A senha está em Silva Jardim

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Notícias do que poderia ser o impacto da ampliação de direitos no desenvolvimento econômico das cidades – o que não parece ser a prioridade dos representantes do nosso capitalismo escravocrata e regredido. Neste caso, resultados imediatos da tarifa zero na cidade de Silva Jardim, RJ: ao não precisar mais pagar a passagem para usar o transporte, o sujeito terá mais dinheiro para outras coisas da vida cotidiana, outras necessidades que ficavam de fora do orçamento curto deste país de extremos negativos.

Há de se lembrar que o modelo de transporte hoje ainda hegemônico (custeado pela tarifa de quem o utiliza) tem como resultado manter o deslocamento sempre entre os principais gastos de brasileiros e brasileiras, de acordo com as pesquisas de orçamento familiar do IBGE. Continue reading “A senha está em Silva Jardim”

[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Breves considerações sobre IR e a distribuição de renda no Brasil

por Carlos Eduardo Fernandez da Silveira

A desconcentração de renda dos últimos anos foi, segundo dados revelados recentemente, menor do que se supunha. Fica claro que mexer na distribuição de renda exige ir além das políticas compensatórias. Há que se tocar no centro nevrálgico das decisões econômicas

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A economia das lutas do transporte

por Dokonal

A generalidade das análises a respeito das lutas do transporte coletivo acaba por deixar de lado a questão econômica dessas lutas. Isso quando não desconsidera completamente seus efeitos econômicos, tratando o assunto em termos estritamente morais. Ao adotar uma perspectiva que considera esse tipo de luta exterior à esfera econômica, contribui-se para isolá-la do restante das lutas sociais. Pretendo mostrar que as lutas deflagradas em torno da questão do transporte obedecem ao mesmo modelo econômico daquelas realizadas no processo de trabalho.

Ganhar mais, trabalhar menos Continue reading “A economia das lutas do transporte”

Deslocamento é lugar*

* Publicado originalmente na revista Urbânia 4, de Graziela Kunsch (fevereiro de 2011), este artigo foi escrito no contexto do ciclo de debates em torno de projeto editorial da revista Urbânia 4, realizado no Centro Cultural São Paulo em outubro de 2010.

Talvez o aspecto mais interessante ao discutir o problema da mobilidade urbana é que ela abre a perspectiva de que o caminho é tão importante quanto o destino. Ir para um lugar já é, objetivamente, um lugar em si e, portanto, temos de refletir sobre isso com atenção. É preciso pensar também em termos contextuais: nossa organização social atual está voltada para os centros urbanos, as cidades, que recebem números cada vez mais significativos de novos membros.

De acordo com um recente relatório da ONU na América Latina, em 2010 poderemos ser 172 milhões de brasileiros e brasileiras a viver em cidades. No mundo todo 200 mil novos moradores de cidades engordam a conta diariamente. E as cidades estão voltadas para a produção e administração da riqueza. Vivemos, enfim, sem precisar falar de outra forma, em um sistema econômico e político do tipo capitalista, baseado em divisões de classe, em que a grande maioria das pessoas deve produzir e consumir. Continue reading “Deslocamento é lugar*”

Talvez o transporte público devesse ser de graça

Por N.B. – 19 de Junho de 2013. Washington D.C. – The Economist

O blogueiro da Slate Matt Yglesias decidiu, depois de andar de bonde em Estrasburgo, que o sistema de comprovação de pagamento de tarifas—aquele em que o pagamento das tarifas é policiado por inspetores que distribuem multas quando pegam você sem o bilhete certo—é melhor para o transporte público do que o sistema de ‘pagar por viagem’. Mas há uma proposta mais radical que poderia funcionar ainda melhor: tornar o transporte público de graça.

