[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] BNDES libera financiamento de R$ 2,4 bilhões para nova fábrica da Fiat

BNDES aprovou financiamento para uma fábrica nova da Fiat em Pernambuco pelo módico valor de R$ 2,4 bilhões de reais. Se tudo ocorrer bem pros caras, só dessa fabriqueta de 3,3 milhões de metros quadrados, sairá uma quantia aí de 250 mil carros novos por ano nas ruas desse Brasil, garantindo “mobilidade urbana” para todos e todas, em especial à classe trabalhadora que poderá pagar uma prestação até a morte com imposto reduzido. Eba! Mas recursos pra tarifa zero e demais direitos aí não tem, é tabu, né?

@camarada_d

O sistema está funcionando

Em São Paulo a tarifa de ônibus vai aumentar e, não fosse isso uma paulada suficiente, vem outra: a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo decidiu cobrar 8,56% a menos do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores. O famoso IPVA.

É isso que eu chamo de afirmação de prioridades: o lance é desestimular violentamente o transporte coletivo e empurrar o carro goela abaixo, usando de expedientes mais e mais sedutores. Mas é cilada pura: o camarada vai ficar preso no trânsito, perdendo horas de sua e tirando da vida dos outros (muitas vezes perdendo a sua vida e tirando a vida dos outros). E o transporte coletivo vai ficando cada vez mais distante da esfera do direito, largado como uma mercadoria. Pior, uma mercadoria de quinta categoria e de propósito. Continue reading “O sistema está funcionando”

De onde vem o 26 de outubro? Pra onde vai a mobilidade urbana brasileira?

Nesta segunda-feira, a presidenta Dilma foi ao Salão do Automóvel, em SP, para reafirmar o apoio político às soluções individuais de deslocamento nas cidades brasileiras e aos empresários do setor. O clímax da festa foi o anúncio de prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até o fim do ano. Ficará mais barato adquirir um automóvel. Ficará um pouco mais difícil para o povo brasileiro se deslocar nas grandes cidades e um pouco mais distante o sonho de alcançarmos uma política pública coletiva que encare o transporte coletivo como um direito, portanto, coletivo. Ficará melhor para as montadoras que poderão repassar recursos para salvar as finanças de suas matrizes e ficará tudo igual dentro do paradigma em que o deslocamento é uma responsabilidade de cada um – ainda que o seu objetivo quase que total seja o leva e traz dos trabalhadores e trabalhadoras, consumidores e consumidoras, aos locais onde as mercadorias são produzidas ou consumidas e onde o trabalho é explorado.

Bom, nem tudo está perdido. Existe outro caminho a percorrer e, por coincidência, hoje se iniciam as manifestações do Movimento Passe Livre, por ocasião da semana  nacional de lutas pelo transporte público de verdade (acho que já caducou chamar de semana de luta pelo passe livre). A semana gira em torno do dia 26 de outubro e faz menção à manifestação realizada pela então Campanha pelo Passe Livre de Florianópolis (depois Movimento Passe Livre) durante a de votação do projeto de lei do passe livre estudantil nesta mesma data, em 2004. Empolgadas com a vitória da Revolta da Catraca, quando a turma tomou as ruas da cidade e reverteu um aumento nas tarifas de ônibus, milhares de pessoas cercaram a Câmara dos Vereadores, outras conseguiram entrar no plenário e pressionar os legisladores a aprovar o projeto em sua primeira sessão. Os vereadores sem saber o que fazer (deveriam aprova-lo também em definitivo ou aguardar novas ordens de quem os orienta?) fugiram pela saída traseira da Câmara, escoltados pela Polícia Militar. A Lei do Passe Livre estudantil foi aprovada em definitivo no dia 4 de novembro (em uma versão precarizada, diferente da proposta pelo movimento) e posteriormente derrubada pelo judiciário, através de uma articulação com a prefeitura. Vamos lembrar como foi o dia 26 de outubro de 2004 em Floripa?

