O que a Tarifa Zero, os bancos e as concessionárias de automóveis poderiam ter em comum mas ainda não têm

Por Graziela Kunsch
Colaborou Daniel Guimarães

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Escrevo este texto a partir da experiência da manifestação organizada pelo Movimento Passe Livre no dia 19 de junho de 2014 em São Paulo e a sua repercussão na imprensa. Esclareço desde já que o texto é assinado por mim individualmente e que não falo em nome de ninguém. Busco apenas contribuir como pessoa que estava presente no ato e que ainda se choca com as distorções desleais feitas por alguns jornalistas dos veículos de imprensa hegemônicos, que estavam igualmente presentes. Farei uma reflexão sobre o que o ataque a agências bancárias e concessionárias de automóveis poderia ter a ver com a luta pela gratuidade no transporte, mas que no ato do dia 19 não teve; além de uma crítica à criminalização dos movimentos sociais. Escolhi me posicionar diante do que considero uma tática equivocada para o nosso momento atual, mas tenho a clareza de que a verdadeira violência é promovida pelo Estado, tanto pela sua polícia como pelas suas políticas públicas distorcidas, que servem mais a interesses privados.

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Existe luta em São Paulo


Isso que é amor em SP. Foto: Graziela Kunsch
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Trecho final da manifestação contra o aumento de 11 de junho de 2013, minutos antes de a Polícia Militar disparar bombas e mais bombas de gás.

A tarifa zero no horizonte do possível

Acabo de ler o texto de Nabil Bonduki na coluna Opinião da Folha de S. Paulo de hoje, dia 11 de junho de 2013.  Infelizmente Nabil está repetindo a visão limitada que teve na época da Erundina, como fez boa parte do PT e como fizeram outros urbanistas importantes que atuaram naquele governo. Não basta reduzir o preço, a tarifa tem que ser ZERO. A tarifa zero já está no horizonte do possível; a prefeitura já sabe até mesmo dizer quanto custaria zerar a tarifa (vide entrevista com Fernando Haddad publicada no jornal O Estado de S. Paulo) e o Movimento Passe Livre já respondeu, lembrando que esse valor é exatamente o que aumentou no orçamento anual da cidade. TARIFA ZERO já. Quero ver a opinião de Lúcio Gregori na Folha, isso sim. Precisamos das ideias de pessoas visionárias para mudar radicalmente o atual paradigma do transporte público, que é considerá-lo uma mercadoria e não um direito essencial.

Esse menino entende mais de ponto de ônibus que a prefeitura de São Paulo

Fiz essa foto no começo de março, sem saber que dentro de pouco tempo a prefeitura de São Paulo começaria a instalar novos pontos de ônibus em áreas ricas da cidade. Esses novos pontos foram desenhados pelo designer carioca Guto Índio da Costa, devem ter custado um monte de dinheiro público e: 1. não informam quais ônibus passam ali; 2. não informam horários dos ônibus; 3. não informam itinerários dos ônibus; 4. são feitos de vidro e não protegem do sol; Continue reading “Esse menino entende mais de ponto de ônibus que a prefeitura de São Paulo”

Entrevista com Bruno Pere, autor do trabalho “Todo vagão tem um pouco de navio negreiro”

Tempos atrás postei uma matéria da Folha de S.Paulo sobre censura a trabalhos de dois grafiteiros de São Paulo nos muros de uma futura estação de metrô. Foram cobertas por tinta verde e, depois da exposição negativa que o caso trouxe à Companhia do Metrô, foram refeitas.  Um dos trabalhos, de Bruno Pere, paulistano de 27 anos, chamou a atenção pela pertinência tanto da imagem quanto da frase que a acompanhava: “Todo vagão tem um pouco de navio negreiro”.  Não poderia ter acertado mais, já que, passados 500 anos, o transporte coletivo ainda é visto como uma forma de transportar mão de obra de um lugar a outro. Nada de direito, inclusive no novo Plano de Mobilidade Urbana do Governo Dilma. Mas esse papo fica pra depois.

