Em torno do direito de ir e vir: existe diálogo em São Paulo?

por Raquel Rolnik

Depois de duas semanas em missão como relatora da ONU na Indonésia, volto ao Brasil e encontro minha cidade em pé de guerra como há muito tempo não via por aqui. A resposta truculenta da polícia de São Paulo à manifestação contra o aumento das passagens no transporte público chegou ontem ao seu auge. O que vi foi violência contra um movimento que há anos vem lutando, não apenas em São Paulo, mas em várias capitais brasileiras, não apenas contra os aumentos do valor das passagens, mas pelo direito à mobilidade como elemento essencial do direito à cidade. Continue reading “Em torno do direito de ir e vir: existe diálogo em São Paulo?”

Junho é tempo de queimar catraca em São Paulo

Como convite para o ato de hoje contra o aumento das tarifas no transporte coletivo em São Paulo, escolhi publicar esse desenho lindo da Laura Viana, que lembra a identidade visual dos primeiros anos de materiais do Movimento Passe Livre, quando o movimento buscava uma linguagem que fosse especial como a sua prática. O encontro para a manifestação será às 17h, na frente do Teatro Municipal (metrô Anhangabaú). Por um transporte público de verdade!

[Joinville] Entrevista com Maikon Jean Duarte, da Frente de Luta pelo Transporte Público

Ouça entrevista de Maikon Jean Duarte, do Movimento Passe Livre de Joinville e da Frente de Luta pelo Transporte Público, no programa Hora do Trabalhador, da Rádio Clube:

Maikon abordou assuntos como a violência policial contra os manifestantes que estão em campanha contra reajuste nas tarifas da cidade e também sobre o debate principal em torno do transporte como um direito, gratuito e de qualidade.

Para download, clique aqui.

Mais infos: http://nozarcao.blogspot.com/

O fracasso do modelo privado de transporte coletivo em Joinville – por um transporte público

por Hernandez Vivan

O transporte coletivo de modelo privado fracassou em Joinville – e poderíamos estender, grosso modo, a mesma afirmação para o restante do Brasil. Essa é uma afirmação forte, certamente, mas ainda sim não se trata de exagero ou desvio retórico. Hoje o transporte coletivo tem uma qualidade ruim, tarifa cara e é incapaz de agregar mais passageiros, perdendo usuários para carros e motos. É necessário demonstrar esse fracasso, pois assim poderemos pensar para além desse modelo privado. O texto que segue é uma tentativa disso. O problema de fundo é a licitação do transporte coletivo anunciada pelo IPPUJ. Queremos pensar uma alternativa de transporte que não seja apenas a mera legalização das atuais empresas privadas – o que aparentemente se avizinha nos planos do IPPUJ. Exploração do transporte ilegal e sem licitação é tão boa – ou melhor, tão ruim – quanto exploração legalizada e licitada. Continue reading “O fracasso do modelo privado de transporte coletivo em Joinville – por um transporte público”

Trens e ônibus sem policiais, transporte gratuito para todos e todas

Publicado no Bay of Rage, site editado por ativistas anticapitalistas da região da Baía de São Francisco, Estados Unidos

Duas simples exigências:

Trens e ônibus sem policiais
Transporte gratuito para todos e todas

Não temos dinheiro para pagar a tarifa e, mesmo se tivéssemos, teríamos coisas melhores para gastar nossa grana. Pulamos as catracas, entramos pelas portas traseiras e compramos passes nas ruas. Continue reading “Trens e ônibus sem policiais, transporte gratuito para todos e todas”

A versão punk rock contemporânea do “pula catraca”

por Yuri Gama

Cerebral Ballzy é uma banda de punk rock do leste de Nova Iorque, Brooklyn, Estados Unidos. Insufficient Fare é uma música especificamente sobre você ter saldo zero no cartão do metrô, não ligar pra isso e mesmo assim usá-lo. No show da banda o vocalista dedica essa música “pra todo mundo que nunca tem grana pra pagar o transporte público” e “pra todo mundo que é oprimido pelo inferno que é a economia”. Continue reading “A versão punk rock contemporânea do “pula catraca””

Transporte, um direito social – por Luiza Erundina

por Luiza Erundina

A locomoção nas cidades, especialmente nos grandes centros urbanos, é um enorme problema para a população em geral, mas sobretudo para os trabalhadores que dependem do transporte coletivo para deslocar-se de casa para o trabalho.