O sistema de comprovação de pagamento sem dúvida seria uma grande melhora em relação aos sistemas ineficientes que atualmente dominam as linhas de ônibus e metrô das cidades americanas. Alguns anos atrás um grupo de engenheiros da Metropolitan Transit Authority (MTA) de Nova Iorque calcularam a quantidade de tempo perdida enquanto os passageiros esperavam para subir no ônibus e pagar a tarifa de uma única corrida da linha de ônibus Bx12 Limitada no Bronx. A resposta foi 16 minutos e 16 segundos, ou mais de um quarto da corrida. Um sistema de comprovação de pagamento economizaria muito tempo.

Desde esse estudo, o MTA mudou para o sistema de comprovação de pagamento em diversas linhas, incluindo a Bx12 Limitada. Os tempos de espera diminuíram, e a velocidade média aumentou. Mas, se os ônibus fossem de graça, tudo poderia funcionar ainda melhor.

Não é tão louco quanto parece. Continue reading “Talvez o transporte público devesse ser de graça”

Combustível para a luta de classes

Em 2010, enquanto preparava terreno para sua sucessora na presidência da república, Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula fez um discurso muito revelador de suas contradições políticas. Era um comício voltado para trabalhadores do Complexo Petroquímico do Rio em Itaboraí, e Lula incentivou à aquisição em massa de automóveis particulares afirmando que “os que defendem investimentos em metrô e trens querem que o pobre deixe a rua livre para eles. Eu quero que o pobre tenha carro também”.

O revelador no discurso fica por conta da habilidade de Lula em conciliar interesses, parecendo ao mesmo tempo afagar a ampla maioria da população – vista agora como pelo menos retoricamente igual em possibilidades –, e a elite, representada ali pela indústria do automóvel. Discordei e sigo discordando desta visão de igualdade via consumo por achar que, primeiro, não se trata de igualdade enquanto houver desigualdade econômica e política e, segundo, porque me parece melhor pensar que diminuição de desigualdade deve passar tanto pelo acesso ao consumo quanto pelo acesso aos direitos essenciais. Neste caso, defendendo o deslocamento nas cidades como um direito através de um sistema de transporte abundante, gratuito e de qualidade, onde a maioria da população não arcaria com a maior parte do custeio, cobrado dos setores mais ricos e que se beneficiam do vai e vem de estudantes, trabalhadores e consumidores. Continue reading “Combustível para a luta de classes”

Movimento Passe Livre avisa: reduzir subsídio ao transporte trará aumento nas tarifas

Na segunda-feira, 10 de dezembro, o Movimento Passe Livre de São Paulo (MPL) foi à Câmara de Vereadores dar uns pitacos sobre como deve ser o Orçamento Municipal de 2013. Atentos, ficaram espertos nas previsões feitas e viram que havia R$ 300 milhões a menos destinado às “compensações tarifárias” (o famoso subsídio, que serve para aliviar um pouco o preço da tarifa, mas que não altera a estrutura do sistema baseado em concessões privadas e na cobrança dos usuários, tal como uma mercadoria qualquer, para sustentar o “equilíbrio econômico-financeiro” das empresas, um horror). Bom, subsídio menor significa aumento nas tarifas. Com isso o MPL não irá concordar e já está se organizando para preparar manifestações de resistência ao iminente reajuste.

Apesar de não terem o direito à fala concedido, o MPL protocolou uma carta (vá até o fim do post) exigindo que o subsídio seja mantido em R$ 960 milhões – números de 2012 – e não perderam de vista a natureza da contradição do sistema de transporte tarifado, argumentando que “todo aumento de tarifa é uma decisão política e não um problema técnico. Continue reading “Movimento Passe Livre avisa: reduzir subsídio ao transporte trará aumento nas tarifas”

Do “Fora o Vintém” à tarifa zero!

por Camila S. Betoni

Como muitos outros episódios em que o povo comum é protagonista, a Revolta do Vintém não fez parte das “grandes narrativas da história”, foi até hoje pouco estudada e não há muitos registro sobre o que aconteceu nos últimos meses daquele ano. De todo jeito, com as poucas informações que tenho, gostaria de lembrar desse episódio, mas sem rigor científico, tendo como fonte o pouco que li e exercendo certa imaginação sobre os fatos. Faço isso como homenagem ao Movimento Passe Livre, por sua semana oficial de lutas, marcada anualmente pelo 26 de Outubro.

