabalhou, na época, na elaboração de um projeto de Tarifa Zero e municipalização dos ônibus da capital. A Tarifa Zero se mostrou perfeitamente viável do ponto de vista técnico e econômico, mas não foi implementada por falta de vontade político. Continue reading “Aula pública no Anhangabaú: Tarifa Zero já!”

Sucinto



Em menos de um minuto o Khaled, do MPL Floripa, resumiu muitas das questões centrais em jogo nessa caminhada rumo à tarifa zero. Uma entrevista atemporal, pelo menos até conquistarmos o novo modelo de transporte voltado para a vida da população e não para os negócios.

[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Montadoras querem redução do IPI, mas remetem R$ 36 bilhões em lucros

A reeleição da presidenta Dilma Rousseff aconteceu no domingo (26) e na segunda (27), o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Moan, viajava a Brasília para pressionar o governo federal a retomar o debate sobre a manutenção da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 2015. Continue reading “[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Montadoras querem redução do IPI, mas remetem R$ 36 bilhões em lucros”

[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Sonegação milionária da Globo começa a ser divulgada

Por Rafael Zanvettor, da Caros Amigos

Foram divulgadas, nesta quinta-feira (17) pelo blog O Cafezinho, 29 páginas do processo da Receita Federal contra a Rede Globo. O relatório divulgado comprova que as organizações Globo criaram um esquema internacional envolvendo diversas empresas em sedes por todo o mundo para mascarar a compra dos direitos da Copa do Mundo de 2002. O objetivo principal seria o de sonegar os impostos que deveriam ser pagos à União em pela compra dos direitos.

A expectativa é que os primeiros documentos viessem a público no domingo, pouco depois da final da Copa, mas, por questões de segurança, a divulgação aconteceu nesta quinta-feira. Continue reading “[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Sonegação milionária da Globo começa a ser divulgada”

[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] SP gastará R$ 35 milhões com canhão de água e blindados antiprotesto

por Débora Melo

As ações da Polícia Militar do Estado de São Paulo no controle de manifestações vão contar com 14 veículos blindados, entre eles quatro caminhões equipados com canhões de água para dispersar multidões. O processo de licitação internacional, que foi aberto em dezembro e está em andamento, estima um gasto de até US$ 15 milhões com a frota, o equivalente a cerca de R$ 35 milhões.

Segundo a PM, cada veículo com jato de água deverá custar US$ 808.476 (R$ 1,8 milhão). Com capacidade para atingir pessoas que estejam a até 60 metros de distância, o canhão permitirá combinações de água com gás lacrimogêneo e tinta, que poderá ajudar na identificação posterior de manifestantes. Continue reading “[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] SP gastará R$ 35 milhões com canhão de água e blindados antiprotesto”

[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Para Copa, governo compra 2.691 armas de balas de borracha. Gasto: R$ 30 milhões

por Rodrigo Mattos, do UOL

O governo federal comprou um total de 2.691 kits com armas de balas de borracha e munição para distribuir a policiais para combater protestos na Copa-2014. O investimento total é de R$ 30 milhões, e representa apenas uma parte do gasto com armas não-letais. Impedir que manifestações afetem o Mundial e seus torcedores é uma das prioridades da União na segurança do evento.

Desde o início do protestos da Copa das Confederações, a União começou a adquirir armamento não-letal, realizando três compras com a empresa Condor Tecnologias não-letais, com sede no Rio de Janeiro. A primeira leva de equipamentos foi fornecida sem licitação por conta da urgência da competição do ano passado. As outras duas licitações foram vencidas pela mesma empresa, que vende para o exterior.