Representa também um grande desafio para os gestores públicos que devem responder com uma política de transporte capaz de atender aos vários aspectos da questão, como as grandes distâncias a serem percorridas; o trânsito caótico em ruas e avenidas onde automóveis e coletivos disputam freneticamente o espaço exíguo para um tráfego intenso; e o elevado custo do serviço. Continue reading “Transporte, um direito social – por Luiza Erundina”

Por uma vida sem catracas: uma análise dos vínculos e relações entre a juventude contestadora contemporânea e a cidade

por Yuri Gama

No período entre meados de 1999 e junho de 2011, Florianópolis foi palco de diversas manifestações juvenis pelo passe livre estudantil e protestos populares contra os aumentos de tarifas do transporte coletivo, principalmente no que ficou publicamente conhecido como as Revoltas das Catracas, nos anos de 2004 e 2005. Tendo em vista a participação de uma juventude contestadora organizada nas ações coletivas e no aprofundamento e disseminação do debate sobre mobilidade urbana, através da formulação de propostas de transformações sociais, este trabalho tem como objetivo compreender as relações e vínculos que essa juventude estabelece com a cidade. Com base no material coletado, procuramos caracterizar quem são esses jovens protagonistas, analisando como eles definem e dão sentido à participação política coletiva na cidade; às concepções de cidade e cidade ideal; identificando e analisando a concepção deles de direito à cidade; e identificando as questões sócio-históricas na cidade de Florianópolis que acabaram resultando nas contínuas manifestações de contestação.

Baixe e leia o trabalho!

Dos direitos de ir e vir

por Fábio Brüggemann

Seminários, congressos, debates e artigos têm refletido, com maior ou menor profundidade, um dilema das cidades maiores: até quando o “poder” andar de automóvel pode se sobrepor ao “direito” de ir e vir da maioria? Quase sempre, chega-se à conclusão de que não há mais sentido o uso intensivo de veículos pessoais nos grandes centros. Uma pesquisa empírica feita em plena Avenida Paulista, em São Paulo, planejou uma espécie de corrida maluca entre um carro e um pedestre. Ambos percorreram todo o seu trajeto num horário crítico, e o automóvel chegou apenas cinco minutos antes do pedestre. Continue reading “Dos direitos de ir e vir”

Pelo direito de ir e vir na cidade: mobilidade urbana e inclusão social em Cidade Praia – Natal/RN

por Juciara Conceição de Freitas Assunção e Maria Cristina Cavalcanti Araújo

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Para a população residente  nas áreas periféricas da cidade cabe se deslocar para o centro de produção da cidade  através de transporte coletivo, que, apesar de ser considerado como serviço público, tem  que ser pago por aqueles que dele necessita.

RESUMO
Este trabalho tem como tema o fenômeno da mobilidade urbana e sua importância para a inclusão social na sociedade contemporânea. Tem como referência de análise a localidade de Cidade Praia, situada no bairro Lagoa Azul, Natal – RN. Continue reading “Pelo direito de ir e vir na cidade: mobilidade urbana e inclusão social em Cidade Praia – Natal/RN”

Carta de Convergência do Seminário de Mobilidade Urbana da Frente de Luta pelo Transporte Público

Florianópolis vive há anos uma crise de mobilidade urbana, em particular no sistema de transporte coletivo. Esta crise atinge a população de forma mais nítida nos momentos em que se elevam as tarifas, mas ela também se manifesta em outras situações. Por exemplo, no fato de o sistema de transporte ser operado hoje de forma ilegal – uma vez que os contratos das empresas que exploram o transporte coletivo estão vencidos desde 2010. Esta crise não é um “privilégio” da capital catarinense. Em todo o país, as políticas para a mobilidade priorizam o uso do transporte individual em detrimento do coletivo. Seguem a lógica do controle social e econômico: por meio da tarifa e dos horários dos ônibus define-se quem pode ou não circular pela cidade, ir aos hospitais, locais de estudo; usufruir dos bens, serviços e todos os lugares de lazer que ela oferece. Quem tem dinheiro, pode. E quem não tem? Tudo organizado sem a participação da sociedade.