“Vive o pobre amargurado,
Mas vá pagando o vintem,
Si quizer ser transportado,
Quando vae e quando vem.”  Continue reading “Do “Fora o Vintém” à tarifa zero!”

Os benefícios cotidianos da gratuidade e as falsas soluções para a crise do financiamento

Abaixo, matéria do G1 sobre os impactos positivos da gratuidade do transporte na vida de quem já o recebe (neste caso, os idosos) e a aparente contradição que isto provoca dentro do sistema, já que o restante dos usuários são prejudicados, pois o custo é incorporado ao valor da tarifa integral. Esta é uma falsa contradição e não precisamos entrar em disputas por migalhas, como faz o MDT e suas propostas de redução das tarifas a partir do não-recolhimento dos impostos das empresas de transporte. Se, como eles também defendem, as gratuidades existentes devem ser financiadas pelo poder público (desonerando os usuários pagadores de tarifa), por que não estender o raciocínio para todo o sistema? Afinal, como eles próprios admitem, não são os usuários os maiores beneficiados pelos deslocamentos na cidade, mas a cadeia produtiva, a economia… enfim, a classe que representa estes interesses. Quem deve pagar a conta, então? Por que insistir em não tratar a questão dentro da esfera dos demais direitos essenciais e, portanto, de acesso igual para todos e todas? A quem interessa manter o sistema sob responsabilidade direta dos usuários (trabalhadoras, estudantes, as classes pobres) e optar por um caminho que afastará o transporte coletivo do seu fim público e, de quebra, dará sobrevida econômica ao setor privado explorador do mesmo?

@camarada_d

Gratuidade assegura direito de ir e vir e promove inclusão social em SE

Mais de 33 mil usuários do transporte público têm direito à gratuidade.
Aos 65 anos, idosa sem renda fixa, comemora a conquista do benefício.

Um benefício sonhado por vários anos e que somente agora pode ser conquistado pela autônoma Mercedes Vieira Nero, de 65 anos. A idosa, que não possui renda fixa, vive do seu trabalho como costureira em um ateliê montado em sua própria casa no Conjunto Marcos Freire II, em Nossa Senhora do Socorro (SE), na região metropolitana de Aracaju. E como para muitos trabalhadores, que não possuem carteira assinada, os custos com o transporte público pesavam, e muito, na renda da chefe de família, que criou sozinha os filhos após ter ficado viúva. Continue reading “Os benefícios cotidianos da gratuidade e as falsas soluções para a crise do financiamento”

Reforma tributária tornaria possível tarifa zero* no transporte público de SP

por Gisele Brito, da Rede Brasil Atual

Engenheiro Lúcio Gregori, secretário de transportes na gestão Luiza Erundina, fala sobre os desafios da adoção de um sistema de transporte gratuito no Brasil

Debate na Universidade de São Paulo sobre a gratuidade universal no sistema de transporte público reuniu no último dia 8 o filosofo Vladimir Safatle, a relatora especial da ONU para moradia adequada, Raquel Rolnik, o engenheiro Lúcio Gregori, autor da proposta da tarifa zero* em 1990, quando exercia o cargo de secretário de transportes na gestão de Luiza Erundina (1989-1992), em São Paulo, e representantes do Movimento Passe Livre da cidade. Sob o mote de “Tarifa  Zero: Uma Realidade Possível” os debatedores foram unânimes em afirmar que a revindicação vai além de uma demanda específica e que é preciso incluir a mobilidade como um direito constitucional. O desafio para essa mudança, expuseram, passa por uma disputa político-ideológica. Para eles, a reivindicação põe diversos paradigmas do sistema vigente como o direito à cidade, a não-mercatilização da vida, e a liberdade em debate. Na entrevista a seguir, Gregori trata dessas questões e coloca o dedo na ferida: uma reforma tributária é fundamental para que cidades como São Paulo reassumam a responsabilidade pelos deslocamentos humanos. Continue reading “Reforma tributária tornaria possível tarifa zero* no transporte público de SP”

Por que recusar o plano da licitação do transporte em Joinville?

