[Floripa] Faixa exclusiva

Três dias após o 3º Ato Contra o Aumento da Tarifa, no qual manifestantes ocuparam a Avenida Beira Mar Norte e lá pintaram uma faixa exclusiva para ônibus, a prefeitura de Florianópolis anunciou um programa de obras “para melhorar a mobilidade urbana na cidade”. Com um custo total de R$ 750 milhões, o pacote inclui a construção de 17 quilômetros de faixa exclusiva para ônibus, que irá demorar três anos para sua conclusão.

Segundo o prefeito, essa será “a maior intervenção já feita na história do transporte coletivo de Florianópolis”. Enquanto isso, o Movimento Passe Livre Floripa e a Frente de Luta pelo Transporte fizeram, em menos de um dia, 2 quilômetros de faixa exclusiva para ônibus, gastando menos de R$ 100,00 e usando seus próprios recursos. Quem são os verdadeiros vândalos?

Veja aqui um vídeo do Ato e da pintura da faixa exclusiva.

Tarifa Zero e mobilidade sustentável

Palestra proferida no dia 12 de julho de 2013, às 19h, no auditório da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia — UFBA

Destaques para a fala de Caio Ferreira (aos 25 minutos), do Movimento Passe Livre São Paulo, e Luiza Erundina (aos 38 minutos), deputada federal e ex-prefeita de São Paulo (1989-1993), gestão que formulou o Projeto Tarifa Zero.

O que a Tarifa Zero, os bancos e as concessionárias de automóveis poderiam ter em comum mas ainda não têm

Por Graziela Kunsch
Colaborou Daniel Guimarães

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Escrevo este texto a partir da experiência da manifestação organizada pelo Movimento Passe Livre no dia 19 de junho de 2014 em São Paulo e a sua repercussão na imprensa. Esclareço desde já que o texto é assinado por mim individualmente e que não falo em nome de ninguém. Busco apenas contribuir como pessoa que estava presente no ato e que ainda se choca com as distorções desleais feitas por alguns jornalistas dos veículos de imprensa hegemônicos, que estavam igualmente presentes. Farei uma reflexão sobre o que o ataque a agências bancárias e concessionárias de automóveis poderia ter a ver com a luta pela gratuidade no transporte, mas que no ato do dia 19 não teve; além de uma crítica à criminalização dos movimentos sociais. Escolhi me posicionar diante do que considero uma tática equivocada para o nosso momento atual, mas tenho a clareza de que a verdadeira violência é promovida pelo Estado, tanto pela sua polícia como pelas suas políticas públicas distorcidas, que servem mais a interesses privados.

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[São Paulo] Túnel Av. Paulista – Dr. Arnaldo: vídeo do ato por Tarifa Zero de 19/6

clique aqui se preferir ver diretamente no Vimeo, em janela maior

Comemorando um ano da revogação do aumento de 20 centavos nas tarifas de ônibus, trem e metrô na cidade de São Paulo, o Movimento Passe Livre realizou um ato por TARIFA ZERO e pela readmissão de 42 metroviários, demitidos por terem feito greve parcial. O ato aconteceu durante um dos jogos da Copa do Mundo mas, no lugar do mote “Não vai ter copa”, o movimento propôs a frase “Não vai ter tarifa”. Este pequeno vídeo mostra um dos momentos da manifestação.

Violência e imaginação – Quando o cotidiano desce do ônibus

por Luiza Mandetta e Leonardo Cordeiro

Entre as bombas e as barricadas de junho, outro momento pulsa, velado. O que os instantes capturados das ruas pelas câmeras carregam, mas não mostram, é o suor derramado em tantos   ônibus, em tantos trens, por tantas horas, todos os dias. O sangue que jorrou era o mesmo que sempre correu – silencioso embora ardente – nas veias e artérias da cidade-máquina.

Derrame? Coágulo? O distúrbio congênito que vinha se agravando afinal interrompeu o fluxo. Não eram mais os ônibus, as motos, os automóveis que tomavam as ruas. Eram as pessoas. A pé. E forçavam as outras a descer para o asfalto. O burburinho do interior dos vagões cresceu e invadiu as ruas. Se os trens não aparecem nas fotos, o dia a dia de empurrões, aperto, espera e humilhação, e também de sonho, devaneio, conversa e riso, certamente ecoa em cada uma delas.