Havia muita expectativa para o dia 26 de outubro…

Passe-Livre definitivamente aprovado

@camarada_d

[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Governo deixa de arrecadar R$ 2,1 bilhões de montadoras de automóveis

Matéria publicada no G1 no dia 25/8 diz o seguinte: entre maio e agosto, o governo deixou de arrecadar R$ 2,1 bilhões por conta da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados das montadoras de automóveis. Em princípio, este pacote se encerra agora, dia 31. Por essas, as montadoras estão organizando feirões de queima de estoque, os consumidores estão naturalmente aproveitando a situação; o volume de vendas será faraônico e, quem sabe, o ciclo se repetirá em breve e de maneira mais agressiva.

Por trás das questões sobre medidas de estímulo ao consumo, está apenas uma escolha sobre o que estimular. O governo se exime da responsabilidade de garantir a mobilidade para todos e todas (o que deveria ser um direito constitucional e ainda não o é) e joga suas fichas nas soluções de mercado e individuais. Só admitam isso, e não digam que não há dinheiro para a tarifa zero.

twitter.com/camarada_d

[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Prioridades do governo, BNDES e indústria do automóvel

por Paulo Kliass

E para além dessas estatísticas, que demonstram o viés estrutural das opções do governo, surge agora outro que nos agride também pela força do elemento simbólico que carrega. O BNDES acaba de comemorar o destino do montante de R$ 342 milhões a um dos maiores conglomerados industriais do mundo – a Volkswagen. Ou seja, travestido do discurso contra a crise, o governo brasileiro resolve emprestar recurso público para que a multinacional lance aqui no Brasil um modelo de automóvel que já está sendo vendido em outras praças. Trata-se do supercompacto “Up”. A operação é um verdadeiro absurdo e um flagrante contra-senso. Ao invés de limitar a enorme remessa de lucros de nossas filiais para as matrizes européias e norte-americanas nesses tempos de crise, o governo empresta recurso público para quem tem toda capacidade própria de realizar os investimentos. Continue reading “[Não tem dinheiro pra tarifa zero?] Prioridades do governo, BNDES e indústria do automóvel”

São Paulo: uma cidade inteira para os carros (e não vai ser suficiente!)

por Raquel Rolnik

Na semana passada, o jornal Estado de S. Paulo divulgou, com base em pesquisa realizada na Escola Politécnica da USP, que 25% de toda a área construída da cidade de São Paulo é usada para garagens. Essa situação não é fruto do acaso: a legislação da cidade de São Paulo obriga que todos os imóveis construídos tenham vagas de estacionamento, gerando assim uma espécie de simbiose entre o processo de produção da cidade e a inevitabilidade do modelo de circulação baseado no uso do automóvel. Continue reading “São Paulo: uma cidade inteira para os carros (e não vai ser suficiente!)”

82% dos paulistanos querem deixar o carro, mas dizem não ter opção

por Instituto Katu

Se o transporte coletivo da cidade de São Paulo fosse rápido, de fácil acesso e confortável, 82% dos moradores que usam carro para os deslocamentos diários abririam mão dele para usar o sistema público. Esse percentual já era alto no ano passado: 72%. Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência para a Rede Nossa São Paulo (RNSP), divulgada na quarta-feira (21/9).

De acordo com o levantamento, aumentou em 18 pontos percentuais (de 37% em 2010 para 55% em 2011) o número de moradores que classificam o trânsito da capital como “péssimo”.

O tempo médio de deslocamento gasto no trânsito diariamente é de 2h49min, ou seja, 42 dias por ano, quase um mês e meio preso no trânsito. Para alguns, a situação é ainda pior: 19% dos paulistanos chegam a perder até quatro horas nos deslocamentos diários – dois meses por ano. O levantamento mostra também que aumentou de 15%, em 2007, para 23%, em 2011, os que afirmaram usar o automóvel quase todos os dias e, entre os entrevistados, 38% compraram carro nos últimos 12 meses. Continue reading “82% dos paulistanos querem deixar o carro, mas dizem não ter opção”

[Joinville, SC] É Otávio, não existe corrupção, Ok

por Valentim, militante da Frente de Luta pelo Transporte Público

No último dia 16, a TV Câmara exibiu um debate em torno da mobilidade urbana no Brasil no programa Participação Popular. No encontro, o sociólogo Diego Lourenço Carvalho, especializado na área de mobilidade, defendeu que o assunto deve ser tratado no âmbito social e não econômico. Já o presidente da Associação Nacional de Empresas de Transporte Urbano (NTU), Otávio Cunha, apresentou alguns argumentos para tentar justificar os constantes aumentos nas tarifas das empresas privadas que prestam o serviço.