Por Miguel Neumann, militante do MPL Joinville

Após muitos anos de expectativa finalmente foi iniciado o processo de licitação do transporte coletivo em Joinville. Há certa percepção popular segundo a qual com a aplicação dos princípios de concorrência a passagem irá abaixar, acabará o monopólio da Gidion/Transtusa e o transporte vai melhorar.

De antemão é necessário dizer que não, isto é, que essa percepção é falsa. Isso porque o transporte é licitado em lote por meio de consórcio. Isso significa que quem ganhar o lote ganha tudo, que o consórcio pode ser formado por várias empresas, mas para fins práticos funcionará apenas como uma. É justamente esse o objeto da licitação atual: um grande lote que atenderá toda Joinville. Continue reading “Por que recusar o plano da licitação do transporte em Joinville?”

[RJ] Fim de integração trem-metrô fará usuário gastar R$ 33 a mais por mês

Mais uma péssima notícia para usuários de transporte coletivo e, por extensão, para nossas cidades: as concessionárias do trem e metrô do Rio de Janeiro, SuperVia e Metrô Rio, cortaram o direito à integração entre os dois serviços. O passageiro passará a pagar R$ 4,95 e não mais R$ 4,20. Quem faz uso da integração duas vezes ao dia gastará R$ 33 a mais por mês.

Segundo matéria publicada em O Globo, “entre os motivos alegados pelo Metrô Rio está o fato de haver ‘vulnerabilidade’ no sistema de venda de tíquetes de papel no modelo integração”. A empresa, ainda de acordo com a matéria, “não explicou que vulnerabilidade seria essa”.

[Vitória, ES] Dia de roletaço e conscientização

O ato de pular a roleta vem se tornando cada vez mais comum no cenário capixaba ano após ano. Só para se ter uma ideia, nos últimos três anos, o número de pessoas que pulam a roleta diariamente aumentou cerca de 230%, passando de 3 mil puladores (em 2009) para 7 mil em 2011.

Tal fato se deu por diversos fatores. Entre eles, podemos citar o aumento abusivo das tarifas nos transportes municipais e estaduais, protestos contínuos contra o aumento e a normatização do ato de pular a roleta. Todos esses fatores e o constante crescimento de jumpers, estão fazendo com que o ato de pular a roleta se consolide como parte da cultura dos capixabas. Continue reading “[Vitória, ES] Dia de roletaço e conscientização”

Transporte público de verdade em pauta nos EUA: tarifa é só outra forma de cobrar imposto de quem menos pode pagar

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foto por MYSTERY PILL

Boas novas vindas do Norte. A noção do transporte como um direito de verdade oferecido a todos está extrapolando fronteiras! O Occupy Boston, grupo inspirado no movimento Occupy Wall Street, que questiona a escandalosamente desigual distribuição de riqueza na sociedade, lançou uma convocação para um dia de luta pelo transporte público.

Marcado para o dia 4 de abril, a ato defenderá o direito ao transporte para os 99% da sociedade (o motivo para a existência do movimento Occupy é a concentração de metade da riqueza nacional por apenas por 1%, os ricos pra valer) e que este transporte garanta a mobilidade de todos e todas, que seja sustentável e gratuito. Continue reading “Transporte público de verdade em pauta nos EUA: tarifa é só outra forma de cobrar imposto de quem menos pode pagar”