Pulsavam nas ruas, dilatadas, distendidas, a violência e a imaginação do momento do transporte. Momento que é lugar. Continue reading “Violência e imaginação – Quando o cotidiano desce do ônibus”

Robsoul – Descatraca



Mó goela tio
E a condução tá 3 conto
E daqui a pouco
Vai ter taxa nos pontos
E quase capotou
O buso que lotou
E se quebrar quem paga
É o motorista e o cobrador
A exploração é geral
A condição é mil grau
Pra nós navio negreiro
Pro patrão uma nau
Só pensam no lucro
Bagulho absurdo
Pagar pra trabalhar
Situação que tá o cúmulo
O preço da passagem
Tira o direito à cidade
Pra nós é cárcere
Na visão deles, vantagem
Sem teatro
Casas culturais, parques
Ilhado na quebrada
Sem universidade
Fala prucê, patrão
Seu plano faiô
A pista travô
E as catraca vuô
Cê viu que coisa linda
Tem o povo na rua
Contra sua catraca
E a sua ditadura
Polícia é pedra no sapato
E eles vêm de bomba
Só que o povo é maioria
E eles temem a sombra

Pula a catraca
Chuta a catraca
Descatraca

Quando a gente se organiza
Eu sei que cê nem dorme
Não come, se caga
E o medo te consome
Lá vem bomba
É… Cê tá no pano dos covardes
Só que não vai resolver
Nós tamo em toda parte
Tamo no sol, no relento
Nas quebra, no centro
Com as faixa marchando
E você tremendo
Ganância
Má organização da cidade
Foda-se você
E sua contabilidade
Nem vem fazer discurso
Que a nossa parte é tudo
Viemos pra vencer
E lutamos pelo justo
Fato estranho, hei…
A lotação tá sem banco
Engraçado é o motorista
Que se acha o dono
Sem FGTS
Nem tempo de casa
Não percebeu
Que essa cooperativa é falsa
Se contenta com o resto
Atravessa os protesto
Coroinha do patrão
Virou testa de ferro

Pula a catraca
Chuta a catraca
Descatraca

[São Paulo] Breve relato sobre a aula pública com Lúcio Gregori e Paulo Arantes

por Pedro Beresin (originalmente publicado na página da X Bienal de Arquitetura no Facebook)


Foto: Camila Svenson

Ontem (27/06), em evento organizado pelo MPL (Movimento Passe Livre), o engenheiro Lúcio Gregori e o filósofo Paulo Arantes ministraram aula pública sobre as atuais manifestações em frente à Prefeitura Municipal. Em sua fala, Lúcio Gregori se ateve ao projeto de política pública Tarifa Zero, criado em 1990, sob sua gerência da Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo. O argumento é de ordem estrutural: se a iluminação das ruas, a pavimentação de vias, a coleta de lixo e diversos outros serviços públicos são tarifa zero, não há motivo para que não o seja também o transporte. Nas palavras do engenheiro e dos militantes do MPL, a mobilidade é condição essencial para o usufruto da cidade, em posto igual à educação, habitação, saúde e os outros serviços citados, portanto, porque não torná-lo um serviço público também?

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[São Paulo] Aula pública: Tarifa Zero e mobilização popular


[clique na imagem para visualizar maior]

Tarifa zero e mobilização popular estão em pauta em todo o país. Para difundir e ampliar estes temas, o Movimento Passe Livre São Paulo convida todos e todas para uma aula pública nesta quinta-feira, às 17h. O local não poderia ser mais adequado: do lado de fora da Prefeitura de São Paulo, onde há semanas estamos fazendo política voltada para o interesse coletivo.

Quem dará essa aula?
Lúcio Gregori, engenheiro, músico, ex-secretário de Transportes da prefeitura Luiza Erundina (1989-1992) e idealizador do Projeto Tarifa Zero.
Paulo Arantes, filósofo, escritor, pesquisador e professor aposentado do Departamento de Filosofia da USP.

observação: se chover, a aula será realizada embaixo do Viaduto do Chá.

Movimentos em disputa

por Marcelo Pomar e Flora Lorena Branco Muller

Na última sexta-feira 14 de junho, o dia seguinte a uma das mais brutais repressões a que observamos por uma Polícia contra seu próprio povo, nos arredores da avenida Paulista, assistimos a um comentarista da TV Cultura, o Carlos Eduardo Novaes, construir uma reflexão muito lúcida e que mexeu particularmente com os autores deste artigo.  Ele dizia, entre outras coisas, que não se podia cobrar eventuais erros ou excessos desses jovens manifestantes, porque, ao contrário da geração dele, que quando jovem lutou contra a ditadura militar e tinha ao seu lado os mais experientes homens e mulheres de quarenta, cinquenta ou sessenta anos, os jovens de hoje estão sozinhos, porque a geração de esquerda mais velha está quase integralmente preocupada em defender projetos eleitorais, garantir cargos no estado e fazer as indispensáveis flexões táticas no discurso, isolando essa juventude.

O que ocorre no Brasil é um levante. Continue reading “Movimentos em disputa”

[Distrito Federal] Manifestação quarta-feira: tarifa zero vai virar realidade

Chamado do Movimento Passe Livre DF:

Tarifa zero – Não importa o preço da tarifa, ela sempre vai excluir alguém
Transporte 24 horas – A cidade é viva a todos os momentos! Todas as pessoas têm o direito de circular por ela a hora que quiserem. E os trabalhadores noturnos não podem mais ter que dormir na rua por falta de transporte!

Quarta-feira, 19. Concentração a partir das 17H. Venham em grupo.

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