Fiz uma conversa com o Bruno sobre este caso, mas também sobre a cena de grafiteiros, linguagens, comunicação e transporte coletivo. Por coincidência, a conversa rolou dentro do Metrô.

Ouça:

Baixe o arquivo aqui.

Flickr do Bruno http://www.flickr.com/bpere

Raoul Vaneigem sobre a gratuidade

Trecho de uma entrevista do escritor Raoul Vaneigem, ligado à Internacional Situacionista na década de 1960, concedida à revista e-flux.

(…) Hans Ulrich Obrist: Poderias falar sobre o princípio da gratuidade (estou extremamente interessado nisso; como curador de museu sempre acreditei que os museus devem ser livres – Arte para Todos, como Gilbert e George o colocam).

Raoul Vaneigem: Gratuidade é a única arma capaz de despedaçar a poderosa máquina de auto-destruição posta em movimento pela sociedade de consumo, cuja implosão está ainda a libertar, como um gás mortal, mentalidade de sovina, cobiça, ganho financeiro, lucro e predação. Museus e cultura devem ser livres, com certeza, mas também o deviam ser os serviços públicos, atualmente presos aos esquemas das multinacionais e estados. Trens, ônibus e metrôs gratuitos, saúde, escolas livres, água livre, ar, electricidade, energia livre, tudo através de redes alternativas a serem criadas. À medida que a gratuidade se espalha, novas redes de solidariedade erradicam o estrangulamento da mercadoria. Isto porque a vida é uma dádiva gratuita, uma criação contínua que a vil especulação do mercado nos priva. (…)

Leia a entrevista na íntegra aqui.

Transporte público foi o principal tema dos quadrinhos

por Julia Dietrich

A primeira oficina aberta à comunidade de 2011, a atividade de “Comics Power”, reuniu cinco jovens bastante interessados em transformar o mundo a partir da linguagem dos quadrinhos. Seguindo a metodologia de Shared Sharma, idealizador da proposta de Comics Power, os jovens se reuniram para discutir os temas que os mobilizavam. Questões como acesso à saúde, educação e cultura foram amplamente debatidas, mas o tema do acesso ao transporte de qualidade e a baixo custo foi o assunto escolhido. Continue reading “Transporte público foi o principal tema dos quadrinhos”

Nota Pública do Movimento Passe Livre São Paulo em Solidariedade à Massa Crítica de Porto Alegre e aos Ciclistas em geral

“Sai da frente! Eu quero passar!” Buzinas, motoristas raivosos e a pressa de quem não consegue esperar…

Em nossa incansável jornada de luta contra o aumento das tarifas aqui na cidade de São Paulo, já passamos por situações muito desconfortáveis, para dizer o mínimo. Para além da agressividade da Polícia Militar de SP, que reprimiu por duas ocasiões as pessoas que protestavam pacificamente nas ruas, também tivemos, diversas vezes, desentendimentos e discussões acaloradas com motoristas impacientes e que não gostavam de esperar a passagem de nossas manifestações. Continue reading “Nota Pública do Movimento Passe Livre São Paulo em Solidariedade à Massa Crítica de Porto Alegre e aos Ciclistas em geral”

Música: Tarifa Zero

Música de Lúcio Gregori, letra de Rogério Santos.

Para baixar, clique aqui.

Para ouvir sem baixar:

Tarifa Zero
(Rogério Santos)

Vou andar com fé
Da Lapa a Penha, do Ó a Sé

Eu já pedi pra São Gregório pra me ajudar
A sola do meu sapato vai acabar
De coletivo tá muito caro
Tarifa zero vai salvar o  meu salário

Como andar com fé
Da Lapa à Penha .do Ó à Sé?

O meu pedido já bateu: engavetado !
Picareta se elegeu no nosso bairro
Vereador anda de carro
Enquanto o pobre, só se for presidiário

Sei que até Jesus
Se quiser deixar Belém
Vai ver a cruz que aqui tem

Vou andar com fé
Da Lapa à Penha, do Ó à Sé

O meu pedido já bateu engavetado
Por um cara de madeira envernizado
Vou seguir a minha  sina  de dromedário
Colocar a meia-sola no meu sapato