Diego desenvolveu uma tese sobre a mobilidade urbana de Brasília. Na pesquisa, o autor afirma que, para a realidade da capital, assim como em outras cidades brasileiras, é necessária uma mudança nos paradigmas da mobilidade, onde as políticas priorizem formas sustentáveis de locomoção, como o transporte público coletivo. Além deste debate, durante o programa da TV Câmara, foram apresentadas algumas estatísticas preocupantes sobre o assunto. Uma delas é que, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o preço das passagens está 60% acima da inflação, em decorrência dos serviços e aumentos aplicados desde 1995. O instituto também diz que para cada bebê brasileiro nascido são vendidos cinco carros e que, atualmente, o transporte urbano teve uma queda de 30% no número de passageiros. Continue reading “[Joinville, SC] É Otávio, não existe corrupção, Ok”

Mais carros no horizonte

Na contramão absoluta do consenso atual sobre a crise da mobilidade, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), representante de classe da indústria do automóvel, com generoso auxílio do governo, solta a seguinte bomba:

Aumentar em 62,3% a quantidade de automóveis particulares até 2020. Para cada mil habitantes seriam 250 veículos (hoje são 154). Para realizar essa irresponsabilidade com nossas cidades e capacidade de se deslocar e viver nas mesmas, serão investidos 21 bilhões de dólares até 2015. Haja rua, asfalto, viadutos, remoções de comunidades e bairros pobres, elevados, emissão de gás, transporte coletivo precarizado, saúde comprometida, tempo perdido em trânsito, prestações pagas, industriais e demais ricos se deslocando de helicóptero com seus bolsos recheados, financiamento de campanhas para eleger representantes desta indústria no Congresso etc.

Segue matéria publicada na Folha de SP:  Continue reading “Mais carros no horizonte”

[Fortaleza] Frota de veículos será de 970,4 mil em 2014

A mobilidade urbana é umas principais preocupações para atender os fortalezenses e visitantes na Copa

Se o trânsito das principais vias de Fortaleza já está estrangulado, com início das obras de mobilidade urbana, que visam a Copa do Mundo de 2014, a tendência é que a situação piore ainda mais. De julho do ano passado ao mesmo período deste ano, a frota de veículos na Capital passou de 676,6 mil para 745,2 mil, o que representa crescimento de 9,2%. Se continuar nesse ritmo, projeta-se que em julho de 2014, quando será realizado o megaevento, a frota seja de 970,4 mil veículos. Continue reading “[Fortaleza] Frota de veículos será de 970,4 mil em 2014”

Amigo/amiga de América Latina: Vota y divúlgalo!

Estimados amigos y amigas, este sitio para el transporte público libre necesita tu voto, aqui:

http://premiofrida.org/por/projects/view/2392

Podrías enviarlo a tus amigos y listas? Cada computador vota sólo una vez y es un proceso muy rápido! Vota y divúlgalo!

TarifaZero.org es un web site brasileño independiente, con el objetivo de reunir y producir material (artículos, audio, videos, reportajes, noticias etc.) sobre el tema de la movilidad urbana y del derecho a la ciudad, con énfasis en la defensa del transporte colectivo público y gratuito -como una política pública- que incentive la reducción del uso del automóvil en las ciudades, la redistribución de renta y la justicia social, beneficiando la mayor parte de la población. Esta idea se fundamenta en entender que el transporte es un servicio público esencial, por lo tanto, un derecho fundamental que asegura el acceso de las personas a los demás derechos fundamentales, como la salud y la educación. En los lugares más distantes de los grandes centros, el acceso a los derechos fundamentales sólo se concreta a través del transporte colectivo, y para asegurar que el conjunto de la población pueda disfrutar de estos derechos, el transporte necesita ser público y gratuito. En caso contrario, las personas que no tienen dinero para pagar la tarifa, no podrán llegar a sus destinos y ejercer sus derechos.