No total, o governo federal já gastou R$ 49,5 milhões com armas não letais. Continue reading “[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Para Copa, governo compra 2.691 armas de balas de borracha. Gasto: R$ 30 milhões”

[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Governo investe R$ 143 bilhões em mobilidade urbana

A presidente Dilma Rousseff disse hoje que o governo federal, em parceria com estados e municípios, está investindo R$ 143 bilhões em mobilidade urbana. Segundo a presidenta, a prioridade é o transporte sobre trilhos: são R$ 33 bilhões só do governo federal para construir metrôs em nove cidades brasileiras. “Nosso objetivo é ampliar e acelerar as obras, que vão tornar o transporte coletivo mais confortável, rápido e muito mais seguro e com um preço bem acessível”.  Continue reading “[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Governo investe R$ 143 bilhões em mobilidade urbana”

[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Governo federal e sedes da Copa do Mundo estimam gastos de R$ 1,5 bilhão na compra de equipamentos de segurança

Autoridades estão preocupadas com manifestações programadas e com reação exagerada da polícia. A ordem é que haja um trabalho sincronizado entre os órgãos de segurança para evitar complicações.

Um robô anti bomba guiado por controle remoto. Tanques com jatos d’água potentes para dispersar multidões. Pequenas aeronovas que captam e transmitem som e imagem aos centros de comando, além do arsenal já conhecido dos manifestantes: spray de pimenta, pistola de choque e granadas de efeito moral.

O governo federal e doze estados, que vão receber jogos da copa do mundo, estimam gastos de um bilhão e meio de reais com a compra de armas, reformas de estruturas e cursos. Continue reading “[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Governo federal e sedes da Copa do Mundo estimam gastos de R$ 1,5 bilhão na compra de equipamentos de segurança”

[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Armas não letais, vagas de garagem e cursos: segurança da Copa já consumiu R$ 500 milhões

por Lúcio de Castro, da ESPN Brasil

“Estádios versus hospitais e escolas”. A discussão que tomou conta do Brasil desde que o país foi escolhido como sede de grandes eventos, e envolveu até Ronaldo Fenômeno, pode ganhar força e novos argumentos para os críticos dos gastos “Padrão Fifa”. É o que revelam os contratos assinados pela Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (SESGE), subordinada ao Ministério da Justiça, obtidos por esta reportagem. Os acordos mostram que os gastos federais com os grandes eventos vão muito além de estádios, passando por armamentos, cursos de inglês e vagas de garagem para seus diretores. O governo federal teve um gasto de quase quinhentos milhões de reais ( R$ 484.424.678,32 ) com a secretaria que cuida da segurança dos grandes eventos entre os anos de 2011 (quando foi criada) e 2013. Continue reading “[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Armas não letais, vagas de garagem e cursos: segurança da Copa já consumiu R$ 500 milhões”

Isenção de impostos não leva ao transporte público de verdade

O Congresso prorrogou por mais 60 dias a Medida Provisória 617, que isenta as empresas de transporte coletivo do pagamento de impostos (PIS/Cofins). A expectativa é que esta medida se transforme em lei.

Isentar as empresas do pagamento de impostos é uma ideia desesperada para conter no curto prazo o cenário catastrófico de exclusão proporcionado pelo sistema de transporte. Quantos impostos ainda poderão ser ignorados pelo poder público? Qual é o fim desta política? Certamente não caminha em direção ao transporte público de verdade, pois: Continue reading “Isenção de impostos não leva ao transporte público de verdade”

Em torno do direito de ir e vir: existe diálogo em São Paulo?

por Raquel Rolnik

Depois de duas semanas em missão como relatora da ONU na Indonésia, volto ao Brasil e encontro minha cidade em pé de guerra como há muito tempo não via por aqui. A resposta truculenta da polícia de São Paulo à manifestação contra o aumento das passagens no transporte público chegou ontem ao seu auge. O que vi foi violência contra um movimento que há anos vem lutando, não apenas em São Paulo, mas em várias capitais brasileiras, não apenas contra os aumentos do valor das passagens, mas pelo direito à mobilidade como elemento essencial do direito à cidade. Continue reading “Em torno do direito de ir e vir: existe diálogo em São Paulo?”