Por conta disso, a Frente de Luta pelo Transporte Público organizou um Seminário de Mobilidade Urbana, realizado em abril de 2011, para discutir um novo projeto político para o transporte. As reivindicações estão centradas em três grandes eixos, que nos servirão para a construção de um novo modelo, realmente público e de qualidade, que não seja pautado pelo lucro.

1- Transporte como Direito: Continue reading “Carta de Convergência do Seminário de Mobilidade Urbana da Frente de Luta pelo Transporte Público”

Em defesa da tarifa zero, direito social ao transporte público urbano

por Gert Schinke

A bandeira da tarifa zero, gratuidade do transporte público coletivo urbano, deve ser vista como uma conquista social da maior envergadura, colocada no mesmo patamar dos demais “direitos sociais” garantidos na Constituição Federal. Não é pouca coisa. Em certa medida, uma “utopia”, no bom sentido do termo, dada a sua envergadura, alcance e dimensão social. Tão pouco é novidade, pois até mesmo praticada em outros rincões mundo afora, e no Brasil também, ainda que limitadamente ao final dos anos 1980, no governo Erundina na Prefeitura de São Paulo. O paralelo com o sistema SUS é procedente no que diz respeito à universalização e gratuidade a toda população, embora ressalvando as deficiências e limitações que o sistema apresenta e se aprofundam dia a dia no conturbado meio urbano, carente de bom planejamento e boa gestão da coisa pública – corrupção, tráfico de influência, falta de transparência e participação. Continue reading “Em defesa da tarifa zero, direito social ao transporte público urbano”

Aumento passagem de ônibus em São Paulo desenterra projeto de Tarifa Zero

por Mariana Queen Nwabasili

Lembrando plano de 1990, especialistas afirmam que se o transporte fosse inteiramente subsidiado, a economia da cidade seria aquecida

O aumento da tarifa de ônibus de 2,70 para 3,00 – 11% – em São Paulo, desde o dia 5 de janeiro, gerou insatisfação entre paulistanos. Jovens da cidade reivindicam pela redução imediata da tarifa com manifestações que tiveram inicio no dia 17 de janeiro. A exigência perpassa questões como o maior subsídio às empresas de ônibus e a possibilidade de Tarifa Zero. “Se o transporte fosse inteiramente subsidiado, o sistema econômico da cidade não entraria em colapso”, diz Klara Kaiser, professora de Planejamento da FAU-USP. Continue reading “Aumento passagem de ônibus em São Paulo desenterra projeto de Tarifa Zero”

São Paulo em luta pela mobilidade urbana

Costuma-se dizer que no Brasil o ano só começa depois da folia do Carnaval. Há, exatamente em função desse mito, a reprodução de uma ilusão – sustentada pela idéia de um imaginário coletivo – de que o novo ano que se inicia só começa a valer de fato após o esperado feriado de Carnaval. Essa assertiva tem uma dose de realidade, especialmente quando deixamos aqueles compromissos ou tarefas perfeitamente adiáveis para final de fevereiro, ou no caso deste ano de 2011, para meados de março.

Renata Sampaio

Mas, a obviedade dos fatos nos faz sublinhar que ano começou em um sábado, dia 1º de janeiro (data na qual nem todos são agraciados com o direito ao merecido descanso após as festividades de Reveillon). Em São Paulo, já no dia 05 de janeiro, fomos lembrados pela experiência cotidiana posta pela necessidade de mobilidade pela cidade de que nem todos nossos “compromissos ou tarefas” poderiam ser adiados para depois do Carnaval. Isso porque no dia 05 de janeiro de 2011 as passagens de ônibus em São Paulo chegaram ao exorbitante patamar de R$ 3,00, em um reajuste de 11,11%, que tornou a tarifa em São Paulo a mais cara do país; irracional do ponto de vista social, mas perfeitamente racionalizável quando levamos em conta o imbricamento complexo que envolve o plano do econômico com o político. Esse assombro aparece como uma espécie de “déja-vu” do ano de 2010, quando em 04 de janeiro, também na gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM), houve um reajuste da tarifa de ônibus que aumentou a passagem de R$ 2,30 para a já inviável tarifa de R$ 2,70. Continue reading “São Paulo em luta pela mobilidade urbana”