Muchas gracias!

Transporte como direito civil?

por Jason Kambitsis

Muitas coisas vêm à mente quando se pensa em mobilidade: tráfego, congestionamentos, transporte coletivo, o custo dos combustíveis, para citar apenas poucos exemplos. Pode-se pensar também na economia, planejamento urbano e no meio ambiente. No entanto, um aspecto é comumente ignorado: direitos civis.

A Leadership Conference on Civil and Human Rights – uma coalizão de organizações estadunidenses de defesa de direitos civis e humanos – estabeleceu o transporte com um direito civil no relatório Para onde devemos ir: roteiro dos direitos civis para a equidade no transporte. Continue reading “Transporte como direito civil?”

Governo concede mais benefícios para a indústria do automóvel

Não sei se enquadro esta notícia na categoria “Não existe dinheiro pra tarifa zero?” ou se abro uma nova sobre incentivo ao transporte individual:o governo federal concederá até julho de 2016 redução na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos produzidos no Brasil. A justificativa oficial é “propiciar o aumento da competitividade da indústria nacional e estimular a instalação de fábricas no Brasil”.

Ok, conta outra. O resultado nós já conhecemos, basta ler qualquer comunicado do Ipea – instituto ligado à presidência – ou andar normalmente pelas ruas das cidades brasileiras. Se esta medida, de benefício ao transporte individual, propiciara algo é o aumento da imobilidade. Pobre de nós, povo que vive esmagado dentro de ônibus, que perde em média (contando com a ajuda de cidade menos populosas) 40 minutos do dia no trânsito, que gasta mais com transporte do que com alimentação. Ou que simplesmente não pode se locomover pela cidade por falta de dinheiro.

Incentivo fiscal para estádio pode, incentivo fiscal para indústria automobilística pode. Transporte como um direito universal? Não pode.

 

 

[Floripa] Debate sobre mobilidade urbana e gestão do transporte

Programa Conversas Cruzadas, da TV Com, debate a crise da mobilidade urbana e a gestão do transporte coletivo com a presença de Lúcio Gregori (ex-secretário de Transporte de São Paulo e co-autor do Projeto Tarifa Zero), Angela Albino (deputada estadual de Santa Catarina), Marcelo Pomar (militante do Movimento Passe Livre) e João Batista Nunes (secretário de Transporte de Florianópolis). Este debate ocorre em consequência do seminário Marco regulatório e novos modais de transporte de massa em Florianópolis e região, realizado em 30 de junho na Assembléia Legislativa de Santa Catarina.

 

Motivos econômicos pelo transporte público gratuito

por João Alexandre Peschanski

A criação de um sistema de transporte público gratuito universal no capitalismo soa como uma fantasia inatingível. Tal sistema, à primeira vista, seria economicamente ineficiente, na medida em que oneraria demais o Estado.

Mas, do ponto de vista econômico, criar um sistema de transporte público gratuito é vantajoso para o Estado. Uma sociedade que depende de automóveis individuais como meio de transporte principal tem custos sociais e ecológicos elevados. É preciso levar em conta esses custos no cálculo da eficiência de qualquer sistema de transporte.

Uma sociedade dependente de automóveis individuais tem altos níveis de poluição — muito mais do que teria se o principal meio de transporte fosse coletivo. A contaminação do ar leva a doenças respiratórias e, consequentemente, gastos médicos, para o cidadão e o Estado. Na medida em que tais doenças respiratórias incapacitam os membros de uma sociedade levam a uma possível desaceleração econômica — trabalhadores sem saúde não produzem no mesmo nível do que trabalhadores com saúde. Há outros gastos relacionados ao uso do automóvel em massa, como a manutenção de uma rede de fiscais de trânsito, fundamental para organizar cidades com tráfego intenso, e o tempo — produtivo — perdido em engarrafamentos. Quem paga a conta pelo trânsito são, de novo, o cidadão e o Estado. Continue reading “Motivos econômicos pelo transporte público gratuito”